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sexta-feira, 2 de setembro de 2022

Fabricando imagens: prompt-crafting no Midjourney

Vou começar a falar de “AI generated art” fora de ordem. Há um outro post no qual estou trabalhando que deveria aparecer antes e que trata de questões mais elementares e interessantes, mas acabei terminando este aqui antes.


Há muita discussão a respeito do status destas ferramentas como sendo arte ou não. Isso fica para um outro momento e acho que ainda vou amadurecer o que penso sobre o tema, possivelmente a partir de uma conversa que pretendo ter com o meu co-blogger em breve. Mas quero pontuar um aspecto aqui: gerar imagens bonitas nessas ferramentas é fácil. Gerar o que se pretende gerar, é muito difícil. Dá trabalho e ninguém sabe muito bem ainda qual é a melhor forma de explicar, para um robô treinado para compreender linguagem natural, o que nós queremos dizer. Aí entra a “arte” do prompt-crafting. É mais um trabalho de direção artística e evolução memética do que qualquer outra coisa. Vamos para um  exemplo prático:

Ontem comecei a tentar criar versões humanas de personagens de anime. Comecei por alguns de Demon Slayer, cheguei em resultados muito bonitos, mas que não remetem muito aos personagens - parecem mais releituras de figurinos de ópera, tipo, esse cara 'simboliza' o Inosuke".

 



Resolvi tentar algo mais simples, algum personagem com visual mais limpo e de fácil descrição: passei a tentar um Inu Yasha. É um garoto com orelhas de lobo, cabelos muito compridos, vestimentas de sacerdotisas Miko e kimono vermelho, olhos amarelos.




Fazer com que o Midjouney (MJ) produza imagens de personagens conhecidos é relativamente fácil. Eu consegui, rapidamente, produzir uma série de Dilmas como Wonder Woman, bonequinhos em miniatura do Lula:

 



Bom, fui para o início óbvio: tentar fazer com que o MJ gerasse um retrato do Ina Yasha tilizando parâmetros de outros trabalhos meus e pronto. Comecei descrevendo assim:

"Portrait of Inu Yasha, very intricate costume, hyper detailed, serious stare, lifelike, Atmospheric, 600mm lens, Sony Alpha α7, epic, dramatic, cinematic lighting, ray tracing, high contrast, 8k, photo realistic, character design".

Como eu brinquei de fotografia por bastante tempo, sei que lentes de 600mm não utilizadas para retratos, mas são residuais de uma outra série de imagens que fiz, de close-up portraits. Prompt-crafting funciona assim, a gente vai mantendo o que deu certo. Cheguei nesta imagem aqui:




 Achei o resultado legal, mas não se parece em nada com o que eu pretendia. Mudei o prompt para algo que descrevesse melhor o personagem, já que o MJ claramente não sabia o que era um Inu Yasha:

“Portrait of a young boy with yellow eyes, very long white hair and white wolf ears, dressed as japanese miko priestress, Inu Yasha, hyperrealist, hyper detailed, serious stare, lifelike, Atmospheric, 600mm lens, Sony Alpha α7, epic, dramatic, cinematic lighting, ray tracing, high contrast, 8k, photo realistic, character design"

Notem que, ao invés de mencionar o personagem, eu o descrevi fisicamente e retirei a complexidade do figurino, já que o personagem não é assim. Mencionei o nome, como referência adicional porque “vai que”. Um dos segredos da coisa é enfatizar aspectos que se queira forçar na imagem. Também deixei claro que se trata de um garoto, não de uma menina. Resultado:

 



 

O figurino ficou aceitável, as orelhas estão lá, cabelos e tudo, mas ainda é uma menina. Mudei o prompt para "young man" ao invés de "young boy" e rodei o MJ algumas vezes, cheguei em alguns resultados, uns melhores e outros melhores.

 

 


Uma das questões, imagino, é que rostos de personagens masculinos de mangá são muito femininos. Mudei pra "Man" e cheguei num resultado razoável, mas agora muito butch.

 



Decidi retornar ao "young man", o MJ haveria de, eventualmente, me devolver um resultado melhor. Passei a reforçar que queria um Inu Yasha passando a citá-lo também a partir de uma imagem de referência (coisa que não é possível no modo "testp"). Antes de me acusarem de trapaça, saibam que o máximo que dá pra fazer, a partir de uma referência, é dar a ela peso equivalente a todo o resto do prompt, de maneira que a descrição e refinamento descritico continuam sendo fundamentais.Decidi abandonar o test mode recomendado para fotorrealismo, (testp) e passei a receber os resultados em grades de quatro. Não demorou muito pra conseguir a resultados com os quais eu achei que dava pra trabalhar:

 



A partir daí, gerei versões e fiz o upscaling de algumas delas:



 


Essa última tá bem legal, né? Faltam as orelhas. Fui gerando variações e upscales e e cheguei na que considereio a mais bonita do conjnto todo - embora não o mais próximo do resultado pretendido:



O garoto tá lindíssimo, as orelhas parecem muito naturais, as roupas, quase lá. Já havia me dado por satisfeito quando tentei um último movimento: o botão "remaster". Esse é um gamble, póde melhorar ou piorar  imagem. Funciona assim: a IA joga a imagem gerada e o prompt como seeds para um novo upscale, só qe  no modo "creative". Esse modo em princípio só funciona dentro do "testp". E aí eu dei "sorte":

 



Dá pra melhorar? Dá. Um photoshop e alguma ferramenta de pós-processamento resolvem facilmente a orelha humana que tá sobranado e alguma coisa que tá meio off nos olhos. Mas vou deixar isso pra mais tarde, o que interessa, agora, é o que o MJ gerou, que é a imagem acima. O prompt final foi o seguinte:

<https://s.mj.run/EEj6DQLp114> portrait of a young man with yellow eyes, very long white hair and white wolf ears, dressed in a japanese red kimono, Inu Yasha, hyperrealist, hyper detailed, serious stare, lifelike, Atmospheric, 600mm lens, Sony Alpha α7, epic, dramatic, cinematic lighting, ray tracing, high contrast, 8k, photo realistic, character design, --ar 9:16 --iw 1 --test --creative –upbeta

E aqui está a imagem final, após o photoshop e tratamento:





Sintam-se à vontade para pegar, alterar e melhorar, é assim que funciona. Há uma comunidade enorme de gente aprendendo e, ao mesmo tempo, ensinando o MJ a refinar os resultados. Eu levei 36 iterações de cabo a rabo pra chegar no resultado. As que eu mostrei aqui são as fndamentais.

