Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Geografia 1

um campo qualquer

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Fun, fun, fun!!

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Miguel filho do zé

Qual foi a notícia mais estranha que você leu relacionada à morte de Michael Jackson?

A que eu li (até agora) foi esta:

Mais de 1.500 detentos de uma prisão do centro das Filipinas dançaram neste sábado de macacão laranja ao som da música 'Thriller' em homenagem a Michael Jackson, constatou um jornalista da AFP.  Foto:Ted Aljibe/AFP

Presos dançam thriller
"Mais de 1.500 detentos de uma prisão do centro das Filipinas dançaram neste sábado de macacão laranja ao som da música 'Thriller' em homenagem a Michael Jackson, constatou um jornalista da AFP"


Bizarria à parte, esta notícia dá uma boa idéia da dimensão que Jackson teve.

Não posso dizer que lamento sua morte: aquilo que havia para se lamentar já havia morrido há muito tempo, e há tanto tempo quanto eu não tenho mais idade nem gosto para gostar de seu trabalho. Melhor que estava ele não ia ficar, eu já falei a alguns.

Porém, enquanto muitos dedicavam desprezo e zombaria à figura que ele se tornou, eu posso dizer sinceramente que o que sentia em relação às suas mudanças físicas, escãndal0s e esquisitices era desconforto... e mesmo pena por um homem tão perturbado e distorcido em tantos aspectos.

Mas eu gostava de Michael Jackson quando era criança.
E o pesadelo mais antigo que tenho na lembrança é dos meus quatro anos; é de acordar gritando de medo pelo Michael-lobisomen/Michael-zumbi de Thriller...
Isso é uma homenagem.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Exercício (7)

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Mais um momento materialista e dialético (2)

(Perdão a todos os cientistas sociais pela mixórdia que vou fazer)

Uma discussão política comum de se ouvir no mundo das humanas é a respeito do que foi alardeado como “fim das utopias”, ou “fim das metanarrativas” ou “fim da história”.

No clima “pós-moderno” de a partir dos anos 80, falou-se muito da queda das “metanarrativas” ou “grandes narrativas”. “Metanarrativa” significa, tosca e basicamente falando, um sistema de pensamento que encara o mundo como um devir, como algo que vai evoluir e cuja evolução pode e deve ser direcionada pela humanidade. A discussão, no fim, se referia mais especificamente à derrocada dos vestígios quebrados e distorcidos do sonho socialista no fim da década de noventa, com o fim da União Soviética, à qual muitos esquerdistas ainda se apegavam como esperança de poder vislumbrar algo ainda fora do capitalismo (por pior que fosse). Os liberais capitalistas, por outro lado, se apegaram à derrocada desse símbolo para dizer: “pronto, já era. Agora vocês vão ter que aceitar a realidade: o mundo é assim, não vai haver ‘grande projeto’ e ‘grande mudança histórica’. Finito”.

O(s) socialismo(s) é(são) uma(s) Grande Narrativa, sem dúvida. Mas aí está o ponto: não só ele.
Pesquisador, professor e praticante de design, Guy Bonsiepe falou algo interessante numa palestra para um público de Designers. Traduzo aqui livremente do inglês (grifos meus):

Disseram para nós que as Grandes Narrativas estão mortas. Esse é o ponto de partida da condição pós-moderna. Mas onde anteriormente nós tínhamos várias narrativas competindo, nós encaramos agora — em escala mundial — a propagação de Uma Meganarrativa, chamada O Mercado. Qualquer onda totalizante e universalizante como esta é um motivo para preocupação.”

Bingo. (gostei do nome “meganarrativa”).
Aí, este mês, eu fui assistir (viva o e-mule!!) a edição do Programa Roda-Viva, na cultura, no qual entrevistaram Slavoj Zizek (o qual eu tenho citado aqui com alguma freqüência).

Perto do fim do programa, ele comentou sobre a atual crise econômica. Disse mais ou menos isto: com a queda do muro de Berlim e a derrocada da URSS, proclamou-se o fim das utopias. Mas, na verdade, as utopias modernas não acabaram lá: desde os anos noventa, estivemos todos nós vivendo sob a dominância irrestrita e sem competição da última utopia moderna restante, a UTOPIA NEOLIBERAL do Mercado Livre.

Isso faz todo o sentido, assim como a "meganarrativa" referida por Bonsiepe. Nenhum de nós consegue sequer imaginar hoje o mundo sem a onipresença do mercado e do mundo financeiro.

Pois bem, aí entendi mais claramente o impacto político da atual crise econômica — principalmente a ajuda bilionária dada pelos Estados Nacionais às pobres instituições financeiras. Porque ela é, simbolicamente, a queda do muro de Berlim do capitalismo, mostrando crua e descaradamente aquilo que se negava a todo custo: não há livre-mercado que não esteja ancorado em políticas de Estado...

Segundo Zizek, AGORA sim estaríamos assistindo ao fim das utopias modernas.

