terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

"País Civilizado II"

De uns anos pra cá os grandes eventos de moda brasileiros tem tido uma repercussão maior do que eu me lembrava que tivessem. São Paulo Fashion Week e Fashion Rio são coisas que não me interessam nem um pouco, a não ser pela discussão que trago aqui: a imposição da magreza das modelos, cada vez mais esqueléticas.

Eu não consigo entender direito o motivo pelo qual as mulheres tomadas como exemplo de beleza e elegância precisem ser TÃO magras assim. Talvez tenha alguma relação com o fato de que 99% dos estilistas não gostem muito de mulher - se fossem mais como o Rivellino (sei lá porque), provavelmente veríamos mulheres com curvas. O argumento de que "as roupas caem melhor em mulheres muito magras" não me convence nem um pouco. Tanto que, regra geral, as mulheres talvez até queiram se vestir como as top models, mas o corpo cobiçado está longe disso.

Bom, vamos ao motivo do post. Uma tal Coco Rocha, modelo canadense, top model nº 7 do mundo (sei lá por qual critério), deu algumas declarações sobre o assunto para o "The New York Times". Aparentemente críticas bastante pesadas à ditadura da magreza. O que a motivou a escrever foi o fato de que suas declarações foram editadas pelos diários e perderam bastante do seu sentido original, o que revoltou a modelo. O artigo dela é muito coerente, e impressionantemente bem escrito. Preconceito meu, mas lá pelas tantas eu descobri um fato que talvez explique. E pensei na hora: "ahhhh...ela é canadense".

Coco é essa moça linda aí do lado, que não me parece gorda. O link, pra quem quiser ler está aqui. Recomendo a leitura, é de fato bastante interessante, provavelmente depoimento mais interessante sobre o assunto que eu li. Cito alguns trechos:

"Sou uma modelo de 21 anos, 15 cm mais alta e dez manequins menor do que a mulher comum americana. Mesmo assim, em algum universo paralelo, sou considerada 'gorda'… Este foi o tema de uma grande discussão esta semana e a notícia que saiu por aí foi: 'Coco Rocha é muito gorda para as passarelas'."
(...)
"Claramente, todos nós vemos quão moralmente errado é um adulto convencer uma menina de 15 anos já magra de que ela, na verdade, está gorda demais. É indesculpável que um adulto exija que uma menina perca, de maneira não natural, um peso vital para que seu corpo continue funcionando corretamente. Como pode qualquer pessoa justificar uma estética que reduz uma mulher ou criança a uma magreza esquelética? Isso é arte? É claro que a estética da moda deve embelezar a forma humana, não destruí-la."
(...)
"Como uma mulher adulta, eu posso tomar decisões por mim mesma. Posso decidir que não vou permitir que eu seja degradada em um casting – marchar de calcinha e sutiã com um grupo de jovens garotas, ser apalpada, espetada e cutucada como gado. Eu consegui escapar desse tratamento, porque já tenho uma carreira consolidada como modelo e sou adulta... mas e as meninas novas e aspirantes a modelo?"

Interessante, não? Mais do que o que foi dito, me impressiona que as meninas que acabam virando modelos no Canadá tenham concluído o ciclo de ensino...pelo menos é o que sugere a clareza da redação da Coco.
Numa outra reportagem, relacionada a esse caso, um editor francês fala do trabalho que dá editar no photoshop as pernas e costelas das raquíticas modelos. Essas duas fotos a seguir são impressionantes, e foram tiradas na São Paulo Fashion Week:




Alguém acha que isso possa ser melhor do que isso aqui embaixo?

Só se for doente do pé, né?



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2 comentários:

Gabriel G; disse...

... é impressão minha ou na última ilustração do post o sabonete na mão da moça tem uma cabeça de morcego lambendo ela??


creeeeepy.

Marcílio, o gêmeo malvado disse...

Cacete, juro que não tinha visto!