Moral da história: não sei se AI Art é arte ou não. Como disse no começo do texto, gerar algo bonito e/ou interessante com AI é extremamente fácil. Conseguir um resultado específico demanda paciência, identificar o que o robô acha que você está dizendo, dirigir um processo de evolução artificial a partir de referências de outros trabalhos, descobrir como descrever o que se pretende atingir, aprender os parâmetros de funções e comandos possíveis, testar, testar e testar.

 

Enjoy!

 

 


domingo, 8 de abril de 2018

Mascuplicando o mansplaining

Um dos conceitos mais interessantes que surgiram na última década, do ponto de vista de artilharia retórica, é o de "mansplaining". É um produto do feminismo moderno importantíssimo, porque extrapola as fronteiras do sexismo clássico (opressão homem sobre mulher), informando a qualquer ser humano a sensação de estar oprimindo ou a de ser oprimido, no plano retórico.

Mansplaining é uma definição recente para um problema antigo, e eu sinto que deveria ser mais difundido por estas bandas, ou pela adoção do termo original, ou através da criação de um neologismo similar. Sugiro "mascuplicação" - se não for acatado, dou de presente pra medicina - talvez sirva pra descrever um procedimento cirúrgico muito específico para homens que ninguém sabe direito o que é:

- Amanhã serei submetido a uma mascuplicação...
- Pra quê?
- Não é da sua conta.

Também serviriam "homexplicação" ou, se quisermos o estrangeirismo, "mansplicação".

Como eu sei que a maioria dos brasileiros ainda (isso vai pegar) não sabe o que mansplaining significa, vou mascuplicar aqui (vamos fazer pegar!). Mansplaining consiste em explicar alguma coisa pra alguém assumindo, num tom condescendente, que o interlocutor sabe muito menos que você sem que existam motivos para tanto. Normalmente ocorre no sentido homens ➨ mulheres, embora possa ocorrer entre mulheres, de mulheres para homens ou entre homens - eu tenho várias histórias de gente mascuplicando coisas pra mim (uuuhh....).

Acusar alguém de mansplaining geralmente é um golpe forte de retórica: expõe a postura arrogante do mascuplicador, a obviedade do objeto, e a ignorância daquele em não percebê-la - trata-se, portanto, de uma arma muito útil no arsenal retórico. Agora: como dizia o poeta, "com grande poder vem uma grande responsabilidade" (Parker, Ben - 2002). É muito fácil acusar alguém falsamente de mascuplicação.

Neste artigo recente a jornalista Giuliana Vallone (secretária-assistente de redação do jornal) explica bem o conceito de mansplaining, e logo depois ilustra-o incorretamente com a sessão do STF que negou o Habeas Corpus pleiteado pela defesa de Lula. A autora acusa os ministros Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski de mascuplicar para a ministra os efeitos da decisão dela.

Eu assisti a sessão inteira. Confesso que nos exemplos citados, eu não vi a condescendência que a jornalista da Folha enxergou. Para a autora, depois de diversos exemplos claros de mansplaining, o pior momento foi a acusação de Marco Aurélio de que o voto de Rosa Weber não estava claro. Reproduzo aqui o trecho destacado na reportagem:



“Rosa, Vossa Excelência me permite um aparte?”, disse Marco Aurélio. “Pois não, ministro Marco Aurélio, com muito gosto”, respondeu Rosa, com expressão de quem já sabe o que vem pela frente.

“Se a apreciação dos pedidos formulados nas [ações] declaratórias de constitucionalidade fosse hoje, haveria maioria para deferir a liminar, ante a evolução do ministro Gilmar Mendes”, afirmou ele.

Antes de conseguir respondê-lo adequadamente, a ministra também precisou se explicar a Lewandowski, que irritado, defendeu que considerando a posição de Rosa, “a corte não pode evoluir jamais”.

Cármen Lúcia, presidente do STF, saiu em defesa da colega. “Ministro, a ministra Rosa Weber justificou muito bem, exatamente dentro da opinião dela, então acho que há de se respeitar.” Foi, entretanto, também interrompida por Lewandowski, que argumentou que, no colegiado do Supremo, a troca de ideias é cabível.

“Com muito prazer. Mas tem um detalhe: eu estabeleci premissas teóricas”, disse Rosa, antes de ser interrompida novamente (a essa altura, pela terceira vez).

E então, veio a cereja do bolo. “No início, eu confesso que não sabia a natureza de seu voto. E eu tenho alguma experiência no colegiado”, afirmou Marco Aurélio.

“Quem me acompanha nesses 42 anos de magistratura não poderia ter a menor dúvida com relação ao meu voto, porque eu tenho critérios e procuro manter a coerência das minhas decisões”, respondeu a ministra, que, ao retomar seu voto, já nem conseguia mais lembrar onde havia parado.



A afirmação final de Marco Aurélio "E eu tenho alguma experiência no colegiado" é de fato arrogante. Mas o resto da discussão me parece estar dentro dos parâmetros normais. Como eu tenho alguma experiência em assistir esses caras em sessões desde muito antes de virar modinha (problema meu), a coisa toda me parece natural para a escrota vaidade do Marco Aurélio, descrita em detalhes nesses dois artigos da piauí parte 1 e parte 2 (recomendo).

De resto, a ministra se saiu muito bem. Há inúmeros relatos na mídia de pessoas que não conseguiam adivinhar em que direção o voto de Rosa Weber caminhava, mas esse é um outro problema: os ministros são prolixos, vaidosos e GOSTAM de tirar os coelhos de suas cartolas no finalzinho, postura besta, do ponto de vista da objetividade. Já o debate duro, a crítica irritada e pesada do Lewandowski, tudo isso é perfeitamente normal na dinâmica do STF.

O que nos faz pensar, todavia, é a segunda parte da matéria, que também transcrevo aqui:




"Mas Cármen e Rosa, duas das únicas três mulheres a ocuparem uma cadeira no Supremo em toda a história da corte (Ellen Gracie, aposentada em 2011, foi ministra por 11 anos) já são pós-graduadas em 'mansplaining'.



No ano passado, a presidente do STF interrompeu uma sessão para falar sobre o desequilíbrio nas relações de gênero no tribunal. Ela citou estudo feito por Tonja Jacobi e Dylan Scheweers, dois pesquisadores da Escola de Direito da Northwestern University, nos EUA. 


Eles analisaram transcrições de sustentações orais na Suprema Corte americana ao longo de anos e concluíram que integrantes do sexo masculino interrompem mulheres três vezes mais do que homens. 

