domingo, 11 de novembro de 2007

Contra o cool

Tô numas de publicar uns textos de momento que já passaram, antes que fiquem completamente esquecidos ou inúteis. É mais pelo testemunho. Este, por exemplo, foi o registro de uma revolta momentânea e ardente que tive meses atrás, motivada principalmente pela ocasião de comprar dois exemplares da revista de Design gráfico Zupi (12 paus!), e ver meu investimento monetário desperdiçado em algo ruim.
Ainda vou reavaliar minha opinião. Mas, mesmo assim, vai aí o texto original, com toda a virulência.


Contra o cool. Contra todo o “descoladismo”

Não é tanto contra o cool em si. O problema é viver na Era da Empulhação.
Quando se trata de discurso, às vezes é bom, e às vezes é necessário, jogar o bebê fora junto com a água do banho. Não vou desenvolver essa frase estranha aqui, fica pruma próxima ocasião.

Mas já me é insuportável a quantidade de gente posando de cool. Revistas como Zupi e Simples me impressionaram: um grande esforço em ter um jeitão descolado, um nível baixísimo de reflexão, de pensamento e argumentação de verdade.
Como é rara a união de um raciocínio gráfico e estético com argumentação à altura!
Não é simples questão de quantidade, vejam bem – embora exista sempre uma quantidade mínima de palavras (variável dependendo do assunto e óptica, claro) para que um raciocínio seja desenvolvido. Principalmente se este se pretende relevante e original.

O que se vê? Truísmos, palavras de efeito, meia dúzia de frases que pretendem se passar por inteligentes e/ou profundas.
Talvez nem seja tanto a culpa dos indivíduos participantes, às vezes: é também muito da linha editorial, da tendência ao opinionismo sem regras ou rigor que se confunde com liberdade e “dinamismo”... enfim, “descoladismo”.

Uma boçalidade.

Não acredito em verdade, mas acredito em honestidade e em rigor.

(viu? Frase de efeito não é lá muito difícil. Mesmo quando é sincera e diz algo bom, vejam bem. E aí está o perigo: a frase de efeito pode ser usada para dizer verdades sublimes; mas aí uma grande quantidade de pessoas passam a achar que a verdade sublime está na frase de efeito, quando esta é apenas um canal... e aí, passam a ser presa fácil para a empulhação)

Enfim: ABAIXO AOS POSERS DE TODO O MUNDO.
QUE VOCÊS QUEIMEM NO INFERNO, MERDINHAS.

(A idéia de justiça divina é tentadora nesses casos: só pra acreditar que ALGUÉM no universo sabe que eles são falsários e fará com que eles se fodam no final.)



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3 comentários:

Marcelo. disse...

hehehe...

então, isso talvez seja reflexo do crescimento da classe média/média alta no Brasil, e da necessidade dessa gente se enquadrar dentro da única tribo desejável pra quem faz parte da elite, a tribo dos "cool".

A revista da TV a cabo (NET) se chama "Monet", na contracapa sempre tem uma propagando de um fogão italiano chamado "Lofra", segundo eles um dos melhores fogões do mundo. Outro exemplo são as máquinas de fazer pão...porque é hiperlegal receber as visitas com um cubo enorme de pão quentinho. Daí também os cafés, ambientes sempre recheados de cool interior design e de gente que toma capuccino (eu incluso) às 3 da tarde nas avenidas bonitinhas da cidade.

As frases de efeito já ficam pro grupo dos pseudo-intelectuais - menos numeroso que as pessoas cool, mais numeroso que os intelectuais.

É um saco ver gente citando gente que não entende. Efeitos de uma sociedade educada pela mídia.

G; disse...

Hahaha... tenho um amigo que é uma das imagens que tenho desse negócio de "cool", e ele TEM uma máquina de fazer pão!

E me convidou pra comer. E estava muito bom...

Marcelo. disse...

hehehe!

Eu também tenho a máquina de fazer pão...só não criei os eventos em torno dela ainda, e o pão é bom mesmo.