Mas segundo o próprio, viver sem Utopia não é uma opção.

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Exercício (6)



(clique para aumentar)

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Segundo Selina

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Exercício (5)

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Sim ou não Simonal

Neste fim de semana, fui ver o documentário sobre o Simonal "Ninguém sabe o duro que dei". Achei muito legal. O filme possuía cenas muito bonitas, e informações interessantes. Em grande parte, foi legal porque eu não sabia praticamente nada sobre quem era o Simonal.

Algumas coisas no documentário me incomodavam, porém. Não sabia dizer o que, exatamente. Mas tinha vagamente a ver com a sedutora lente de distorção da nostalgia.

Minha impressão final saindo do cinema: Simonal sofreu um bocado antes e depois do sucesso, era charmoso e extremamente talentoso, mas também consideravelmente burro (coisa que, com a típica boa-vontade que se tem na relação nostálgica com os mortos sofridos, os entrevistados chamaram de "inocência"). Um grande cantor, enterteiner de massas, homem da TV e personalidade forte, que se ferrou em grande parte por, deslumbrado com o sucesso, só querer saber do seu próprio umbigo.
Pra quem achar que sou insensível ao sofrimento e injustiça real feitos ao cantor -- que não era, afinal, cagüeta da ditadura -- digo sinceramente: quanquer um que manda "amigos" espancarem alguém, pelo motivo que seja, não merece a minha pena.

Mas há também uma parte importante da história que o filme não comenta, preferindo se focar na injustiça da campanha difamatória dos jornais e do Pasquim (que, como se sabe, era lido por todo mundo...) : a incapacidade de Simonal de se reinventar musicalmente. Por melhor que fosse, Simonal de certa forma era o que hoje chamamos de POP, e não conseguiu ser muito mais que isso. Isso num momento em que já tínhamos "pops" da estatura de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Jorge Ben...

Essa última questão ficou mais clara pra mim ao ler este texto aqui, Rebulding Simonal dita(brand): ninguém sabe à ditadura o que dei. E nesse texto eu entendi o que me incomodou no filme.
Ao contrário do autor do texto, eu de início achei que o filme deu sim espaço considerável para um julgamento pesado sobre Simonal ao entrevistar o ex-contador que foi (supostamente) torturado meio que a pedido dele.
Aliás, dá pra escrever um artigo inteiro sobre ditadura e as peculiares relações brasileiras entre público e privado a partir dessa historinha! Soldados da polícia militar que a "pedido de amigo" levam alguém clandestinamente -- pela porta dos fundos e sem acusação formal-- para um órgão oficial --DOPS -- para extrair uma confissão oficial?

Mas lendo o texto citado acima eu me dei conta: ôpa, será que esse filme foi feito pra mim ou pra fazer a cabeça de outros?
Qual seria o impacto do filme sobre alguém que acredita, afinal, na "ditabranda"? O que significa todo esse jabazão da globo lá no documentário (pra que entrevistar o Boni???) ?

E, em especial: o que ele significa na atual mania da grande imprensa (leia-se a Falha de S. Paulo) em "diminuir" a "suposta violência" da ditadura? E diante da inclinação -- ignorante ou invejosa mesmo-- de muitos hoje em dia em reclamar do sucesso que artistas anti-ditadura tiveram ou de nhénhénhézar a respeito do Ziraldo (entrevistado no filme) receber uma bolada por ter sido censurado durante a ditadura?

Não acho tampouco que esse documentário foi feito para esse pessoal do nhénhénhé, mas passei a gostar menos dele.

Anyway: recomendo o filme e o texto linkado.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Grandes são os desertos, minha alma

