sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Gozando com Nascimento

Assisti o filme "tropa de elite" nesta última semana. Como fui dos últimos humanos a assistir, embora fosse apenas a segunda semana de exibição, tinha uma expectativa muito maior do filme, em todos os aspectos, mas especialmente em relação às cenas de violência tão comentadas. Carnificina por carnificina, não acho o filme mais violento que "Cidade de Deus", mas se alguém estiver contando me avise.

Como a discussão começou muito antes do lançamento do filme, confesso que entrei na sala já com algum preconceito, que de certa forma se confirmou: é um filme hollywoodiano, com muitos tiros, ação e produção simulando uma de primeira. Fato triste: pra muita gente, "Tropa de Elite" é o melhor filme brasileiro já produzido (!). Implica em pensar que estamos totalmente colonizados mesmo, ainda que eu não pense o contrário há muito tempo.

O curioso (ou perigoso), é ver que por mais ingênuos que possam ser o diretor e o principal roteirista de "Tropa", o tal capitão Nascimento é visto como herói sim. Algumas observações:

1- Capitão Nascimento é um coitado que tem muitos problemas, mas cuja dedicação ao combate ao crime é tamanha que ele vai subir favela no dia do nascimento de seu filho - fato importante para ele. Gozado que ninguém pense no cara como um doente mental...

2 - O cara mata, tortura, espanca e berra com bandidos (e policiais corruptos). "Ah, guerra é guerra". Pra quem não lembra, tortura não é permitida nem em guerra, segundo as convenções internacionais. Ainda que aconteça.

3 - No filme, o BOPE nunca erra. Combate os corruptos, não mata inocentes e ainda conta com o senso de responsabilidade do capitão Nascimento, que não deixa seu posto até encontrar um substituto à altura - questão de honra.


Enfim, muito já foi dito sobre o filme, eu já tinha desistido de escrever sobre. Ocorre que na última segunda-feira, sai uma matéria no Folhateen, o caderno da folha para o adolescente que é "teen", sobre jovens que após assistirem o filme sonham em se tornar policiais do BOPE, gente que gosta de tal ou tal personagem porque o cara é mais frio, ou porque só no BOPE é possível atingir a justiça nesse país...

Bom, de qualquer forma, o filme é legal sim. Creio que essa discussão toda ocorre porque nossa sociedade, instruída e socialmente responsável que é, não perderia a oportunidade de gozar com o pinto do Nascimento, o justiceiro, o vingador.



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2 comentários:

G; disse...

Eu também assisti o filme no final de semana passado...

Achoi que vou escrever algo a respeito, também (é o quer todo mundo faz, não?)

G; disse...

Ah: não estou contando. Mas no que se refere à presença visível de violência, Cidade de Deus é MUITO mais pesado.

Mas, também: o filme é muito mais longo, e narra as aventuras de décadas de favela, e não alguns meses da vida de um punhado de policiais. Não dá nem pra comparar.