Só pra futura referência.
Você que estiver lendo isso: já pensou que, enquanto você faz aí o que quer que esteja fazendo, tem alguém pensando SERIAMENTE no potencial do emprego da realidade virtual e da estimulação sensória artificial como instrumento de castigo penal?
Alguém aqui já pensou no significado que um hamurábico “olho por olho e dente por dente” adquire quando se puder fazer um assassino, um estuprador ou um seqüestrador (excluídos aí os malucos totais e completos) saberem e sentirem EXATAMENTE os efeitos de seus atos sobre suas vítimas?
(certamentente existem volumes de discussão e de ficção a respeito. Se não vier por aí nenhuma hecatombe mundial nos próximos 20 anos, isso ainda será algo discutido publicamente a sério)
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Versão definitiva
Postado por
Gabriel G;
Eu já apresentei uma versão anterior desta montagem. Já era uma versão cortada da montagem original de 3 fotos. Mas depois de uma série de edições e mudanças, esta é a versão que agora adorna minha casa num quadro de 60 x 40 cm...

Em prol da beleza, da unidade e do impacto, resolvi mandar a verdade fotográfica às favas e acrescentar coisas que não estavam na foto via photoshop (inclusive a tonalidade de verde).
A "queima" do negativo do filme é real -- em uma parte da borda da foto. (consegue ver qual é?)

Em prol da beleza, da unidade e do impacto, resolvi mandar a verdade fotográfica às favas e acrescentar coisas que não estavam na foto via photoshop (inclusive a tonalidade de verde).
A "queima" do negativo do filme é real -- em uma parte da borda da foto. (consegue ver qual é?)
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Postado por
Marcílio, o gêmeo malvado
"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!"
Faço minhas as palavras do poetinha. Fim de férias, fica a saudade dos amigos que ficam por aqui (Ceará) e a alegria de retornar para os amigos do lar.
Esse blog é uma coisa que me é muito cara - um espaço de amizade. Aqui mantenho viva uma das minhas amizades mais antigas, com o co-autor deste espaço. E sei que 95% das pessoas que lêem são amigos. E quem me conhece sabe o apreço que tenho pelos meus.
Um grande abraço a todos vocês!
P.S. Um abraço especial para um colaborador eventual e muito querido deste blog. Laerte, você sabe do carinho que eu e o0 Gabriel temos por ti, estamos pensando seriamente em te atender e aumentar seu espaço aqui...não sei se você sabe, mas você tem sido elogiado por muita gente. Eu tinha certeza que você tinha futuro nesse negócio de tirinhas...rsrsrs!! Tamos esperando o convite pra cervejinha, viu?
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!"
Vinícius de Moraes
Faço minhas as palavras do poetinha. Fim de férias, fica a saudade dos amigos que ficam por aqui (Ceará) e a alegria de retornar para os amigos do lar.
Esse blog é uma coisa que me é muito cara - um espaço de amizade. Aqui mantenho viva uma das minhas amizades mais antigas, com o co-autor deste espaço. E sei que 95% das pessoas que lêem são amigos. E quem me conhece sabe o apreço que tenho pelos meus.
Um grande abraço a todos vocês!
P.S. Um abraço especial para um colaborador eventual e muito querido deste blog. Laerte, você sabe do carinho que eu e o0 Gabriel temos por ti, estamos pensando seriamente em te atender e aumentar seu espaço aqui...não sei se você sabe, mas você tem sido elogiado por muita gente. Eu tinha certeza que você tinha futuro nesse negócio de tirinhas...rsrsrs!! Tamos esperando o convite pra cervejinha, viu?
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Brasil - o planeta dos macacos
Postado por
Marcílio, o gêmeo malvado
Essa animação é excelente, o Tchê mandou pra mim recentemente. Aliás, as outras coisas desse cara também são ótimas.
A única coisa estranha é o fato de que a nossa população é toda feita de macacos...eu não acredito na má-fé do autor, mas que isso incomodou muita gente que comentou o vídeo no youtube.
A tempo: o povo brasileiro é capaz de preconceitos muito piores contra sua própria gente. E é consciente disso.
A única coisa estranha é o fato de que a nossa população é toda feita de macacos...eu não acredito na má-fé do autor, mas que isso incomodou muita gente que comentou o vídeo no youtube.
A tempo: o povo brasileiro é capaz de preconceitos muito piores contra sua própria gente. E é consciente disso.
Bullshit
Postado por
Marcílio, o gêmeo malvado
Penn & Teller são uma dupla de mágicos/comediantes/céticos americanos. O que há de particular nas rotinas desses dois, é que as apresentações, que são excelentes, são todas feitas para ilustrar e mostrar como é fácil enganar as pessoas.
O papel exercido pela dupla é muito, mas muito mais interessante que o do "Mister M"...esses dois são da linhagem de gente como Houdini e James Randi...são céticos desmascaradores de charlatões.
Recentemente descobri um programade TV de Penn & Teller, chamado de Bullshit. Neste episódio específico, os dois falam da bíblia, embora os assuntos não sejam necessariamente ligados ao sobrenatural. O outro episódio que eu vi tratava da rejeição à crianças que tenham "tendências ao ateísmo ou homossexualismo" por parte dos escoteiros nos EUA, que são financiados, em grande parte nos EUA pela malfadada Igreja Mórmon.
Infelizmente não achei legendado.
Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:
Sim...Penn é o falastrão, o "Teller" é o cara que, ironicamente, nunca abre a boca.
O papel exercido pela dupla é muito, mas muito mais interessante que o do "Mister M"...esses dois são da linhagem de gente como Houdini e James Randi...são céticos desmascaradores de charlatões.
Recentemente descobri um programade TV de Penn & Teller, chamado de Bullshit. Neste episódio específico, os dois falam da bíblia, embora os assuntos não sejam necessariamente ligados ao sobrenatural. O outro episódio que eu vi tratava da rejeição à crianças que tenham "tendências ao ateísmo ou homossexualismo" por parte dos escoteiros nos EUA, que são financiados, em grande parte nos EUA pela malfadada Igreja Mórmon.
Infelizmente não achei legendado.
Parte 1:
Parte 2:
Parte 3:
Sim...Penn é o falastrão, o "Teller" é o cara que, ironicamente, nunca abre a boca.
especial de 1245 dias - grátis: 1 tirinha bônus
Postado por
Marcílio, o gêmeo malvado
No dia de hoje, 12 de fevereiro de 2009, Wilbor se revolta completa 1245 dias de vida, sempre construindo o socialismo pra você e com você.Para celebrar data tão especial, não podia deixar de postar aqui uma genial série de 20 tirinhas, publicadas originalmente na Folha de São Paulo (jornalzinho que sempre passa a perna na gente - cuidado!) entre Dezembro de 2008 e Janeiro do presente ano. Só não postei antes porque fiquei sem photoshop e não queria colar 20 imagens separadamente.
Vale muito a pena.
Tirinha bônus:

Patativa do Assaré
Postado por
Marcílio, o gêmeo malvado
O peixe
Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.
Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a insconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.
O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.
Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!
____________________________________________
O Vaqueiro
Dêrne munto pequenino,
Cumprindo o belo destino
Que me deu Nosso Senhô.
Eu nasci pra sê vaquêro,
Sou o mais feliz brasilêro,
Eu não invejo dinhêro,
Nem diproma de dotô.
Sei que o dotô tem riquêza,
É tratado com fineza,
Faz figura de grandeza,
Tem carta e tem anelão,
Tem casa branca jeitosa
E ôtas coisa preciosa;
Mas não goza o quanto goza
Um vaquêro do sertão.
Da minha vida eu me orgúio,
Levo a Jurema no embrúio
Gosto de ver o barúio
De barbatão a corrê,
Pedra nos casco rolando,
Gaios de pau estralando,
E o vaquêro atrás gritando,
Sem o perigo temê.
Criei-me neste serviço,
Gosto deste reboliço,
Boi pra mim não tem feitiço,
Mandinga nem catimbó.
Meu cavalo Capuêro,
Corredô, forte e ligêro,
Nunca respeita barsêro
De unha de gato ou cipó.
Tenho na vida um tesôro
Que vale mais de que ôro:
O meu liforme de côro,
Pernêra, chapéu, gibão.
Sou vaquêro destemido,
Dos fazendêro querido,
O meu grito é conhecido
Nos campo do meu sertão.
O pulo do meu cavalo
Nunca me causou abalo;
Eu nunca sofri um galo,
pois eu sei me desviá.
Travesso a grossa chapada,
Desço a medonha quebrada,
Na mais doida disparada,
Na pega do marruá.
Se o bicho brabo se acoa,
Não corro nem fico à tôa:
Comigo ninguém caçoa,
Não corro sem vê de quê.
É mêrmo por desaforo
Que eu dou de chapéu de côro
Na testa de quarqué tôro
Que não qué me obedecê.
Não dou carrêra perdida,
Conheço bem esta lida,
Eu vivo gozando a vida
Cheio de satisfação.
Já tou tão acostumado
Que trabaio e não me enfado,
Faço com gosto os mandado
Das fia do meu patrão.
Vivo do currá pro mato,
Sou correto e munto izato,
Por farta de zelo e trato
Nunca um bezerro morreu.
Se arguém me vê trabaiando,
A bezerrama curando,
Dá pra ficá maginando
Que o dono do gado é eu.
Eu não invejo riqueza
Nem posição, nem grandeza,
Nem a vida de fineza
Do povo da capitá.
Pra minha vida sê bela
Só basta não fartá nela
Bom cavalo, boa sela
E gado pr’eu campeá.
Somente uma coisa iziste,
Que ainda que teja triste
Meu coração não resiste
E pula de animação.
É uma viola magoada,
Bem chorosa e apaxonada,
Acompanhando a toada
Dum cantadô do sertão.
Tenho sagrado direito
De ficá bem satisfeito
Vendo a viola no peito
De quem toca e canta bem.
Dessas coisa sou herdêro,
Que o meu pai era vaquêro,
Foi um fino violêro
E era cantadô tombém.
Eu não sei tocá viola,
Mas seu toque me consola,
Verso de minha cachola
Nem que eu peleje não sai,
Nunca cantei um repente
Mas vivo munto contente,
Pois herdei perfeitamente
Um dos dote de meu pai.
O dote de sê vaquêro,
Resorvido marruêro,
Querido dos fazendêro
Do sertão do Ceará.
Não perciso maió gozo,
Sou sertanejo ditoso,
O meu aboio sodoso
Faz quem tem amô chorá.
____________________________________________
2009 - ano do centenário de nascimento desse gênio cearense da poesia oral
P.S. Eu conhecia muito pouco o Patativa. Tinha lido umas duas ou três coisinhas e conhecia o cara da estátua do Dragão do Mar, aqui em Fortaleza onde este blogueiro goza de suas justas e longas férias. A primeira poesia publicada aqui, eu vi num CD chamado "Viva Patativa", que é um belíssimo trabalho patrocinado pela Caixa...a segunda (assim como a primeira) me foi apresentada por um primo meu, esse sim conhecedor mais profundo do poeta.
Impressiona a compreensão que o cara tinha da realidade do sertanejo nordestino, o humor e politização dos textos.
Impressiona a compreensão que o cara tinha da realidade do sertanejo nordestino, o humor e politização dos textos.
acabando?
Postado por
Marcílio, o gêmeo malvado
Segundo entrevista dada pelo economista Stephan Kanitz, a crise financeira acabou, pelo menos no Brasil. A declaração, como era de se imaginar, provocou muitas reações, a maioria delas no sentido de ridicularizar a tese.
Podemos imaginar que, de fato, se pensarmos isoladamente no Brasil o pior da crise já tenha passado. A indústria automobilística começa a dar sinais de recuperação, o resultado final do PIB/2008 provavelmente será muito positivo, o 3° trimestre, que foi quando a crise começou não foi afetado...
Podemos imaginar que, de fato, se pensarmos isoladamente no Brasil o pior da crise já tenha passado. A indústria automobilística começa a dar sinais de recuperação, o resultado final do PIB/2008 provavelmente será muito positivo, o 3° trimestre, que foi quando a crise começou não foi afetado...
O problema disso tudo, é o fato de que o Brasil está longe de ser auto-suficiente, aliás, como todos os países nos dias de hoje. Precisamos da saúde financeira dos compradores, especialmente porque com a crise que não passou no resto do mundo, fica mais difícil vender aço, petróleo e comida, coincidentemente os carros-chefe da nossa pauta de exportação. Dessa forma, fica difícil para a Vale, a Petrobras e outras pequenas empresas brasileiras, responsáveis por grandíssima parte do que representa o Ibovespa continuarem garantindo a boa saúde do setor financeiro nacional.
Por outro lado, dá pra imaginar que o pior já tenha passado: o pacote americano foi aprovado, não com os US$900 bilhões que chegaram a ser cogitados, mas com quase US$800 bi, que convenhamos, é dinheiro pra cacete. Como ninguém sabe quanto dinheiro pode ser necessário para resolver o problema, essa quantia, a princípio, parece ser razoável. Agora, se os americanos vão financiar imóveis ou salvar o rabo dos banqueiros, não importa muito, desde que seja feito o que é necessário. Salvar banqueiro, infelizmente, vai além de salvar o sujeito dono de banco, isso porque um citibank quebrando é um fenômeno bastante desagradável pro mundo todo.
Por aqui, fico satisfeito com a política de manter a recuperação do0 salário mínimo.
Se o governo faz isso por altruísmo, capacidade de visão social ou em benefício da candidatura da Dilma é outro fator que não importa tanto. Obviamente um cenário econômico onde a própria população se encarrega de jogar dinheiro na economia é favorável para todo mundo - dos banqueiros às empregadas domésticas - mesmo porque ganhando R$465,00 não dá a ninguém a possibilidade de poupança, o que significa dinheiro entrando diretamente no comércio mesmo.
Aparentemente, a coisa vai se desenrolar como eu e outros respeitados economistas previam: a crise é braba, pode levar mais algum tempo mas passa. E com uma possibilidade até razoável de que aqui passe antes que em outros países, como na Zona do Euro, EUA, Japão, Índia e China.
Nunca antes na história desse país.
Por outro lado, dá pra imaginar que o pior já tenha passado: o pacote americano foi aprovado, não com os US$900 bilhões que chegaram a ser cogitados, mas com quase US$800 bi, que convenhamos, é dinheiro pra cacete. Como ninguém sabe quanto dinheiro pode ser necessário para resolver o problema, essa quantia, a princípio, parece ser razoável. Agora, se os americanos vão financiar imóveis ou salvar o rabo dos banqueiros, não importa muito, desde que seja feito o que é necessário. Salvar banqueiro, infelizmente, vai além de salvar o sujeito dono de banco, isso porque um citibank quebrando é um fenômeno bastante desagradável pro mundo todo.
Por aqui, fico satisfeito com a política de manter a recuperação do0 salário mínimo.
Se o governo faz isso por altruísmo, capacidade de visão social ou em benefício da candidatura da Dilma é outro fator que não importa tanto. Obviamente um cenário econômico onde a própria população se encarrega de jogar dinheiro na economia é favorável para todo mundo - dos banqueiros às empregadas domésticas - mesmo porque ganhando R$465,00 não dá a ninguém a possibilidade de poupança, o que significa dinheiro entrando diretamente no comércio mesmo.
Aparentemente, a coisa vai se desenrolar como eu e outros respeitados economistas previam: a crise é braba, pode levar mais algum tempo mas passa. E com uma possibilidade até razoável de que aqui passe antes que em outros países, como na Zona do Euro, EUA, Japão, Índia e China.
Nunca antes na história desse país.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
hosana nas alturas
Postado por
Gabriel G;
Descobri o blog do Laerte. Já tava aí faz um tempo, mas eu não conhecia.
MANUAL DO MINOTAURO. Endereço antigo e endereço atual.
Hooray.
MANUAL DO MINOTAURO. Endereço antigo e endereço atual.
Hooray.
3 momentos materialistas e dialéticos
Postado por
Gabriel G;
1.
“Essa é a relação do trabalhador com sua própria atividade humana como algo estranho e não pertencente a ele mesmo, atividade como sofrimento (passividade), vigor como impotência, criação como emasculação, a energia física e mental pessoal do trabalhador, sua vida pessoal (pois o que é a vida senão atividade?) como uma atividade voltada contra ele mesmo, independente dele e não pertencente a ele. Isso é auto-alienação (...) . ”
“O animal identifica-se com sua atividade vital. Ele não distingue a atividade de si mesmo. Ele é sua atividade.
O homem, porém, faz de sua atividade vital um objeto de sua vontade e consciência. Ele tem uma atividade vital consciente.
Ela não é uma prescrição com a qual ele esteja plenamente identificado. A atividade vital consciente distingue o homem da atividade vital dos animais: só por esta razão ele é um ente-espécie. Ou antes, é apenas um ser auto-consciente, isto é, sua própria vida é um objeto para ele, porque ele é um ente-espécie. Só por isso, a sua atividade é atividade livre. O trabalho alienado inverte a relação, pois o homem, sendo um ser autoconsciente, faz de sua atividade vital, de seu ser, unicamente um meio para sua existência.”