retirado do texto A busca, noite adentro, de Per Petterson:
"
Não sei por que sou desse jeito, não sei se é comum, se os outros sentem a mesma coisa, ou se é algo que acontece somente comigo, mas, para ser bem honesto, é insuportável. Que o mundo não seja inteiro, que o mundo não seja completo, que talvez eu deva decidir me afastar disso tudo, que se quiser fazer alguma coisa da minha vida terei de abandonar tudo que me pertence, tudo que sei fazer e tudo que conheço; abandonar essas pessoas sentadas nos degraus da porta em frente à casa onde moro, bebendo café e conversando sobre o que elas conhecem; dar-lhes adeus para sempre. E se preciso fazer isso para poder evoluir, como se diz por aí, então que sentido faz? O Martin Eden de Jack London fez isso, deixou para trás tudo que era dele em troca da cultura que via nas classes educadas e na burguesia - a poesia, a filosofia, tudo - porque isso lhe parecia tão atraente, tão sábio, tão belo e necessário; queria elevar-se, queria ter o que eles tinham. Queria cruzar a fronteira. Assim, quando surgiu a oportunidade ele desembarcou em São Francisco e entrou nas mansões dos bairros abastados para conversar com as pessoas que moravam nelas, para confabular (como dizem), para escutar, para tomar livros emprestados, para ser instruído, e ele temia que ao atravessar aqueles recintos com o seu andar de marinheiro os seus ombros fossem derrubar e espatifar no chão toda aquela porcelana, mal conseguia segurar o garfo e a faca como eles, mas estava determinado a aprender o que sabiam e muito mais. E conseguiu, com um esforço tamanho que ainda me comove quando penso no passado e me vejo com a cabeça enfiada no livro que hoje provavelmente é ilegível, mas que me devastou na ocasião, porque quando ele atingiu o seu objetivo, quando Martin Eden pôs a mão na mais recôndita porta, percebeu que as pessoas em que se inspirava, e que respeitava tanto, no fundo não se interessavam como ele, que para elas essa cultura não tinha qualquer importância exceto como fachada, um verniz, um véu cobrindo o que realmente importava - possuir, ter poder - e que para além disso o mundo delas era um lugar vazio, estéril e duro. Enojado, ele deu meia-volta e retornou para as partes da cidade que antes eram dele, para os marinheiros e operários. Mas era tarde demais, a corda tinha sido rompida, eles já não podiam se entender, ergueu-se uma parede de vidro que ele era incapaz de atravessar e, em desespero, ele entrou no seu barco, velejou até a baía de São Francisco, pulou na água e nadou para o fundo, para o fundo, até que a pressão que o puxava para baixo fosse mais forte que a pressão que o empurrava para a superfície, mais forte que a vontade de viver. É fácil perceber agora que esse livro influenciou muito a minha vida, embora eu jamais tenha tomado consciência plena disso, e é claro que tem algo de muito errado nas conclusões de Martin Eden. É óbvio para todo mundo, e para mim também, mas nunca cheguei a descobrir exatamente qual é o erro, pois de algum modo ele também está certo. Mas nada no mundo me faria ter o mesmo destino que ele, jamais terminaria meus dias, desesperado, no meio das algas e sargaços do Bunnefjord, ou dentro do lago Alun entre percas e lúcios, e é possível que me falte a coragem necessária, tampouco faria como Rimbaud e me tornaria um outro daquela maneira, um vendedor de armas e possivelmente um traficante de escravos na África, portanto tentei reunir tudo dentro do meu corpo, os dois lados ao mesmo tempo, juntando eu a mim, aquele que fui e aquele que poderia ter sido se em algum momento eu tivesse me entregue, tento fundi-los nessa única pessoa que sou, mas raramente consigo, porque na realidade não há espaço suficiente; posso acabar partindo ao meio. Mas enquanto for esse que sou, haverei de sair caminhando pela noite como agora, quase esquecido por mim mesmo, com a escuridão se infiltrando nos meus olhos, com os braços abertos como as asas de um avião, dançando pelo caminho sem ser visto.
"

O texto completo está na Piauí de maio.

(O título deste post vem de um Fernando Pessoa que pra mim tem muito a ver com esse texto...)

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Exercício (4)

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Mais propaganda

A bailarina no espelho, "audioficção" do Bruno, já está disponível para download na internet. O blog do trabalho está aqui.


Essa é uma ficção que eu conheço e gosto muito desde sua versão original escrita, feita há uns 6 anos atrás. Curta e grossa (carateres que me fazem lembrar filmes como O Invasor), há alguns trechos e frases que não me saíram mais da cabeça.

A maioria dos audiobooks, até onde sei, é uma versão "declamada" de um texto escrito (como alguém que lê para uma criança antes de dormir). Aqui, porém, há uma diferença: como o próprio livro tem a forma de pequenas notações em um diário, o arquivo sonoro torna-se na verdade uma interpretação própria (de Pablo Meyer), como alguém fazendo comentários variados para seu gravador: um verossímil "audiodiário". É muito legal e interessante. A ficção já tem até resenha...

Já falei pro Bruno que eu queria ver o livro impresso. Gostei do audiobook, mas gostei também da cadência do antigo texto lido. (vou ver se convenço ele a publicar o texto no blog.... cada post, um capítulo. Quem sabe.)

As poucas e belas ilustrações do CD, como essa "capa" que encabeça o post, são do ótimo Marcelo Dsalete.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

Exercício (3)

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

o dia do nerd

Pra quem não sabia, ontem, 25 de maio, foi comemorado por milhões de joves na internet o "dia do orgulho nerd". That´s right! Segundo o suplemento da folha para adolescentes, o "folhateen", os nerds são hoje considerados mais uma das tribos urbanas, ao lado de indies, emos, punks, hipongas and so on...