O levantamento mostra que, apesar de as ministras falarem menos e usarem menos palavras do que os ministros, são interrompidas durante a fase de sustentação oral de forma significativamente maior. 

Em 2015, quando havia três mulheres entre os magistrados da corte suprema dos EUA, 65% das interrupções foram dirigidas a elas. 

Diante dos dados, Cármen concluiu: 'E a ministra Sotomayor [da Suprema Corte americana] me perguntou: como é lá [no Brasil]? Lá, em geral, eu e a ministra Rosa, não nos deixam falar, então nós não somos interrompidas'."



Tá aqui o vídeo:



Perfeito o pito público da Carmen Lúcia, especialmente porque essas coisas são gravadas e ficam para a posteridade. Todavia, o que resta demonstrado tanto na análise da jornalista quanto no exemplo da sessão de ontem, não é o conceito de mansplaining, mas uma outra modalidade de machismo parecida, que também afirma superioridade intelectual através do exercício constante de interrupções no sentido homens ➨ mulheres, o que sugere, no mínimo, falta de respeito. Isso também tem nome moderno específico: "manterrupting" (man + interrupting), termo muito menos utilizado. O que me deixa com uma pulga atrás da orelha é a possibilidade de que  a acusação de mansplaining neste caso sirva para angariar as simpatias dos movimentos identitários no sentido de uma defesa do voto de Rosa Weber. Não sei se a autora forçou a barra porque queria apresentar o conceito, se é erro mesmo, ou se há um objetivo oculto no artigo.

Enfim, de qualquer forma queria aproveitar a oportunidade de promover o conceito de mansplaining. e introduzir, no vocabulário nacional, um termo pra chamar de nosso.

Mascuplicação!



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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Embalagens

Seguindo a dica do senador Antônio Imbassahy (PSDB-BA), passei a guardar alguns alimentos de consumo fácil em saquinhos plásticos, muito mais práticos:


Sal


 Queijo


 Mel


Salame


Carne moída com arroz

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Brazil, 2016*

Beati futuri, futura possibilia,
(futuro feliz, futuro possível)

Regozijai-vos, povo da Vera Cruz, pois tempos auspiciosos se anunciam!

Com a derrocada do perverso regime comunista que ameaçava os bons costumes em nossa pátria amada, podemos dormir tranquilos sabendo que o futuro será deveras alvissareiro.  As primícias são animadoras: estamos a excisar tudo aquilo que é supérfluo, frívolo e dispensável no nosso novo governo.  Começamos por eliminar um tal Ministério da Cultura, que dentre outras cousas, ocupava-se de regar, com os parcos recursos públicos, abonados artistas.  Ora, nos bons tempos de outrora a pouquidade de normas que incentivavam a execução das artes jamais impediu o surgimento de baluartes culturais: cito Heitor Villa-Lobos, Tom Jobim e Vinícius de Moraes.  Todos homens do povo, e com vantagens: do melhor que existe do povo. Não precisamos de samba nos morros, mas de gente nos campos e fábricas, construindo e alimentando o nosso povo. A retomada do progresso (sempre de forma ordeira, conforme preconiza o lábaro pátrio) não permite adornos e excessos.

Universidade é outro luxo no qual não devemos mais desperdiçar nossos mui-custosos recursos - até porque estes deverão ser sumariamente privatizados, passando às mãos de probos e valorosos homens de negócios, que saberão explorá-los de forma mais cosentânea, abatendo as sobras indesejáveis de nosso Estado.  A academia foi uma idéia (com acento, como é o certo) deveras interessante.  Bom enquanto durou, mas certamente é uma história de fracasso.  Aqueles que educamos para liderar os rumos da terra-mãe infelizmente sucumbiram, ufanosos e iludidos, aos desvarios marxistas.  Pergunto: que vantagens nos trouxe a tal academia?  Apenas conflitos, nossa gente partida ao meio em dúvidas que lhes foram imputadas por esse povaréu que não entendeu muito bem o que é certo.

Não negamos que o conhecimento oportunize o florescimento de uma nação melhor, mas deixemos isso para aqueles que entendem do assunto: os estadunidenses e cidadãos do velho continente fizeram suas universidades com perícia. Aqueles que quiserem poderão - e serão incentivados - a estudar no estrangeiro, pagando com seus próprios recursos, por óbvio. E não me digam que isso restringirá a educação aos filhos dos abastados.  A riqueza é o prêmio de quem trabalha, vivemos, doravante, o regime do mérito.  Eu mesmo conheço dois rapazotes crioulos, que após adotados por adoráveis amigos foram capazes de atingir empregos admiráveis: médico e administrador no hospital dos pais. Bonito de se ver.



Devemos desfazer confusão que vem sendo propalada por aqueles que buscam a reconstrução do regime rubro: não é verdade, em absoluto, que a mulher não é valorizada em nosso novo Brazil. Pelo contrário, não acreditamos, por um instante sequer, que homens e mulheres sejam iguais. Não é possível, senhores, que caiamos nesse discurso fácil de lésbicas e feministas mal-amadas de que não existem diferenças de gênero - pelo contrário, existem e exigem que tratemos os diferentes, de forma diferente. Está muito claro que nos últimos tempos, muitas damas tem estado aflitas, preocupadas. A razão disso, amigos, é a inadequação do nosso contra-gênero para absorver de forma adequada, os enigmas das conversas políticas.

Mulheres laborando fora do lar foi outra experiência bem intencionada que fracassou.  A tentativa foi pertinente, curiosa, mas não podemos mais arcar com as consequências. Conforme explanamos, a intelectualidade não apraz às mulheres.  É importante que as famílias as eduquem, desde pequeninas, para agradar aos seus maridos - não sem serem recompensadas pelos cônjuges varões: flores e chocolates são sempre excelentes presentes. E às que não se casarem, há sempre a serventia necessária para tratar de seus idosos.  Não queremos dizer que as atividades profissionais estão fora de alcance, de forma alguma, apenas que há atividades adequadas para mulheres de uma sociedade digna: professora de piano é, há séculos, profissão digna que pode muito bem ser exercida por nossas amáveis mulheres, ao menos para aqueles alunos sem maiores pretensões na música.  Lembrem-se também  que uma bela mulher ao piano anima qualquer festejo.