Karl Marx
Manuscritos Econômico-filosóficos
2.
“(…) O espetáculo é o herdeiro de toda a fraqueza do projeto filosófico ocidental, que foi uma compreensão da atividade dominada pelas categorias do ver; assim como se baseia no incessante alargamento da racionalidade técnica precisa, proveniente deste pensamento. Ele não realiza a filosofia, ele filosofa a realidade. É a vida concreta de todos que se degradou em universo especulativo.
A filosofia, enquanto poder do pensamento separado, e pensamento do poder separado, nunca pode por si própria superar a teologia. O espectáculo é a reconstrução material da ilusão religiosa. A técnica espetacular não dissipou as nuvens religiosas onde os homens tinham colocado os seus próprios poderes desligados de si: ela ligou-os somente a uma base terrestre. Assim, é a mais terrestre das vidas que se torna opaca e irrespirável. Ela já não reenvia para o céu, mas alberga em si a sua recusa absoluta, o seu falaccioso paraíso. O espetáculo é a realização técnica do exílio dos poderes humanos num além; a cisão acabada no interior do homem.”
Guy Debord
A Sociedade do Espetáculo
3.
“(...) toda essa pregação sobre a tolerância, o amor ao próximo e assim por diante é, em última instância, uma estratégia para evitar o encontro com o próximo.
Toda essa obsessão que temos hoje com as diferentes formas de assédio - o fumo, o assédio sexual, social etc. - consiste, simplesmente, em como manter o próximo a uma distância apropriada. ... Mais uma vez, temos aí o próximo como o Real: um Real possível demais, e é isso que é traumático. Com a intromissão desse Real, a obsessão quase central de nossa época passou a ser a de como manter uma distância conveniente. Eu diria que também é por isso que as causas humanitárias são tão populares. Elas não são uma simples expressão de amor ao próximo, são exatamente o oposto. Ou seja, a função do dinheiro, nas doações para causas humanitárias, é idêntica à função do dinheiro tal como isolada por Lacan na psicanálise: o dinheiro significa que eu pago a você para que não tenhamos nenhum envolvimento.
(...) essa é a função suprema da doação de dinheiro a causas humanitárias: é para que [as pessoas] fiquem por lá.”
Slavoj Zizek
Arriscando o Impossível
“Essa é a relação do trabalhador com sua própria atividade humana como algo estranho e não pertencente a ele mesmo, atividade como sofrimento (passividade), vigor como impotência, criação como emasculação, a energia física e mental pessoal do trabalhador, sua vida pessoal (pois o que é a vida senão atividade?) como uma atividade voltada contra ele mesmo, independente dele e não pertencente a ele. Isso é auto-alienação (...) . ”
“O animal identifica-se com sua atividade vital. Ele não distingue a atividade de si mesmo. Ele é sua atividade.
O homem, porém, faz de sua atividade vital um objeto de sua vontade e consciência. Ele tem uma atividade vital consciente.
Ela não é uma prescrição com a qual ele esteja plenamente identificado. A atividade vital consciente distingue o homem da atividade vital dos animais: só por esta razão ele é um ente-espécie. Ou antes, é apenas um ser auto-consciente, isto é, sua própria vida é um objeto para ele, porque ele é um ente-espécie. Só por isso, a sua atividade é atividade livre. O trabalho alienado inverte a relação, pois o homem, sendo um ser autoconsciente, faz de sua atividade vital, de seu ser, unicamente um meio para sua existência.”
Karl Marx
Manuscritos Econômico-filosóficos
2.
“(…) O espetáculo é o herdeiro de toda a fraqueza do projeto filosófico ocidental, que foi uma compreensão da atividade dominada pelas categorias do ver; assim como se baseia no incessante alargamento da racionalidade técnica precisa, proveniente deste pensamento. Ele não realiza a filosofia, ele filosofa a realidade. É a vida concreta de todos que se degradou em universo especulativo.
A filosofia, enquanto poder do pensamento separado, e pensamento do poder separado, nunca pode por si própria superar a teologia. O espectáculo é a reconstrução material da ilusão religiosa. A técnica espetacular não dissipou as nuvens religiosas onde os homens tinham colocado os seus próprios poderes desligados de si: ela ligou-os somente a uma base terrestre. Assim, é a mais terrestre das vidas que se torna opaca e irrespirável. Ela já não reenvia para o céu, mas alberga em si a sua recusa absoluta, o seu falaccioso paraíso. O espetáculo é a realização técnica do exílio dos poderes humanos num além; a cisão acabada no interior do homem.”
Guy Debord
A Sociedade do Espetáculo
3.
“(...) toda essa pregação sobre a tolerância, o amor ao próximo e assim por diante é, em última instância, uma estratégia para evitar o encontro com o próximo.
Toda essa obsessão que temos hoje com as diferentes formas de assédio - o fumo, o assédio sexual, social etc. - consiste, simplesmente, em como manter o próximo a uma distância apropriada. ... Mais uma vez, temos aí o próximo como o Real: um Real possível demais, e é isso que é traumático. Com a intromissão desse Real, a obsessão quase central de nossa época passou a ser a de como manter uma distância conveniente. Eu diria que também é por isso que as causas humanitárias são tão populares. Elas não são uma simples expressão de amor ao próximo, são exatamente o oposto. Ou seja, a função do dinheiro, nas doações para causas humanitárias, é idêntica à função do dinheiro tal como isolada por Lacan na psicanálise: o dinheiro significa que eu pago a você para que não tenhamos nenhum envolvimento.
(...) essa é a função suprema da doação de dinheiro a causas humanitárias: é para que [as pessoas] fiquem por lá.”
Slavoj Zizek
Arriscando o Impossível
sábado, 31 de janeiro de 2009
PARANÓIA OU REPRESENTAÇÃO
Postado por
Gabriel G;
(Vamos lá com mais uma reflexão-em-andamento. Tudo ainda cru.)
Devem ter sido feitas muitas comparações entre Matrix a Star Wars. Eu, porém, ainda não li nenhuma, então aqui vai a minha.
Lembro que, por ocorrerem no mesmo ano (1999) os lançamentos do primeiro Matrix e do Episódio I de Star Wars, a comparação no meio dos fãs e aficcionados era inevitável.
The Phantom Menace usou um absurdo de efeitos especiais computadorizados, inédito na quantidade e na qualidade, mantendo a tradição de Star Wars de chutar bundas nos efeitos. Mas Matrix, com bem menos, foi a zebra que roubou do favorito o dado-como-certo oscar de efeitos especiais. E com merecimento.
Enquanto o Episódio I mostrava quão ultrapassado estava em concepção e quão caduca estava a cabeça teimosa de George Lucas, Matrix causou uma revolução na temática visual e representação de ação que, nas últimas décadas, seria inferior em influência apenas àquela causada pela própria trilogia original de Star Wars.
Desde de aquela época, tenho pensado difusamente a respeito das duas histórias. Mas o elã de finalmente escrever algo me foi proporcionado por uma improvável experiência: a audição de uma versão audio-book do livro Matrix, or the two sides of perversion, do filósofo marxista-lacaniano Slavoj Zizek (e-mule strikes again!).
Nesta minha comparação — que no final vai se deter mais em Matrix— vou falar genericamente, mas me dedicarei menos às trilogias que aos respectivos primeiros filmes de cada uma.
1.
Há pontos importantes em comum nos dois filmes: ambas são aventuras que tratam do caminho de descoberta, sofrimento, escolha e auto-superação de uma figura heróica contra um fundo de repressão desumanizadora e controladora que ameaça não apenas matá-lo, mas corromper e formatar seu próprio íntimo. Em ambos os casos, o que está em jogo e o que leva o herói a enfrentar o perigo e o sofrimento é o destino da humanidade (expandida em Star Wars para um sem-número de espécies alienígenas) e de seus entes queridos.
Ambas as histórias são, então, aventuras épicas com componentes míticos.
Ambos também foram filmes “inesperados” — vindos de origens inesperadas, e conseguindo um sucesso inesperado. E nessa área estranha que é a ficção científica — nome, aliás, que soa deslocado para ambos os casos: pois nos dois não se trata realmente de ficção científica, mas de aventuras de fantasia e ação que adotam roupagens e temáticas desenvolvidas pela ficção científica já popularizada.
Essa roupagem, é claro, teve tudo a ver com o sucesso de ambas as histórias. Deixando claro uma coisa – que o impacto original de Star Wars continua até hoje inigualado por tudo o que lhe sobreveio — acredito que Matrix no fim do século foi o que esteve mais perto, em “encaixe” simbólico e empático com seu público, do que Star Wars foi na passagem dos 70 para os 80.
![]()
Ambos os filmes são muito conscientes de suas aparências, e as construíram numa grande colagem de referências. Em sua constituição, Star Wars tomava emprestados elementos de westerns, das ficções estilo flash Gordon e Buck Rogers, de cultura oriental (que teve grande penetração no ocidente a partir da década de 60), além uso consciente de alguns “arquétipos” mitológicos. Matrix toma emprestado elementos da cultura ciberpunk, do mundo clubber, de desenhos animados japoneses, de artes-marciais e de video-games, entre outras coisas. Mas enquanto a colagem-pastiche de Star Wars visa delimitar uma fantasia, Matrix quer simular uma realidade assombrada, cercada de premonições simbólicas. E isso tem muito a ver com os tempos em que estamos.