Infelizmente o contepudo do Folhateen é exclusivo para assinantes, e por isso transcrevo aqui a matéria:


Sou nerd, mas tô na moda Jovens enfrentam preconceitos e celebram hoje, ao redor do globo, o Dia do Orgulho Nerd
Fotos Eduardo Anizelli/Folha Imagem

Jéssica, vestida de personagem de "Resident Evil 4', o game DIOGO BERCITO DA REPORTAGEM LOCAL Esqueça o menino raquítico de óculos fundo de garrafa carregando livros de física quântica embaixo do braço: a tribo dos nerds é, atualmente, muito mais variada do que isso. Mais variada e mais articulada também. Eles comemoram hoje, no mundo inteiro, o Dia do Orgulho Nerd e mostram que nem todos têm vergonha de serem apaixonados por assuntos como tecnologia de ponta e histórias em quadrinhos -apesar do preconceito de que são alvo, muitas vezes. O filme "Guerra nas Estrelas", outra vedete dos nerds, é a razão da data da comemoração -foi no dia 25 de maio de 1977 que estreou o primeiro longa da saga. Desde 2006, a data foi adotada para a celebração. O termo "nerd" não tem uma definição muito rígida. Pode ser usado para se referir a quem estuda demais, mas serve também para falar de quem é aficionado por coisas como RPG (jogos de interpretação de personagem) e computadores. "O nerd é uma pessoa obcecada por um determinado universo", explica Maria Stela Graciane, socióloga e coordenadora do curso de pedagogia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica). Mas, se não é novidade que existem nerds, por que só recentemente eles decidiram dar as caras, com direito a dia de se orgulhar e tudo o mais? Talvez porque foi só agora que eles encontraram uns aos outros. "Com a internet, há facilidade para se agrupar", explica Maria Stela. Assim, o fã de "O Senhor dos Anéis", que não tinha com quem dividir sua paixão pela trilogia na escola, encontra em fóruns de discussões on-line uma multidão pronta a discutir o sexo dos elfos. E percebe que não está sozinho. No caso de Itamar Portela, 22, moderador da comunidade "Orgulho Nerd", no Orkut, a paixão "obsessiva" é por tecnologia. "Desde que conheci um Pentium 286, me apaixonei", brinca. Hoje, passa 90% do seu tempo livre na frente de um computador -e trabalha na frente de outro, projetando fiações elétricas. Nerds como Itamar, fascinados por tecnologia, são conhecidos pelo nome de "geeks". No caso de Jéssica Campos, 21, o termo que se usa é "otaku" -ela é fanática por cultura pop japonesa. Aos 18, apesar das críticas dos pais, fez seu primeiro "cosplay" (fantasiar-se de um personagem), em um evento voltado a fãs de mangás e animês. "As pessoas queriam ser fotografadas comigo", conta. Dois anos depois, ela representou o Brasil no mundial de "cosplay", no Japão. Ficou em primeiro lugar. Jéssica não liga para chacotas ("Não vêm de pessoas de mente aberta", diz) e já está pronta para concorrer mais uma vez com seu arsenal de 32 fantasias, a maioria feita à mão. Desde o berço
Outro que não liga muito para críticas é o "geek" Carlos de Moura, 15, que trabalha para a mãe de um amigo na LAN house que, inclusive, ajudou a montar. "Não consigo ser "cool", nasci tímido!", brinca. Já Thawan Pires Costa, 21, fã de "Guerra nas Estrelas", vê as brincadeiras com menos bom humor. "Tornei-me antissocial para não ser mais alvo de chacota", diz. Mesmo assim, não esconde suas paixões e fala delas com orgulho: "Tenho uma armadura de Storm Trooper de colecionador, mas nunca tirei da caixa para ela não se desvalorizar", gaba-se. O preconceito de que Thawan reclama é real, e a socióloga Maria Stela alerta: "Não é exclusivo dos alunos. Pode vir de pais e de professores também". Mas nem sempre vem. "Hoje, respeitamos mais os nerds, [o rótulo] pode ser até um elogio", diz Nicolle Alanis Fernandes, 13, que não se inclui no grupo. "Admiro eles, são muito inteligentes", completa Julia Oliveira de Albuquerque, 12. Para Vera Lucia Cruz Malato, coordenadora do departamento de orientação educacional do Colégio Bandeirantes, "os bons alunos se orgulham de ser assim". "Muitos são estudantes profissionais", brinca. ENCONTRE A SUA TURMA Há vários tipos de nerd; você é um deles? >>GEEK
É o nerd aficcionado por tecnologia. Tem o computador mais potente que pode comprar e vive antenado nas novidades da internet. Conhece os sites bacanas antes de todo mundo >>OTAKU
Sabe o nome dos bairros de Tóquio de cor e salteado e, possivelmente, se veste com as roupas dos personagens favoritos >>TREKKER
Assistiu (mais de uma vez) a todos os episódios do seriado Jornada nas Estrelas e, no fundo, gostaria de fazer parte da tripulação da nave Enterprise >>TOLKENIANO
Acredita que o mundo está divido entre quem leu "O Senhor dos Anéis" e quem ainda vai ler. Fala élfico fluente e tem noções da língua dos orcs >>RPGISTA
É fanático por RPG (jogos de interpretação de personagem) e não sai de casa sem seus indispensáveis dados de vinte faces >>COLECIONADOR DE HQ
A coleção de histórias em quadrinhos destes nerds inclue clássicos e raridades, como a edição do casamento do Homem-Aranha