Haverão querelas, estamos certos, mas também sabemos que Ciência e Filosofia são efêmeras nas mentes preguiçosas. Pouco tempo de afazeres domésticos, novelas e revistas femininas deverão dar cabo de eliminar as preocupações tão comuns nos dias de hoje. Há ainda mais motivo para júbilo: com os modernos aparelhos inventados pelos homens, as tarefas do lar estão cada vez mais fáceis, de forma que haverá muito tempo livre para se dedicar a atividades como o tricô, bordado ou conversar com as amigas através do muro ou mesmo por video-chamadas! Beati futuri!

Povo da Santa Cruz, verde-louros, súditos do grande pato! Alegrai-vos, pois o futuro é premente! Construiremos uma nova nação, em nome dos pais e das mães, dos filhos e das filhas, da tradição e da propriedade, em nome de Deus.

Tempos auspiciosos se anunciam!


M.



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*com agradecimentos às amigas Grace e Juliana, pela inspiração.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Ano X - Wilbor, o Tiradentes Zumbi

Wilbor se Revolta completou dez anos. Pra ser mais preciso, isso ocorreu no dia 16 de setembro.  Os poucos que acompanham as revoltas wilborianas sabem que elas sempre foram esporádicas, mas que, de uns tempos pra cá, estão mais pra espasmos eventuais de um blog outrora vibrante.

O Gabriel já analisou, em dois excelentes posts (aqui e aqui), os motivos para o declínio da produção do blog.  Sugiro fortemente a leitura pois, mais que uma autoanálise, que foi o mote principal das comemorações de cinco anos (aquiaqui), trata-se de um belo ensaio sobre a evolução da relação da sociedade com a internet e de como as redes sociais, especialmente o facebook, se tornou a própria internet.  Abusando um pouco da autopropaganda, que é um dos motivos por aqui, sugiro para os novos leitores a leitura daqueles posts.

Nos textos mencionados já há uma reflexão divertida sobre o número dez, a importância de se comemorar um decênio, a relação com o nosso número de dedos, de modo que não resta muito a dizer a respeito do tema.  Colecionarei ideias para 2017, quando prometo tratar, com alguma profundidade sobre as propriedades místicas e semióticas da dúzia.

De qualquer forma e sabendo que apesar da forte recomendação pouca gente se dá ao trabalho de ler "textões" citados dentro de textões, cito um trecho (rá!):

"Logo de início, toda a trivia de comentários e compartilhamento de coisas bacanas que costumávamos fazer pelo Wilbor passou rapidamente para o Face. E com razão: ele se presta ao compartilhamento coletivo de forma incomparavelmente mais eficiente. Ninguém precisa vir ao nosso cafofo buscar nossas sugestões de link, elas são oferecidas pelo feed. Os posts do blog ficaram definitivamente reservados para colocações mais autorais e assuntos mais longos e desenvolvidos -- aquilo que hoje se chama de "textão". Ou seja: coisas para as quais, coincidentemente, tanto eu quanto Marcelo passamos a ter cada vez menos tempo, ambos embrenhados em nossas respectivas carreiras e vidas pessoais.

(...)
Porém, a absorção e a sedução das redes vai mais longe: mais que um espaço de coisas mais rápidas, o Facebook é um espaço de contato público que o blog nunca pôde ser. É um meio muito mais eficiente em "espalhar a palavra".  Nossas reflexões nunca foram tão lidas quando ficávamos só no Wilbor. Como consequência, o face passou gradualmente a ser nossa plataforma primária de produção. Muitos posts do Wilbor dos últimos tempos foram originados como desenvolvimentos posteriores de posts do face. E, obviamente, tudo o que colocamos no blog é obrigatoriamente anunciado em nossas respectivas timelines.

Esse processo não foi uma exceção isolada: nesse últimos anos, ficou visível que cada vez mais blogueiros montaram no Face sua base de operações, lateralizando (ou mesmo quase abandonando) seus blogs. E porque não? O tipo de visibilidade imediata e velocidade de resposta que ele garante é impressionante.
O problema, porém, é que um "blog" é nosso de uma maneira que nossa timeline do Facebook nunca foi ou será."

Não tenho reparos a fazer à discussão, até porque o tema já foi pauta de inúmeras discussões que tivemos ao longo dos últimos cinco anos.  Conforme apontado pelo Gabriel, apesar de termos atingido um ápice de produção em 2007, é exatamente a partir de 2011 que a produção do blog cai vertiginosamente. Apesar disso, solicitamos ao Datafolha um gráfico e percebemos que, apesar da queda na produção, houve, à exemplo do crescimento de Marina Silva nas últimas pesquisas eleitorais, um crescimento subjetivo.


Há, claro, uma coincidência com uma utilização mais pesada do facebook.  No primeiro quadrimestre deste ano produzimos 13 postagens.  É um aumento discreto, impulsionado pelo momento político.  Aliás, a atual crise de tudo faz com que o Wilbor pareça um blog de política.  Não é, embora o tema tenha sempre estado em pauta em função do interesse pessoal que ambos temos.  Tratamos com alguma frequência de ciência, literatura, quadrinhos e humor - produzindo-o ou discutindo-o.

Não faremos qualquer promessa de incremento, mas no entanto, temos uma novidade: articulando esse post com os textos do Gabriel, surgiu a ideia em adotar a mesma estratégia de muitos outros blogs amadores: deixaremos de divulgar as postagens apenas nas nossas timelines que, ao contrário do blog, são restritas aos amigos, e passaremos agora a divulgar os posts na página oficial de Wilbor se Revolta no facebook.

Há algum tempo as discussões dos posts (que nunca foram lá tão frequentes) passou a ser feita nas nossas timelines.  O problema é que, ao contrário do que ocorre no blog, as postagens se perdem no facebook, sendo-nos apresentadas uma vez por ano, no aniversário do evento de publicação.  Tendo a página, é possível resgatar as postagens com mais facilidade.  A exemplo do que eu já faço sempre que me lembro, adicionaremos, a cada postagem, o endereço para o post na página do facebook, de forma  a centralizar a discussão.

Enfim, eis a novidade.  Nada mais adequado que fazer o lançamento num feriado de Tiradentes: um blog que foi traído pela internet, enforcado pelo facebook e voltou pra contar a história.  Uma espécie de Tiradentes zumbi.  Subscrevo ao compromisso já assumido pelo meu co-blogger: apesar de não haver qualquer demanda social para sua continuidade, Wilbor não morrerá (ao menos enquanto vivermos).  A gente gosta dele.  Eu sinceramente espero que essa estratégia de centralizar as operações de divulgação no facebook nos dê mais gás para dar uma animada no bichinho.  Se não der, paciência, a gente continua tentando.