2.
Star wars se constitui a partir de um regime de representação simbólica: um conto de fadas quase escapista, improvável e impossível em muitos aspectos. Mas seu objetivo não é a chegar à “realidade”, mas ao sentido. (ou, lacainizando apud Zizek: não à realidade, mas ao real).
E, de fato, histórias mitológicas têm a ver com organizar dentro de uma narrativa coerente um modelo de organização simbólica que nos permita dar sentido à realidade, e não tanto “explicá-la”. (aliás, pode-se dizer mesmo que essa distância deliberada da realidade em SW já o descaracteriza de imediato como ficção científica).

Matrix tem também funções simbólicas e morais, mas é uma história com características mais hiperreais — no sentido não de que procura realismo, mas que borra o limite entre real e ficcional. A busca pela simulação, pela sensação realística à la videogame, é mais forte aqui (embora também possa ser detectada em vários momentos de ação de Star Wars). Mas o vital é isto: o que vemos no filme, de início, é nosso próprio mundo hipermoderno retratado. Mas esse mundo próximo ao nosso é uma farsa, e um mundo catastrófico de ficção apocalíptica seria a “verdadeira” realidade que o “sistema” não nos deixa ver (“welcome to the desert of the real”).
A proximidade de Matrix com nossa própria realidade — como num mundo “através do espelho” — é parte do jogo e está indiscutivelmente ligado a seu sucesso. Possibilitou a Matrix um tipo de marketing impossível para Star Wars: lançar modas de vestuário (óculos, em especial). As pessoas se fantasiam de personagens de Star Wars, mas, se quiserem, podem mesmo se vestir como Matrix.
O marcante é que a questão da realidade, que é em si é a essência de Matrix, é irrelevante em Star Wars. Embora ambas as histórias tratem da luta entre a humanidade libertadora e auto-consciente contra uma ordem/sistema despótico e desumanizador, o ponto de vista que adotam é extremamente diferente. Star Wars é uma fábula fora do tempo-espaço histórico ("a long time ago, in a galaxy far, far away"), enquanto Matrix passa-se num nosso futuro distante e hipotético. Em Star Wars, todos voltamos à infância, à inspiração pelos modelos morais, e às possibilidades heróicas de nós mesmos que abandonamos no crescimento e perante os deveres que nos são impostos, mas que podemos recuperar; em Matrix, temos a impressão urgente de que nós é que somos os pobres conectados inconscientes que têm de escolher a pílula vermelha para se libertar de uma prisão cuja existência nem ao menos percebemos.