Bom...de acordo com a classificação oficial o Gabriel é o meu amigo mais nerd. Nerd à sexta potência, já que faz parte, ou pelo menos transita por todas as categorias acima descritas. Pra ser justo, o Gabriel não se enquadra em "geek"...mas na minha opinião, o conceito de geek está errado no artigo. "Geeks" pelo que vi nos EUA são os caras esquisitos, extremamente tímidos e relativamente desprovidos de habilidades sociais. Geeks podem pertencer a qualquer outra categoria de nerds. Aqui embaixo, uma listagem mais completa dos nerds, e como "geek" serve pra denotar uma porção de tipos de nerds (se é que não tem quase o mesmo sentido):

Deixo aqui também a minha confissão de nerd. Talvez eu possa ser confundido por conta do gosto por esportes, mas não se enganem: tenho no PC uma infinidade de estatísticas de futebol - especialmente do São Paulo. E a minha coisa com a Geografia vai além de "trabalhar com o que gosta".

A coisa tá tão em voga que tem seriado americano: "The big bang theory". É divertido, mas certamente muito mais divertido pros nerds. E os óculos de armação grossa estão na moda.

Acho que a internet é a vingança dos nerds, é o meio em que os geeks se tornam autoridades respeitadas. E o nerd Bill Gates tem algo com isso - pero no mucho.

Pesquisando sobre os nerds na web, encontrei algumas coisas interessantes (tá, ambas na Wikipedia, mas vá lá):

Segundo uma definição de Lia Portocarrero, "...é o rapaz (ou moça) que nutre alguma obsessão por algum assunto a ponto de a) pesquisar; b) colecionar coisas; c) fazer música; d) escrever sobre (normalmente acompanhado de pesquisa); e) não sossegar enquanto não descobrir como funciona; f) não dormir enquanto o programa não rodar."

Segundo Paul Graham, "Existe uma relação entre ser esperto/inteligente e ser nerd, ou melhor, há uma correlação inversa maior ainda entre ser nerd e ser popular. Se ser esperto parece fazer a pessoa não popular" de forma analoga vem a conotação pejorativa.

Outro ponto interessante, que carece de debate: falta termo adequado em português para nerd. Na minha opinião, CDF é outra coisa, simplesmente descreve aqueles alunos muito esforçados e/ou estudiosos, que podem ou não ser nerds. Podem ser só esforçados.

Bom, seja como for, parabéns aos nerds do mundo.


Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Exercício (2)



(Cumprindo com minha proposta até agora...
Esta é uma tira da série que, por enquanto, chamo de PARALELOS. Espero produzir mais delas ainda este ano... )

Domingo, 17 de Maio de 2009

Propaganda



Clique ma imagem para aumentar e vê-la inteira.
Esse é um desenho da Marininha, que fez o design de personagens e quadros-chave da animação curta-metragem "Dayane e Zé Firo". Aqui Marina desenhou os personagens misturados à equipe de produção (ela é quinta, da equerda pra direita)

Eu acompanhei alguns momentos do processo de realização, e fiquei bem animado. Adoro o desenho da Marina.

Segue o trailer no post abaixo.

Ainda não vi o resultado final. Pretendo vê-lo no FEMINA 2009, aqui no Rio.

trailer Dayane e Zé firo

Sábado, 16 de Maio de 2009

Sir Ney is the man

Pra quem pensa que o cabra era inofensivo ou se limitava a sua dominação local... parece que tem dedo (dedão) até na CPI da Petrobras... e não é por pouco não.


Vinte anos depois...
[sarneyangeli.jpg]


Como falou o bruno: parece piada.

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Mais um momento materialista e dialético


O Estado, diria Gramsci, é “mais ou menos aquilo que o Foucault vai dizer daqui a algumas décadas sem me dar o devido crédito por ter dito isso primeiro, careca miserável”. Não é só o que o Hegel chamava de sociedade política, o Estadinho lá, com seu congressinho, seu presidentinho, sua policinha, capitão Nascimento, Sarney, essas coisas. É isso também, bem entendido. Mas também é a articulação disso tudo com a sociedade civil, a escola e as academias que elaboram e desenvolvem a visão de mundo dominante, o saber assim produzido, os sindicatos reformistas e partidos social-democratas que mantém o conflito sob controle, a mídia que fixa os limites do debate, a família que transmite os valores dominantes e consagra hierarquias, etc. Se você conquista o Estado czarista, você caia ele de vermelho e os burocratas que obedeciam o czar obedecem você. Mas de nada adianta conseguir uma adesão puramente externa (quem é que era contra o Stalin na frente dele?) em termos de ideologia, sentimentos, valores, saberes. Ou você consegue convencer, sensibilizar, justificar-se, descrever a realidade, ou você, cedo ou tarde, ao invés de impor sua visão de mundo, vai ser lentamente colonizado pelos dominantes conquistados.