É isso.  Ainda não completamos 11 anos, de forma que o meu post comemorativo está em dia.  Parabéns pra nós e vida longa ao Wilbor.  Continuaremos sendo um blog belo, recatado e do lar, aclamados pela autocrítica, produzindo aquele humor obscuro que vocês tanto não entendem.

Abraços!

Pra quem passou despercebido pelo link, aqui está o endereço no facebook.  Curtam, compartilhem, convidem o amigos, mostrem pras vovós!!


www.facebook.com/wilborserevolta/


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terça-feira, 19 de abril de 2016

Um novo tempo



Coxinhas, vocês tinham razão!!

O país tá bem melhor. Na manhã seguinte ao impítiman, o Ibirapuera estava assim. Obrigado pela lucidez, agora a gente tira o Temer, o Cunha, o Renan, os 16 governadores e milhares de prefeitos que pedalaram, os 300 e tantos parlamentares com pendências jurídicas e consegue um pedido de desculpas do Bolsonaro, né?

Me avisem quando.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Não deixem Cantanhêde só!

Edição especial de WSR: escolha a nova morena da Folha

Houve uma época em que a Folha de São Paulo fazia a festa do leitor de jornal brasileiro, com sua fabulosa dupla de meninas: Eliane Cantanhêde, a loira, e Renata Lo Prete, a morena.  A última abandonou o barco e migrou para a Globonews, deixando sua alva e elegante companheira em vôo solo...desde a saída de Lo Prete, nenhuma outra morena se firmou em posição que pudesse fazer aquela agradável tabelinha com Cantanhêde.

Eliane é uma mulher sofisticada, bonita, inteligente.  Lo Prete é tudo isso, só que um pouco menos charmosa...em compensação, deu um dos furos mais importantes do jornalismo nacional ao entrevistar o confiável deputado Roberto Jefferson quando ele revelou uma história que depois foi adaptada para se transformar naquilo que conhecemos como mensalão.

As candidatas foram cuidadosamente selecionadas para essa pesquisa pelo Oráculo do Milênio, de forma que são inquestionáveis - ainda assim, abrimos espaço para outras opiniões, igualzinho à Folha.  O critério para definir quem é morena é aquele correto: pessoa de cabelos negros ou castanhos - gente clara de cabelos castanhos claros são morenos claros, e é simples assim.  Mulatas são mulatas e negras são negras, não "moreninhas", já que somos contra o uso do termo "moreno" como eufemismo pra negro.  Dessa forma, Sheherazade é morena, convivam com este fato.

Rachel Sheherazade é uma espécie de Cantanhêde de canal ruim de TV, só que com menos brilho, elegância e charme.  Tá, talvez não seja uma espécie de Cantanhêde, pra não ser injusto, mas são definitivamente da mesma espécie - a nossa.  Ou talvez seja um tipo de "She-Datena".  É, é isso.  Palmirinha entra como um convite à diversidade na página de opinião da Folha, jornal tão eclético e imparcial, com espaço pra todo mundo e todo tipo de opinião, até aquelas que não têm nada a ver.  E a Mulher Samambaia tá aí pra quem acha que beleza é fundamental e nem acha que a Cantanhêde precise de uma parceira tão convencional, no sentido jornalístico da coisa.  Cristiana Lobo é a escolha do leitor tradicional, e seria também uma chance da Folha se vingar das organizações Globo, levando uma de suas morenas mais destacadas.  Sem mais delongas, eis a enquete que elegerá a próxima morena da Folha!


A disputa será acirrada.  Qual dessas será a nova morena da Folha?  Votem!!

Pra quem não está a par da função da loira da Folha: trata-se de uma das colunistas mais importantes do jornal, publica na segunda página (opinião) às terças, quintas, sextas e domingos.  Ou seja: fica na frente, liderando a coreografia do jornal.  A morena teria função similar: ficaria na frente do jornal exibindo suas exuberantes opiniões, refletindo a alma do conjunto.  Cumprindo seu papel de jornalista indignada, escreveu revoltosas 10 colunas desde o dia 20 de julho de 2014, data na qual a Folha publicou o escândalo da construção do aeroporto nas terras do tio-avô de Aécio.  Abordou o tema em quase uma delas - a Folha não pode ser acusada de parcialidade.  Pra entender o papel da jornalista-estrela da Folha e votar em sua morena de forma consciente, aqui vão links de todas as 10 são do naofo.de, acompanhadas de um pequeno (médio ou longo) comentário, cliquem à vontade, sem dar audiência ou usar a generosa cota de 10 reportagens que a Folha te dá todos os meses.  Aviso que nenhuma vale tanto a pena assim, e estão aí mais pra provar que eu não tô mentindo nas análises e sinopses - já que todo mundo mente, de vez em quando.


20/07/2014: Gastando cartuchos

Cantanhêde destaca a rejeição de Dilma como o dado mais importante aferido na última pesquisa Datafolha, o que talvez a impedisse de vencer no segundo turno (o instituto aponta a vitória no primeiro turno).

22/07/2014: Pega ladrão!

Passada a copa e deglutida a boa organização, Cantanhêde declara que é hora de deixar de oba-oba e voltar a pensar na bosta do país, em todas as suas bostas e de que bostas acusaremos Dilma, Lula e a bosta do PT . É tanta bosta que ela não sabe nem dizer quantos gringos foram vítimas de roubos:

"Não sei quantos latino-americanos ficaram sem dinheiro e documentos para voltar, mais de 12 mil argentinos foram vítimas de roubo/furto no Rio e, segundo levantamento do site G1, os furtos em trens, metrôs e ônibus em aumentaram 379% em São Paulo em relação ao ano passado.  Imagine fora deles!"

Bom, aparentemente ela sabia.  Mas quantos roubos ocorreram fora dos trens/metrô/ônibus, hein, hein?!? Eu nem imagino.  Ela é jornalista, talvez possa apurar.


Eliane Cantanhêde aborda, en passant, o Aecioporto.

Em sua única coluna sobre o tucano, Dilma é assunto em cinco dos sete parágrafos, Campos em dois deles.  Para a colunista, enquanto "o TCU livra a cara de Dilma", Aécio e Campos "resvalam" em questões éticas.  Aécio "entrou na berlinda por 'reagir mal' às perguntas inconvenientes".

Fiquei preocupado com o parágrafo final do texto, possivelmente escrito sob abstinência de alguma droga para tratamento de transtornos dissociativos (não tomem essas porras, depois dá nisso):

"E a economia, a mão pesada estatal, o desajuste do setor de energia? Ah! Isso é coisa para a 'elite branca'."