3.
Matrix é, enfim, uma história indubitavelmente paranóica. Até certo ponto, é também um filme sobre paranóia sobre nosso atual estado paranóico.
Aviso que não quero me meter em nenhuma designação propriamente psicológica; por “paranóia” designo aqui resumida e vagabundamente apenas a disposição mental e emocional a pensar que há alguma grande instância controladora desconhecida por trás do que vemos e de que, por conseguinte, a própria realidade das coisas e dos outros (a forma como são-para-nós) não é confiável, pois trata-se de uma aparência construída para nos enganar.
Esse caráter paranóico, por sua vez, liga-se à influência da ficção Ciberpunk, que mais de 20 anos antes do filme, já produzia marcos na literatura e no Cinema, como Blade Runner; mas liga-se também aos caminhos tomados pela modernização sistêmica de nosso mundo. O estrondoso sucesso de um plot como o de Matrix teve (e de outros plots paranóicos como os de Arquivo X e de O Show de Truman) seria provavelmente impossível na época de Star Wars. Além do bem-pensado uso das referências, seu sucesso na virada do século não deixa também de servir de termômetro para quão paranóica a vida tem se tornado.
Não por acaso, Star Wars e Matrix encontram-se em limites opostos da presença dos computadores na vida cotidiana e nos filmes. O primeiro se encontra no início da popularização, quando o computador ainda é uma coisa eficiente mas opaca ao ser humano, uma ferramenta feita por e para especialistas, que nos diz o que fazer e à qual devemos abandonar para confiar em nós mesmos e usar nosso pleno potencial (use the force, Luke!). O filme, curiosamente, já faz uso de computação gráfica, então muito incomum (calma, o uso se limita a gráficos e animações pequeninas, ou seja: ao que é mostrado em telas dos próprios computadores).
Matrix, por sua vez, surge na era em que computadores e internet já são parte inseparável do cotidiano (nos USA, certamente; por aqui eles ainda estavam se tornando). Em nosso atual momento, o computador não representa mais uma alavanca que "pensa" e nos diz o que fazer, mas um ambiente artificial no qual nós entramos, trabalhamos, nos divertimos e nos comunicamos. No cinema, a computação gráfica já era largamente empregado para simular realidades quando Matrix começou a ser produzido.
De fato, se o mundo do capitalismo avançado de consumo, do espetáculo debordiano, do controle midiático e da propaganda já eram pra lá de paranóicos, há um grau de paranóia proporcionado apenas pela popularização da internet e pelos computadores: um mundo conectado, onde tudo se resolve por programação digital, onde são possíveis “realidades virtuais” e onde tudo é passível de vigília e controle.
Mas esse mundo é também um mundo de hackers e de informação "selvagem"; o que Matrix também diz é que esse mundo hipercontrolado -- ou da possibilidade do hipercontrole -- é também um mundo de outsiders, rebeldes e revolucionários.

(afora um pusta enquadramento, o fundo aqui denuncia a idade do filme...)
Bão, vou encerrar por aqui. Há muito mais o que se falar e comparar se seguirmos os desenvolvimentos das trilogias, em especial o desfecho de Star Wars, mas fica pra outra ocasião.
Só um epílogo: muito já se escreveu e teorizou sobre o discurso de Matrix. Slavoj Zizek já disse que o filme funciona como um teste rorschach, onde cada um tende a enxergar o que nele projeta, de maneira que deve-se ter cuidado ao interpretar as intenções e capacidades de seus criadores. Eu creio que é perigoso atribuir elaborações intelectuais exageradas aos irmãos Wachowski; não é assim que a arte (na falta de um nome melhor) funciona. Criação artística e elaboração intelectual são atividades distintas, com ordens de discurso, disposições anímicas e organizações simbólicas distintas. Afora um insight realmente forte e um uso consciente (e por vezes bem pretensioso) de símbolos e referências, maiores elaborações teóricas me parecem fruto dos analistas, e não dos criadores (sejam os Wachovsky ou Lucas).
(E por último, um link: Welcome to the desert of the real, do Zizek. Só pela citação.
Acho que este ano ainda vou postar várias referências a esse cara.)
Devem ter sido feitas muitas comparações entre Matrix a Star Wars. Eu, porém, ainda não li nenhuma, então aqui vai a minha.
Lembro que, por ocorrerem no mesmo ano (1999) os lançamentos do primeiro Matrix e do Episódio I de Star Wars, a comparação no meio dos fãs e aficcionados era inevitável.
The Phantom Menace usou um absurdo de efeitos especiais computadorizados, inédito na quantidade e na qualidade, mantendo a tradição de Star Wars de chutar bundas nos efeitos. Mas Matrix, com bem menos, foi a zebra que roubou do favorito o dado-como-certo oscar de efeitos especiais. E com merecimento.
Enquanto o Episódio I mostrava quão ultrapassado estava em concepção e quão caduca estava a cabeça teimosa de George Lucas, Matrix causou uma revolução na temática visual e representação de ação que, nas últimas décadas, seria inferior em influência apenas àquela causada pela própria trilogia original de Star Wars.
Desde de aquela época, tenho pensado difusamente a respeito das duas histórias. Mas o elã de finalmente escrever algo me foi proporcionado por uma improvável experiência: a audição de uma versão audio-book do livro Matrix, or the two sides of perversion, do filósofo marxista-lacaniano Slavoj Zizek (e-mule strikes again!).
Nesta minha comparação — que no final vai se deter mais em Matrix— vou falar genericamente, mas me dedicarei menos às trilogias que aos respectivos primeiros filmes de cada uma.
1.
Há pontos importantes em comum nos dois filmes: ambas são aventuras que tratam do caminho de descoberta, sofrimento, escolha e auto-superação de uma figura heróica contra um fundo de repressão desumanizadora e controladora que ameaça não apenas matá-lo, mas corromper e formatar seu próprio íntimo. Em ambos os casos, o que está em jogo e o que leva o herói a enfrentar o perigo e o sofrimento é o destino da humanidade (expandida em Star Wars para um sem-número de espécies alienígenas) e de seus entes queridos.
Ambas as histórias são, então, aventuras épicas com componentes míticos.
Ambos também foram filmes “inesperados” — vindos de origens inesperadas, e conseguindo um sucesso inesperado. E nessa área estranha que é a ficção científica — nome, aliás, que soa deslocado para ambos os casos: pois nos dois não se trata realmente de ficção científica, mas de aventuras de fantasia e ação que adotam roupagens e temáticas desenvolvidas pela ficção científica já popularizada.
Essa roupagem, é claro, teve tudo a ver com o sucesso de ambas as histórias. Deixando claro uma coisa – que o impacto original de Star Wars continua até hoje inigualado por tudo o que lhe sobreveio — acredito que Matrix no fim do século foi o que esteve mais perto, em “encaixe” simbólico e empático com seu público, do que Star Wars foi na passagem dos 70 para os 80.
Ambos os filmes são muito conscientes de suas aparências, e as construíram numa grande colagem de referências. Em sua constituição, Star Wars tomava emprestados elementos de westerns, das ficções estilo flash Gordon e Buck Rogers, de cultura oriental (que teve grande penetração no ocidente a partir da década de 60), além uso consciente de alguns “arquétipos” mitológicos. Matrix toma emprestado elementos da cultura ciberpunk, do mundo clubber, de desenhos animados japoneses, de artes-marciais e de video-games, entre outras coisas. Mas enquanto a colagem-pastiche de Star Wars visa delimitar uma fantasia, Matrix quer simular uma realidade assombrada, cercada de premonições simbólicas. E isso tem muito a ver com os tempos em que estamos.