Vi a referência para esse excelente texto sobre Estado, poder e o conceito de Hegemonia em Gramsci no blog do Idelber Aguiar. O texto inteiro está no Blog Na prática a teoria é outra. Vale MUITO a pena: claro, direto e simples ao explicar várias coisas cabeludas.

Claro, não falo isso na condição de entendido que julga (pois entendo pouquíssimo), mas na condição de leitor que de repente entendeu melhor um monte de coisas (ou assim o acha).

O interessante é que a primeira vez que ouvi falar insistentemente de Gramsci foi pelas paranóias de um ídolo dos neo-direitecas, e só agora, anos depois, é que vi -- também na web -- alguma explicação boa sobre o assunto.

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Exercício (1)

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Resumo da ópera




A festa de casamento do Bruno, lá em São Luís, no dia 25 de abril...

Mais uma pro Marcelo

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

NO JUMP YES DANCE





Tanto eu como o Marcelo estamos planejando há tempos falar do que anda aparecendo de experimentalismo nos espaços jornalísticos para quadrinhos. E quando penso a respeito, essa História em Quadrinhos acima sempre me vem à mente.

Essa é uma das HQs mais belamente e genialmente non-sense que eu já vi.
Ou melhor: nonsense não é o termo mais adequado. Embora algumas coisas pareçam gratuitas, há metáforas bem visíveis. O mais certo seria falar aqui em simbolismo ou "surrealismo".

Na minha leitura, Laerte procura construir aqui, com o humor e estranhamento que lhe são característicos, uma alegoria sobre tempo, morte e arte.

Percebam que, enquanto os acontecimentos da vida do Minotauro são mostrados, a caveira é mostrada sempre com um "enquanto isso:".

É visível que, na última linha de quadros, o minotauro troca de lugar com a caveira; mas percebam que ele faz isso rompendo a sarjeta -- o espaço branco entre quadros, que é mecanismo de seqüenciação e passagem do tempo. Ao fazer isso, ele,no outro lado do penhasco, está "fora do tempo": e a forma de Laerte mostrar isso é a maneira como a caixa de texto recordatória de "enquanto isso", que antes indicava o tempo de maneira automática em nossa leitura, torna-se de repente um objeto estranho nas mãos algo surpresas do Minotauro.

Minha viagem: a morte é o eterno "enquanto isso". Não é outra coisa que significa "nós que aqui estamos por vós esperamos". Não importa o que esteja sendo feito por você em qual ponto do mundo, enquanto isso os mortos continuarão mortos.

Outra viagem minha: qual seria o vale que o Minotauro quer pular? Eu creio que é o "vale da morte", esse mesmo que aparece em oração. O sábio-ânfora informa ao minotauro que não se vence a morte na busca pura pelo objetivo (pular), mas no ato estético (dançar)

O ato estético do Minotauro, a dança, é o que conquista a morte. E ao mesmo tempo em que o Minotauro pula fora do tempo, seu espectro "morto" se anima e pula dançante para o lado dos "vivos". A Arte é a imortalidade, é o fora-do-tempo: no ato estético temos o "enquanto isso" em nossas mãos, enquanto aquilo que é finado permanece animado.

O contraponto do ato estético está na mulher assistindo televisão. O programa de televisão aqui não é "arte", mas uma distração; e percebam que Laerte não se referiu a programinhas Big Brother ou Faustão, mas a ficções comerciais mais interessantes (...eu e a Dani sempre assistimos House e The Big Bang Theory...)

Vida, morte e arte acontecem lá fora, mas a resposta da mulher alheia a tudo diante da televisão é sempre um "assim que acabar...".

Quinta-feira, 30 de Abril de 2009

Sobre adaptações

Acabei de ler "ensaio sobre a cegueira". Não vou discorrer sobre ele, vamos deixar só o econômico "excelente", e falar que é das coisas que fazem valer a pena falar essa língua bizarra que é o Português
(não queria estar na pele dos tradutores!)

A questão aqui é que minha grande motivação -- ou melhor, meu "toma vergonha na cara e lê logo" foi o filme. Ou, explicando melhor, foi ler o livro ANTES de ver o filme. Filmes são muito poderosos, contaminam a experiência de mídias mais esforçosas (ou "quentes", como diria McLuhan) como a escrita.

Mas, infelizmente -- ou felizmente, não o sei ainda -- vi o trailler.

Espero sinceramente que o filme seja muito melhor do que vi lá. Quando ouvi no trailer a frase "you can make a difference" tive vontade mandar todo mundo que fez o filme ir à porra do caralho da merda das putas que os pariram. Pra mim esse clichezão gringo não tem NADA a ver com o tom lusitano e saramaguiano do livro.