Hein?

25/07/2014: "Anão diplomático"

A jornalista concorda com a posição brasileira, mas não sem antes dar uma coçadinha em sua glândula conservadora, só pra aliviar o comichão.

"Depois de três anos e meio de uma política externa dorminhoca, o Brasil deu um pulo da cama, tomou-se de brios e partiu pra cima de Israel."

27/07/2014: Salve-se quem puder

Sobre a rejeição do mercado à Dilma, Cantanhêde concorda que é uma análise arriscada, embora levada a sério pelas campanhas - é verdade.  Explica o processo: se a previsão de crescimento cai, a crença na vitória de Dilma cai e as bolsas sobem.

O terceiro parágrafo faz o serviço de reacender a rejeição das elites à presidente: o PT utiliza esse dado para reforçar, aos pobres, que rico não gosta da Dilma.

No final, lembra o nível de rejeição da presidente no país (35%, meio normal pra quem governa) e de 47% em SP, que vive uma espécie de esquizofrenia no plano local, com altos índices de aprovação a um governador que faz uma gestão, digamos, problemática (PM, escolas, USP, água, corrupção no metrô, etc).

Mas...e o Lula?  Mais uma vez a jornalista brilha na frase final:

"Aliás, Lula? Vai passar incólume por essa imensa onda de rejeição?" 

29/07/2014: Dividindo os erros

Nham-nham-nham!!! Sabatina da Folha com a Dilma, prato cheio e no dia seguinte é dia de feijoada - que em São Paulo se come também nas quartas.!

Dilma arranja desculpas para a economia.  Dilma erra ao dizer que o pessimismo afeta a economia, que é feita de expetactivas, quando na verdade "a economia é calcada, não em impressões e em manifestações de ruia, mas sim em dados concretos feitos por especialistas - do Banco Central e da área econômica, além da indústria e de agências de avaliação."

Aqui, peço licença para me alongar mais e "enseriar" a coisa.

No dia 22 de julho, a Folha publicou a seguinte reportagem: "Humor piora e deixa abaixo de 1% previsões para o PIB"

A previsão do boletim focus, uma pesquisa de mercado feita ou encomendada pelo Banco Central, caíra para 0,97%.

A Folha foi atrás de investigar, lógico.  E listou as razões que motivaram os economistas a refazerem suas projeções:

1) Queda na produção industrial.

2) Vendas do comércio (err...essas subiram em maio, mas "só porque foram puxadas por alimentos, móveis e eletrodomésticos".  O que tinha que subir, com o perdão da ignorância? Se a venda de adubos, canos de PVC e material de festas infantis tivessem subido valia?

3) menor criação de vagas formais no primeiro semestre desde 2008.  Foram criadas 588.671 vagas contra 397.936 naquele ano.  Bom, foram criadas mais vagas, certo?  Nesse ritmo (o pior de Dilma), seriam geradas, em seu governo, 4.709.368 vagas.  Até junho foram geradas 5.052.710 vagas.  Isso no meio da crise mundial e levando em consideração que o nível de desemprego continua baixíssimo, com um número de pessoas que nem estão procurando emprego porque optam por estudar, etc, etc, etc.  FHC gerou, nos seus oito anos, 5.016.672, numa média semestral de 313.542 vagas/semestre.  Imagine como estaria o humor dos economistas se estivéssemos assim?

4) cai a confiança da indústria;

5) cai a confiança do consumidor.

Sou só eu, ou das cinco razões apontadas apenas a primeira é uma razão real negativa, mensurável de fato?  2 e 3 são dados positivos, 4 e 5 são, bem.....expectativas - e com variação pequena.  Há ainda dois outros indicadores, que são meros desdobramentos da produção industrial, portanto, mais do argumento 1.

Sobre isso é só.

31/07/2014: Profecias e realidade

Neste dia Cantanhêde nos explicou a realidade.  É uma coluna meio sem sal, como deve ser a realidade, apesar dos temperos da jornalista.  Deixo só a  frase final, pra dar o gostinho:

"O empresário sabe distinguir 'profecia pessimista' de constatação."

Sim, pudemos observar na coluna anterior...o mau humor provocado pelos fatos reais, e não pelas "profecias pessimistas"  Ah, o empresariado brasileiro, esses sábios!  Aqui um deles, indignado feito um paulistano:


Ou só valem os grandes?  Tipo o pai desta criatura:

Sim, eu entendo a falácia do espantalho, mas é só uma aparente: vejam o que eles concluíram dos dados apresentados no quadro da Folha.  E você?  Olhe aqui.  Talvez não seja justo usar esses dois exemplos só porque a esmagadora maioria deles é mais parecida com isso aí do que com um Bill Gates - este, um conhecido petralha maldito.

01/08/2014: E o Lula, hein?

Pois é, e o Lula, hein?  Essa coluna demonstra a capacidade de leitura de Cantanhêde: dias antes ela perguntou "e o Lula".  Não tardou para que o assunto aparecesse na mídia.

Como diz o Gabriel, Lula é responsável, entre outras coisas, pelos empregos desses colunistas - ou pelo menos pelo aumento na repercussão destes.  Antes do Lula ninguém lia gente como Azevedo, Constantino...até Olavo de Carvalho, cujo conhecimento era ostentado apenas pelos reaças mais ávidos e debochado por um pequeno setor da esquerda (eu já conhecia - rá!) publicou um livro com direito a estardalhaço e gente neo-politizada compartilhando nas redes sociais.

Como ninguém respondeu a pergunta feita no dia 27  (op. cit.), Cantanhêde se responde: Lula inventou Dilma e Haddad.  Se a aprovação dos dois está em baixa, não seria natural que Lula fosse atingido?

Ela não sabe: "Será?"




Cantanhêde (e toda a mídia) ficaram espantados ao descobrir que pessoas se preparam e combinam respostas em CPIs.  Pior: há uma orientação política nisso.  Pior: parlamentares "amigos" pegam leve com gente que, caso pegassem pesado, poderiam comprometer.

Desenho do Gabriel, feito originalmente para
este postTem alguma relação com isso aqui.

Jânio de Freitas, em coluna publicada neste mesmo dia "responde":

"Perguntas de aliados do depoente, em CPI, jamais, em qualquer tempo e em qualquer país, fugiram a este princípio: destinam-se a ajudar o depoente. Nem teria sentido que fosse o contrário entre aliados. Tal princípio explica, por exemplo, o motivo das lutas pela composição das CPIs sérias, o que não é o caso das duas simultâneas a pretexto da Petrobras –dose dupla cujo despropósito denuncia a sua finalidade de apenas ajudar eleitoralmente a oposição.