2.
Star wars se constitui a partir de um regime de representação simbólica: um conto de fadas quase escapista, improvável e impossível em muitos aspectos. Mas seu objetivo não é a chegar à “realidade”, mas ao sentido. (ou, lacainizando apud Zizek: não à realidade, mas ao real).
E, de fato, histórias mitológicas têm a ver com organizar dentro de uma narrativa coerente um modelo de organização simbólica que nos permita dar sentido à realidade, e não tanto “explicá-la”. (aliás, pode-se dizer mesmo que essa distância deliberada da realidade em SW já o descaracteriza de imediato como ficção científica).

Matrix tem também funções simbólicas e morais, mas é uma história com características mais hiperreais — no sentido não de que procura realismo, mas que borra o limite entre real e ficcional. A busca pela simulação, pela sensação realística à la videogame, é mais forte aqui (embora também possa ser detectada em vários momentos de ação de Star Wars). Mas o vital é isto: o que vemos no filme, de início, é nosso próprio mundo hipermoderno retratado. Mas esse mundo próximo ao nosso é uma farsa, e um mundo catastrófico de ficção apocalíptica seria a “verdadeira” realidade que o “sistema” não nos deixa ver (“welcome to the desert of the real”).
A proximidade de Matrix com nossa própria realidade — como num mundo “através do espelho” — é parte do jogo e está indiscutivelmente ligado a seu sucesso. Possibilitou a Matrix um tipo de marketing impossível para Star Wars: lançar modas de vestuário (óculos, em especial). As pessoas se fantasiam de personagens de Star Wars, mas, se quiserem, podem mesmo se vestir como Matrix.
O marcante é que a questão da realidade, que é em si é a essência de Matrix, é irrelevante em Star Wars. Embora ambas as histórias tratem da luta entre a humanidade libertadora e auto-consciente contra uma ordem/sistema despótico e desumanizador, o ponto de vista que adotam é extremamente diferente. Star Wars é uma fábula fora do tempo-espaço histórico ("a long time ago, in a galaxy far, far away"), enquanto Matrix passa-se num nosso futuro distante e hipotético. Em Star Wars, todos voltamos à infância, à inspiração pelos modelos morais, e às possibilidades heróicas de nós mesmos que abandonamos no crescimento e perante os deveres que nos são impostos, mas que podemos recuperar; em Matrix, temos a impressão urgente de que nós é que somos os pobres conectados inconscientes que têm de escolher a pílula vermelha para se libertar de uma prisão cuja existência nem ao menos percebemos.

3.
Matrix é, enfim, uma história indubitavelmente paranóica. Até certo ponto, é também um filme sobre paranóia sobre nosso atual estado paranóico.
Aviso que não quero me meter em nenhuma designação propriamente psicológica; por “paranóia” designo aqui resumida e vagabundamente apenas a disposição mental e emocional a pensar que há alguma grande instância controladora desconhecida por trás do que vemos e de que, por conseguinte, a própria realidade das coisas e dos outros (a forma como são-para-nós) não é confiável, pois trata-se de uma aparência construída para nos enganar.
Esse caráter paranóico, por sua vez, liga-se à influência da ficção Ciberpunk, que mais de 20 anos antes do filme, já produzia marcos na literatura e no Cinema, como Blade Runner; mas liga-se também aos caminhos tomados pela modernização sistêmica de nosso mundo. O estrondoso sucesso de um plot como o de Matrix teve (e de outros plots paranóicos como os de Arquivo X e de O Show de Truman) seria provavelmente impossível na época de Star Wars. Além do bem-pensado uso das referências, seu sucesso na virada do século não deixa também de servir de termômetro para quão paranóica a vida tem se tornado.
Não por acaso, Star Wars e Matrix encontram-se em limites opostos da presença dos computadores na vida cotidiana e nos filmes. O primeiro se encontra no início da popularização, quando o computador ainda é uma coisa eficiente mas opaca ao ser humano, uma ferramenta feita por e para especialistas, que nos diz o que fazer e à qual devemos abandonar para confiar em nós mesmos e usar nosso pleno potencial (use the force, Luke!). O filme, curiosamente, já faz uso de computação gráfica, então muito incomum (calma, o uso se limita a gráficos e animações pequeninas, ou seja: ao que é mostrado em telas dos próprios computadores).
Matrix, por sua vez, surge na era em que computadores e internet já são parte inseparável do cotidiano (nos USA, certamente; por aqui eles ainda estavam se tornando). Em nosso atual momento, o computador não representa mais uma alavanca que "pensa" e nos diz o que fazer, mas um ambiente artificial no qual nós entramos, trabalhamos, nos divertimos e nos comunicamos. No cinema, a computação gráfica já era largamente empregado para simular realidades quando Matrix começou a ser produzido.
De fato, se o mundo do capitalismo avançado de consumo, do espetáculo debordiano, do controle midiático e da propaganda já eram pra lá de paranóicos, há um grau de paranóia proporcionado apenas pela popularização da internet e pelos computadores: um mundo conectado, onde tudo se resolve por programação digital, onde são possíveis “realidades virtuais” e onde tudo é passível de vigília e controle.
Mas esse mundo é também um mundo de hackers e de informação "selvagem"; o que Matrix também diz é que esse mundo hipercontrolado -- ou da possibilidade do hipercontrole -- é também um mundo de outsiders, rebeldes e revolucionários.