Pode bem ser culpa do trailler -- afinal, feito pra vender coisas aos americanos, e narciso acha chinfrim, esquisitão ou metido a besta o que não é espelho -- mas não sei mais se vou querer ver o filme.

Fico pensando há tempos: a melhor maneira de se falar sobre certas coisas é a escrita. Uma história sobre cegueira como o Ensaio ou sobre um psicopata que entende o mundo pelos cheiros, como é o excelente O Perfume de Patrick Süskind, TÊM NA ESCRITA A SUA MELHOR FORMA DE EXPRESSÃO. DE LONGE.

No caso daadaptação cinematográfica de O Perfume, feita uns anos atrás, o máximo que se consegue fazer é criar alguma impressão cinestésica através da imagem, o que pode ser muito interessante, mas ainda assim incomparavelmente incompleto. Sem falar que a imagem sempre se impõe soberana: não há quem possa com a imagem, e é por isso que com ela deve-se ter cuidado.

(com a vantagem que, em casos assim, no filme se gastam milhões de dólares para um produto que será no máximo "insuficiente". Em termos artísticos, oficórsi, bufunfa vem de montão.)

Como disse, ainda não assisti o Filme do "ensaio" (ou talvez seja melhor chamá-lo só "blindness") mas o trailler me deu impressão de que o que pode-se fazer é apenas representar uma hecatombe mundial. Ou, como já disse o Bruno no O putaqueopariu: fazer um filme de zumbi.

Se quando eu o assistir minha opinião (preconceituosa) mudar, eu escreverei dizendo.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Wagner e Beethoven

[elise1.jpg]
[elise2.jpg]


Encontrei o link para essa série no blog do Laerte. Agora taí no nosso linklist...
Pra mim foi de rir às raias da defecação.

Sábado, 25 de Abril de 2009

Fazendo: Convite de casamento

Um grande amigo meu (o Bruno, do blog O Putaqueopariu) me convidou meses atrás para fazer o convite de casamento dele. Eu já tinha feito o meu, e tinha gostado disso (depois eu posto ele aqui.) O casamento é hoje (sou padrinho). Em "homenagem" à cerimônia, resolvi colocar aqui o processo de realização do convite...



1. aqui abaixo temos o primeiro esboço: uma tradução visual da idéia que Bruno me passou por escrito. Tudo esboçado diretamente no photoshop.




2. depois, decidi que ia desenhar os componentes à mão, e então digitalizá-los e ajeitar e montar tudo por computador (detalhe: como não tenho scanner, tive que fotografar tudo. Um saco). Desenhei a noiva e o buquê num papel, e as "encalhadas" em outro. Abaixo as versões em lápis:




3. Levando em conta que o convite final teria apenas algo como 8 x 20cm, percebi que tinha deixado detalhado demais (vício meu). Assim, resolvi imprimir os desenhos num tamanho menor, e desenhá-los a caneta num papel mantega, simplificando os traços. Aí as versões em tinta:




4. Com os desenhos em tinta, fiz uma primeira montagem do convite para ver o posicionamento dos elementos. Mas resolvi já colocar o fogo no buquê, para que o contraste da cor fosse visível.



Aqui o buquê pintado.

5. Resolvi dar algumas tonalidades ao desenho, para melhorar a visão do "nó das encalhadas" e ressaltar a brancura do vestido da noiva.


6. Havia alguns retoques a serem feitos:
- aguns traços estavam ainda muito grossos e me incomodavam.
- as tonalidades das "encalhadas" estavam pesadas demais, muito escuras, e tiravam o dinamismo e leveza da cena.
- o fogo estava muito tímido aind apara o que Bruno queria.

Aqui a versão final do desenho:





pessoalmente, gosto do "timing" da idéia do Bruno, que expressa tanto seqüência quanto simultaneidade...


7. Bruno se encarregou de colocar as letras, já tinha idéias a respeito. Nesse estágio, eu fiquei muito ocupado com um concurso e não acompanhei mais.



Só não gostei da última linha de palavras, mas acho que ficou bem batuta no final.


Pena que os incompententes da gráfica resolveram ser "cordiais" e, por conta própria e sem consultar os clientes, imprimiram os convites num papel "melhor" -- o papel Casca-de-ovo. Sendo um papel muito texturizado, acabou deixando as linhas delicadas falhadas. Paciência...

Vamos ver o casório hoje à noite!!

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

participação e contemplação (round 1)

(este é um post beeem velho, que ficou por acabar e foi esquecido. Posto-lo agora, mesmo inacabado: antes aleijado e morto de pedrada que não-nascido e morto na gaveta)

Não sei se há alguém entre os parcos leitores deste dúbio blog que se interessam por questões de cruzamento entre estética, política e sociedade... mas, ainda assim, fica este ponto.