De aliado para aliado, nem o improviso em indagações surpreende o indagado. Mesmo que sugerido por uma situação de momento, segue as instruções já dadas pela liderança ou as combinações na bancada. Mais ainda, as perguntas e respostas previamente ajustadas, entre inquiridor e depoente, sempre foram e serão condutas lógicas e, pode-se supor, as mais frequentes entre correligionários nas CPIs. Assim como fazem todos os advogados ao preparar seus clientes para depoimentos policiais e judiciais.

O escarcéu em torno do jogo de parceiros, entre inquiridores governistas e depoentes da Petrobras, é o escândalo da banalidade. Bem conhecida de jornalistas, que provavelmente vão explicar qual é a fraude existente, e a que tanto se referem, na colaboração de condutas sempre vista por eles nas CPIs. A explicação é conveniente por ser bem possível que a fraude não esteja na conduta de integrantes da CPI, mas em outras.

Este e os demais capítulos do caso Petrobras, à margem da importância que possam ter ou não, ficam na mastigação de chicletes por estarem nas mãos da oposição mais preguiçosa de quantas se viu por aqui. As lideranças do PSDB e do DEM ficam à espera do que a imprensa publique, para então quatro ou cinco oposicionistas palavrosos saírem com suas declarações de sempre e com os processos judiciais imaginados pelo deputado-promotor Carlos Sampaio. Não pesquisam nada, não estudam nada, apenas ciscam pedaços de publicações para fazer escândalo. Com tantos meses de falatório sobre Petrobras e seus dirigentes, o que saiu de seguro (e não é muito) a respeito foi só por denúncias à imprensa. Mas a Petrobras sangra, enquanto serve de pasto eleitoral."

Depois vem esse Lula descolando um emprego pra Nora no Sesi!!  O Sesi, segundo a Wikipedia é "uma rede de instituições privadas brasileiras".  Pelo nome parece ter algo com a indústria...a ousadia do presitralha (*)!!  Como pode , onde já se viu?  E esses industriais, que além disso doaram até dinheiro pras campanhas todas?

Sabe onde é foda, mas foda mesmo arrumar emprego pra parente?  No âmbito público.  E sabem que grupos/partidos são craques nisso aí?

Bão, dos nossos 594 parlamentares (513 deputados e 81 senadores), 280 vêm de famílias de políticos - tem tudo nesse infográfico.  O ranking por partido, em % dos membros que vêm de "clãs" políticos:

DEM: 67%
PMDB: 66%
PP: 63%
PTB: 58%
PSC: 50%
PSDB: 49%
PSB: 48%
PR: 44%
PDT: 37%
PPS: 36%
PV: 31%
PCdoB:24% 
PT: 22%

Imaginem a quantidade de assessores e gente empregada através do nepotismo cruzado?  Há ainda uma diferença qualitativa.  Marta e Eduardo Suplicy entram na conta porque foram casados.  Acontece que ambos construíram carreiras políticas independentes...Marta não se elegeu senadora porque foi "esposa do Suplicy".  O mesmo ocorre com Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo.  É meio diferente de um certo senador mineiro, candidato à presidência da república, filho de deputado, neto de ex-presidente (o outro avô foi secretário estadual de JK) e primo de senador de outro estado.  Diferente, né?

Imaginem se a imprensa verificasse essas coisas com a mesma intensidade pros dois lados?  Imagina na Copa?

*Curtiram, amiguinhos do bem?  É "presidente + petralha", mas pode ser entendido como "presidente dos petralhas" ou "presidente-tralha".  Usem isso aí.

05/08/2014: Tudo embolado

O empresariado nacional - mais especificamente os industriais - se vingam da presidente cortando doações.  Sem citações aqui, coluna meio óbvia: tudo vai mal, obrigado.

Agora...e a veja, hein?



Tem que ter lido pra entender, certo?


Nota 1: ao menos parte da equipe de redação de Wilbor se Revolta entende que a pesquisa pode ser interpretada como machista ou de mal gosto.  Consideramos, porém, que da mesma forma que Constantino e Pondé podem ser alvo de comentários em função de sua busca por um macho que os satisfaça (em função disso e disso), a brincadeira é pertinente -  e as duas fazem dupla na Globonews - canal da Rede Globo, essa sim, com um quadro de mau-gosto chamado "as meninas do Jô", como se fosse muito exótico mulher comentar política.  Nossas sinceras desculpas à Palmirinha, um doce de velhinha que faz doces e à Mulher-Samambaia, sobre a qual não sabemos absolutamente nada.

Nota 2: Pouca gente vai acreditar, mas eu não sabia quem era a Mulher Samambaia.  Eu pensei no nome, achei conveniente, e fiquei torcendo pra que fosse morena, antes de consultar o Oráculo do Milênio.



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quinta-feira, 26 de junho de 2014

copa comprada

Muito tem se falado a respeito de uma possível manipulação dos resultados dos jogos que visaria favorecer o Brasil.  Esse processo teria, como finalidade, favorecer o Brasil, favorecendo, dessa forma, um clima positivo que seria capaz de levar Dilma Rousseff e seu governo de petralhas à reeleição.  Mas será mesmo?

Como um bom cético, tendo a desconfiar dessas teorias da conspiração.  Mas aí foram aparecendo evidências fortíssimas nesse sentido.  Em primeiro lugar, a intelligentsia facebookiana parece pensar que esse é o caso.  O Brasil foi reiteradamente beneficiado, a começar pelo pênalti contra a Croácia, marcado por um juiz japonês.  Todos sabemos que os japoneses são um povo que não não dá a mínima pra esse negócio de honra.  São desorganizados, indisciplinados e, fundamentalmente sujos.  A petralhada de plantão tratou logo de tentar limpar a imagem nipônica, mas os samurais fora, pegos, diversas vezes, espalhando lixo em nossos belos estádios, construídos com muito dinheiro, através de um mecanismo perverso denominado "financiamento pelo BNDES".  Onde já se viu?




Além disso, teve o árbitro anulando dois gols do México, sem os quais o Brasil teria ficado em...primeiro lugar.  Mas não interessa.