(afora um pusta enquadramento, o fundo aqui denuncia a idade do filme...)
Bão, vou encerrar por aqui. Há muito mais o que se falar e comparar se seguirmos os desenvolvimentos das trilogias, em especial o desfecho de Star Wars, mas fica pra outra ocasião.
Só um epílogo: muito já se escreveu e teorizou sobre o discurso de Matrix. Slavoj Zizek já disse que o filme funciona como um teste rorschach, onde cada um tende a enxergar o que nele projeta, de maneira que deve-se ter cuidado ao interpretar as intenções e capacidades de seus criadores. Eu creio que é perigoso atribuir elaborações intelectuais exageradas aos irmãos Wachowski; não é assim que a arte (na falta de um nome melhor) funciona. Criação artística e elaboração intelectual são atividades distintas, com ordens de discurso, disposições anímicas e organizações simbólicas distintas. Afora um insight realmente forte e um uso consciente (e por vezes bem pretensioso) de símbolos e referências, maiores elaborações teóricas me parecem fruto dos analistas, e não dos criadores (sejam os Wachovsky ou Lucas).
(E por último, um link: Welcome to the desert of the real, do Zizek. Só pela citação.
Acho que este ano ainda vou postar várias referências a esse cara.)
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Data comemorativa
Postado por
Gabriel G;
Você sabia que hoje é o DIA NACIONAL DA HISTÓRIA EM QUADRINHOS?
Pois é, nem eu.
Pois é, nem eu.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Clássicos vanguardistas
Postado por
Gabriel G;
Como pude esquecer de prestar homenagem a este clássico absoluto do humor de metalinguagem?
Mais do que inteligente, são sete minutos de um desenho genuinamente engraçado.
Com vocês, Duck Amuck: para mim, um dos melhores Loony Tunes jamais feitos.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Mais uma vez
Postado por
Gabriel G;
Wilbor está sem assunto, e novamente preencho o tempo com meus velhos desenhos.
Aqui vai mais um conjunto da série Vida Universitária 1998-2002: Desenho com massas.
Até antes da faculdade, a linha era praticamente tudo o que eu usava como elemento de desenho. É claro, havia também os "preenchimentos" da pintura, das tonalidades de aguada e da coloração, os quais eu empregava bem de vez em quando; mas a linha dominava minha compreensão de desenho propriamente dito -- ou seja, a construção da forma.
Um professor me mostrou então desenhos construídos diretamente por massas de pigmento, com poucas linhas em cooperação ou sem linha alguma.
A partir disso eu realizei alguns estudos me aproveitando do belo efeito que o grafite integral tem quando é usado deitado como um giz de cera... E aí estão alguns resultados.
Embora possam parecer abstratos, todos os desenhos são retratos de colegas de classe assistindo aula.
Estes dois primeiros são desenhos sem linha, nos quais fiz uso de massas escuras para delimitar as bordas externas das pessoas.


Os próximos dois desenhos podem ser meio difíceis de decifrar sem um aviso: tratam-se de um amontoado de esboços feitos no mesmo papel (todos retratando pessoas). Nos dois casos, as linhas são empregadas pontualmente, pra acentuar alguns detalhes.


Uma coisa legal do grafite, quando manejado dessa maneira, éo jeito como ele pega as texturas do papel ou das superfícies debaixo do papel.
Quando fiz estes dois próximos, eu não tinha nem pensado nisso. Por acaso, eu estava desenhando em papéis já usados; e os papéis eram daquelas folhas mais quadradas e finas usadas em impressão matricial (quem lembra), as quais ficam bem marcadas...
Resultado: podem notar as letras ao contrário que emergem onde há o grafite?


Foi um acidente muito interessante.
Estes dois últimos são os meus preferidos: acho que aqui consegui o melhor resultado em juntar forma abstrata, economia formal, uso pontual de linhas e expressão. (coincidentemente, são retratos da mesma pessoa)


Tenho que fazer mais desses. (o chato é a sujeira ocasional)
Aqui vai mais um conjunto da série Vida Universitária 1998-2002: Desenho com massas.
Até antes da faculdade, a linha era praticamente tudo o que eu usava como elemento de desenho. É claro, havia também os "preenchimentos" da pintura, das tonalidades de aguada e da coloração, os quais eu empregava bem de vez em quando; mas a linha dominava minha compreensão de desenho propriamente dito -- ou seja, a construção da forma.
Um professor me mostrou então desenhos construídos diretamente por massas de pigmento, com poucas linhas em cooperação ou sem linha alguma.
A partir disso eu realizei alguns estudos me aproveitando do belo efeito que o grafite integral tem quando é usado deitado como um giz de cera... E aí estão alguns resultados.
Embora possam parecer abstratos, todos os desenhos são retratos de colegas de classe assistindo aula.
Estes dois primeiros são desenhos sem linha, nos quais fiz uso de massas escuras para delimitar as bordas externas das pessoas.


Os próximos dois desenhos podem ser meio difíceis de decifrar sem um aviso: tratam-se de um amontoado de esboços feitos no mesmo papel (todos retratando pessoas). Nos dois casos, as linhas são empregadas pontualmente, pra acentuar alguns detalhes.


Uma coisa legal do grafite, quando manejado dessa maneira, éo jeito como ele pega as texturas do papel ou das superfícies debaixo do papel.
Quando fiz estes dois próximos, eu não tinha nem pensado nisso. Por acaso, eu estava desenhando em papéis já usados; e os papéis eram daquelas folhas mais quadradas e finas usadas em impressão matricial (quem lembra), as quais ficam bem marcadas...
Resultado: podem notar as letras ao contrário que emergem onde há o grafite?


Foi um acidente muito interessante.
Estes dois últimos são os meus preferidos: acho que aqui consegui o melhor resultado em juntar forma abstrata, economia formal, uso pontual de linhas e expressão. (coincidentemente, são retratos da mesma pessoa)