Para quem tem aquela bronca com Adorno e uma suposta "torre de marfim" da arte e da intelectualidade... o texto de Thaís Rivitti "ALIENAÇÃO, PÚBLICO E ARTE CONTEMPORÂNEA", na 2 edição da ótima revista Número.


O text0 é tão curto e esclarecedor que fico desconfiado. Adorno e Debord não são exatamente os mais fáceis e rápidos dos autores, sabe. E se houver uma baboseira, algum sofisma ou alguma grande redução que meu desconhecimentro teórico e repertório esburacado não me permitem detectar?

Se bem que o texto se constrói a partir de uma digestão prévia -- apontamentos de Alselm Jappe. Jappe, no muito pouco que lhe conheço, tem considerável poder de síntese. É dele a melhor expressão que eu, pelo menos, já vi sobre o que é o "espetáculo" debordiano: uma forma de sociedade na qual a vida real é pobre e fragmentária e seus integrantes são obrigados a conviver o tempo todo com imagens de tudo o que lhes falta em sua vida real.

Enfim. Ao final do texto, fiquei do lado do Adorno nessa. Para entender o problema atual da ubiqüidade estética do mundo -- que já passou a fase da "espetacularização" passiva da vida e do império da distância visual, para se tornar a pré-programação da "interatividade" e da "participação" -- a questão de Adorno pode ser crucial.


A questão de Adorno é a da Arte como exercício e como preservação da tensão entre sujeito e objeto; possibilidade de liberdade da compulsão subjetiva (atávica nossa, e o tempo todo instrumentalizada pela lógica progaramadora do sistema) de simplesmente "devorar", incorporar o objeto como seu instrumento, sua extensão.
(Freudiano, não?)

Parando por aqui.

Terça-feira, 21 de Abril de 2009

Me engana que eu gosto (2)



Ó mulher: esse anúncio não CHAMA você de idiota ao falar para você amar o SEU corpo com uma foto do corpo da Juliana Paes?

A despeito do "manifesto" cara-de-pau, a imagem aqui diz o mesmo que toda propaganda fode-cuca de mulher há décadas. Só que acrescenta: ah é, é importante você se amar, viu!!
(principalmente se você quiser ser como a gostosa aí no anúncio. Tem-que-SE-A-MAR!)

Publicidade: há décadas orgulhosamente fomentando neuroses.

Domingo, 19 de Abril de 2009

...

http://verbeat.org/blogs/manualdominotauro/LAERTE-24-03.jpg



... caramba, essa dói.

Sábado, 18 de Abril de 2009

Fabuloso e decepcionante

Há uns 6 anos, recém-formado e ainda muito ligado ao curso de arquitetura, eu tive uma idéia que pensava transformar em história em quadrinhos. Pra ser mais exato, eu andava fascinado em imaginar o que poderia ser o ato projetual do arquiteto quando a tal da "realidade virtual" fosse uma coisa simples, corriqueira, completamente normalizada e instrumentalizada.

Começou com a fascinação pelo que poderia ser projetar e criar mundos em realidade virtual, mas a partir daí fiquei algum tempo imaginando tramas. Ocupado, fui deixando de lado; a verdade, porém, é que nunca cheguei em algo suficientemente interessante como um todo para valer a pena trabalhar de verdade em cima. Ainda assim: imaginei roteiros, cenas, personagens, fios condutores, e até uma incerta metáfora religiosa.

Aí eu achei, no divertido Life without buildings, esse belo curta-metragem (que, por sua vez, o LWB achou no Information Aesthetics).

Em termos de ação, que o solitário e silencioso arquiteto do filme aqui mostrado faz é EXATAMENTE o que eu tinha pensado e imaginado nas minhas fantasias (tirando, obviamente, certos detalhes geniais do vídeo como as paletas de ferramenta e o relógio)

Esse fantástico vídeo aqui mostrado, porém, também me deixou decepcionado. O que me é decepcionante não é o vídeo, obviamente, mas sim o fato dele me mostrar que, como eu temia, alguém ia se adiantar na idéia e fazer antes do que eu algo mais interessante e habilidoso do que eu faria.

(no Information Aesthetics disseram que o filme demorou 2 anos só de pós-produção... pode ser que a idéia estivesse na cabeça do cara mais ou menos ao mesmo tempo que na minha?...)

Pra deixar claro, a linha de história do curta-metragem não tem nada a ver com as meus esboços de enredo antigos. Afora se estruturarem ambos na idéia de criação dentro do mundo virtual, o enredo do curta é simples e eficiente, quase um conto, enquanto minhas idéias eram amplas e mais pretensiosas.
Mas ao ver o vídeo, me desanimei também porque vi logo qual a melhor e óbvia mídia para esse tipo de ficção; quadrinhos aqui, por mais que os ame, me parecem perda de tempo e energia, não vão conseguir retratar o mundo projetual incrível que eu imaginara.

Palmas para os realizadores. Vocês podem se maravilhar, eu vou ali chorar e resmungar num canto qualquer.