Tenho que fazer mais desses. (o chato é a sujeira ocasional)
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Racismo Diagramático
Postado por
Gabriel G;
sábado, 10 de janeiro de 2009
Genial
Postado por
Gabriel G;
Eis um trailer de um fictício filme dos Thundercats... feito por um fã, com edição e alteração por computador de cenas de outros filmes.
Tentem achar os filmes presentes aí. Eu já contei: Tróia, X-Man, Indiana Jones e a última Cruzada, Mad Max e a cúpula do trovão, Aliens - o resgate, Senhor do Anéis - O Retorno do Rei, Garfield, A Batalha de Riddick, Pequenos espiões, Stargate, Planeta dos Macacos, Mortal Kombat (acho...) e Highlander. Mas há várias coisas que não identifiquei...
Enfim, uma divertida perda de tempo.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Ano novo, vida nova... mesmo
Postado por
Gabriel G;
Excetuando casos peculiares que trazem reflexão ou risada, não é comum aqui que eu e o Marcelo falemos de nossa vida pessoal, e nem é esta a proposta deste blog. Como primeiro post meu deste ano, contudo, pretendo abrir uma exceção que acho bem válida.
Pois este é uma ano de mudanças grandes. Mudanças na verdade começadas no ano passado, mas que só tomarão sua devida proporção (quero crer) neste 2009.
Colocando de jeito curto: no meio do ano passado, me casei. Minha esposa, poucos meses antes do casamento, foi trabalhar no Rio de Janeiro. Até o fim de fevereiro deste ano, então, sairei do meu atual emprego em Cianorte e me mudarei de vez para a dita Cidade Maravilhosa.
Isso fecha o fim de uma fase, curta mas marcante. E também significa a volta a uma velha situação: a distância espacial em relação ao meu parceiro de blog. Mas o blog (e nossa amizade) existia e ia bem quando estávamos longe antes, e permanecerá assim.
Um casamento em distância, por outro lado, é algo bem complicado. Sei disso por experiência própria dos últimos seis meses.O fato é que, durante o segundo semestre do ano passado, houve vezes em que fiz semanalmente o trajeto Cianorte - Rio de Janeiro. De ônibus, obviamente.

Dá pra ver aí que a viagem não é pouca coisa; na verdade, é BEM foda. De tanto viajar e ter minha rotina cindida entre dois mundos (continente e litoral), minha noção de tempo ficou completamente bagunçada durante agosto e setembro.
É uma das transições mais loucas de se pensar: em distância, característica da paisagem, das pessoas, da cultura, do clima, da cidade, da fama (uma ilustre desconhecida paranaense e a cidade mais célebre do Brasil), e etc, etc e bota et cetera nisso.
É importante dizer duas coisas: uma é que é que vindo para o Rio, minha condição de eterno forasteiro é não só mantida, como cultivada em diferentes tonalidades -- e considero isso muito bacana. (Prometo ainda um longo post sobre todos os lugares em que morei; será interessante, juro!)
A outra coisa é que nunca, nunca mesmo imaginei que iria morar no Rio de Janeiro. Se me sobra algum naco de identidade geográfica, é predominantemente do interior paulista (a princípio avessa a carioquices). A única metrópole em que imaginava chegar a morar era São Paulo -- a qual conheço e freqüento razoavelmente há muitos anos, e na qual tenho uma porrada de contatos, referências e amigos.
Mas, sinceramente, quando minha esposa falou que teria que ficar no Rio, fiquei mais empolgado do que preocupado. Isso porque sabia que, embora considerasse a cidade interessantíssima, eu nunca iria ter a idéia de morar nela a não ser que fosse necessário.
Para coroar essa mudança, conscientemente decidi, junto com minha esposa, fazer uma espécie de marco simbólico na virada de ano: receber amigos e parentes em minha casa -- exercendo assim a função de anfitrião, para mim raríssima -- e assistir com eles aos suprafamosos fogos do Reiveillon carioca.

E valeu a pena.
Aviso então que terão início neste ano os meus "diários cariocas" (nome : relatos de outsider sobre eventuais impressões, gozações e revoltas sobre esta estranha, bela, renomada e suja cidade que, ao que tudo indica, será meu lar.
E feliz 2009 pra vocês.
Pois este é uma ano de mudanças grandes. Mudanças na verdade começadas no ano passado, mas que só tomarão sua devida proporção (quero crer) neste 2009.
Colocando de jeito curto: no meio do ano passado, me casei. Minha esposa, poucos meses antes do casamento, foi trabalhar no Rio de Janeiro. Até o fim de fevereiro deste ano, então, sairei do meu atual emprego em Cianorte e me mudarei de vez para a dita Cidade Maravilhosa.
Isso fecha o fim de uma fase, curta mas marcante. E também significa a volta a uma velha situação: a distância espacial em relação ao meu parceiro de blog. Mas o blog (e nossa amizade) existia e ia bem quando estávamos longe antes, e permanecerá assim.
Um casamento em distância, por outro lado, é algo bem complicado. Sei disso por experiência própria dos últimos seis meses.O fato é que, durante o segundo semestre do ano passado, houve vezes em que fiz semanalmente o trajeto Cianorte - Rio de Janeiro. De ônibus, obviamente.

Dá pra ver aí que a viagem não é pouca coisa; na verdade, é BEM foda. De tanto viajar e ter minha rotina cindida entre dois mundos (continente e litoral), minha noção de tempo ficou completamente bagunçada durante agosto e setembro.
É uma das transições mais loucas de se pensar: em distância, característica da paisagem, das pessoas, da cultura, do clima, da cidade, da fama (uma ilustre desconhecida paranaense e a cidade mais célebre do Brasil), e etc, etc e bota et cetera nisso.
É importante dizer duas coisas: uma é que é que vindo para o Rio, minha condição de eterno forasteiro é não só mantida, como cultivada em diferentes tonalidades -- e considero isso muito bacana. (Prometo ainda um longo post sobre todos os lugares em que morei; será interessante, juro!)
A outra coisa é que nunca, nunca mesmo imaginei que iria morar no Rio de Janeiro. Se me sobra algum naco de identidade geográfica, é predominantemente do interior paulista (a princípio avessa a carioquices). A única metrópole em que imaginava chegar a morar era São Paulo -- a qual conheço e freqüento razoavelmente há muitos anos, e na qual tenho uma porrada de contatos, referências e amigos.
Mas, sinceramente, quando minha esposa falou que teria que ficar no Rio, fiquei mais empolgado do que preocupado. Isso porque sabia que, embora considerasse a cidade interessantíssima, eu nunca iria ter a idéia de morar nela a não ser que fosse necessário.
Para coroar essa mudança, conscientemente decidi, junto com minha esposa, fazer uma espécie de marco simbólico na virada de ano: receber amigos e parentes em minha casa -- exercendo assim a função de anfitrião, para mim raríssima -- e assistir com eles aos suprafamosos fogos do Reiveillon carioca.

E valeu a pena.
Aviso então que terão início neste ano os meus "diários cariocas" (nome : relatos de outsider sobre eventuais impressões, gozações e revoltas sobre esta estranha, bela, renomada e suja cidade que, ao que tudo indica, será meu lar.
E feliz 2009 pra vocês.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Com pé direito
Postado por
Gabriel G;
Aos aspirantes a vencedores e aos saudosos de Harvey Birdman - Attorney at law e do Adult Swim em geral...
Para refletirmos e adentrarmos ao novo 2009 preparados para subir na vida, fazemos questão de relembrar aqui os 5 passos para o sucesso de Phil K. Sebben:





Para terminar, o lema da empresa Sebben&Sebben:

Para refletirmos e adentrarmos ao novo 2009 preparados para subir na vida, fazemos questão de relembrar aqui os 5 passos para o sucesso de Phil K. Sebben:





Para terminar, o lema da empresa Sebben&Sebben:

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