Agora deram uma suspensão absurda pro Luiz Suarez, só porque ele tentou comer um italiano...claramente uma tentativa de favorecer o Brasil, com quem os uruguaios poderiam cruzar se cruzassem com a Colômbia, seleção que vem fazendo uma campanha meio trôpega...só ganhou os 3 jogos.  Além disso, no atual ciclo a Colômbia fez campanha pior que a uruguaia, conforme podemos constatar na classificação final das eliminatórias:



O Rodrigo Constantino, no alto de sua perspicácia e frieza, percebeu que o logo da Copa do Brasil é uma referência clara ao golpe comunista que ocorrerá em outubro (eu vou).  Pela astúcia, o colunista foi homenageado pela imprensa internacional, em texto do Los Angeles Times.



Bom.  São apenas indícios.  Soubemos, porém, que há outras fortes provas de que a copa foi comprada.  Sugiro a leitura atenta deste post, do qual reproduzo a evidência mais chocante:


Agora, só tive a confirmação final ontem.  A copa do mundo não foi comprada pelo Brasil...mas através de uma vaquinha realizada por todos os países americanos - todos classificados para as oitavas de final!!! Tá certo, tem o Equador...mas mesmo assim!  O objetivo, lógico, é transformar as Américas num grande país comunista, sob a liderança de Dilma.  Daí a  importância da conquista da copa, que CERTAMENTE garantirá essas eleições.

Reparem na abertura das transmissões da copa.  Prestem atenção na letra da música:


OEA...OEA...OEA...OEA...OEA!



Isso não é mensagem subliminar.  É superliminar mesmo.  OEA, pra quem não sabe, é a Organização dos Estados Americanos.  Uma instituição comunista, que só não aceita Cuba pra não dar na cara.  A compra da copa é um plano claramente bolivarianista. Com aval dos EUA, que só se incomoda com Cuba pra não dar na cara.  Esse Obama não me engana.

É preciso dizer mais?


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quinta-feira, 6 de março de 2014

The Lewandowski extrapolation

Deu no Oráculo do milênio: O Ministro Ricardo Lewandowski propõe a criação de um aparelho que permitiria capturar, no espaço, energia das emissões infravermelhas da Terra.


Barbosa afirmou que se trata de uma "chicana" visando desviar as atenções da AP470: "emissões infravermelhas me causam espécie".

Gilmar Mendes também criticou duramente a iniciativa: "Não passa de uma tentativa de suavizar a transição para a ditadura comunista para a qual caminhamos. Não podemos esquecer que radiação infravermelha é aquela logo abaixo da vermelha".

Olavo de Carvalho concorda e vai mais longe:

"tomando o espectro eletromagnético e considerando que, num gráfico cujo sentido do positivo aumenta, por convenção, da esquerda pra direita, só podemos concluir que o vermelho se situa na extrema-esquerda. E o infravermelho vai além disso. Lewandowski não passa de um rato - coisa que se confirma em seu signo chinês."

Rodrigo Constantino limitou-se a caminhar até sua sacada, tirar a camisa e bater os punhos cerrados contra o peitoral. Apenas berrava: "Imagina na Copa?"

‪#‎imaginanacopa‬

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sábado, 15 de dezembro de 2012

Preparem-se!


A maior parte do tempo dos internautas é gasta com poucas coisas: redes sociais, webchat/videoconferências, vídeos, compras online e notícias.  Essas atividades são dominadas por quatro grandes empresas: Facebook, Google/Youtube, Microsoft/Skype e Apple.  E toda pesquisa passa por portais de busca, onde a Google reina só e são feitas a partir de sistemas que podem ser “fixos”, como PCs e laptops e “móveis” (smartphones e tablets) – aí entram, novamente, Microsoft, Google e Apple.

Não adianta mais ter muito cuidado: cada vez que navegamos ou fazemos compras online, empresas como Facebook, Apple e Google estão de olho, coletando dados e analisando nossos gostos e preferências.

Já faz algum tempo que eu me impressiono com a quantidade de produtos que me são oferecidos nessas propagandas que de fato podem me interessar.  A maioria deles, claro, são coisas semelhantes à outras que comprei online: roupas, livros, itens de cozinha, etc.  Esses produtos ficam pipocando nos cantinhos de vários sites que visito, esperando um momento de fraqueza e impulso consumista e, às vezes, aparecem com descontos imperdíveis.

Penso que não tardará muito até que a Google saiba mais sobre os nossos gostos do que nós mesmos.  É possível que, através de algoritmos, descubram relações entre características das coisas que nós compramos nas quais jamais iríamos pensar...por exemplo: Fulano, quando entra online para pesquisar roupas, dá mais atenção (ainda que não compre, necessariamente) a produtos com um certo padrão de cores – gosta de camisetas de cores sóbrias, porém, olha mais para camisetas dessas cores quando o modelo usa uma bermuda de cores mais vivas.  Talvez Fulano nem goste tanto de bermudas de cores vivas, mas por algum motivo, essa característica faz com que ele, inconscientemente, se interesse mais pela camiseta.

É só um exemplo, mas é nesse sentido que caminham as pesquisas sobre o gosto dos consumidores.  Google, Apple e Facebook, coletam uma quantidade absurda de informação sobre cada um de nós; as duas primeiras muito mais, creio, já que estão presentes em praticamente todos os smartphones e tablets do mundo – e ainda temos a Microsoft tá tentando entrar nesse jogo.

Imaginei, outro dia, a seguinte situação: Fulano acorda e tem um entregador da Google Delivery na sua porta, com um pacote.  Você não se lembra de ter comprado nada, e pergunta pro entregador se não há algum engano.

- Engano nenhum, senhor. Esse pacote é seu. Você não comprou, mas sabemos que você o quer.

- Como assim?  Eu não comprei nada, não quero.  Pode ir embora.

- Não quer receber?  Mas já está pago...ou melhor debitaremos hoje o valor no seu cartão de crédito Visa, aquele platinum com vencimento no dia 13.

- Isso é um absurdo!  Um abuso, invasão de privacidade e um crime!  Retire-se com essa merda de pacote, vou contatar as autoridades.

- Senhor, mas é aquela panela francesa que você queria, de ferro fundido esmaltado, a de trinta centímetros.  O produto entrou numa promoção, veio com 35% de desconto e hoje é dia 7, que é o seu dia de fazer compras online.  O senhor costuma comprar no dia 7, já que recebe, provavelmente, no dia 5.  Estamos apenas economizando o seu tempo, já que se encomendasse hoje, levaria mais 3 dias para receber.

- 30%?  Hum... (o sujeito olha pra cima, pensa) – não importa!  Ainda assim é um abuso, um acinte!  Vá logo com esse pacote.

- Tudo bem, senhor.  Ninguém está te obrigando a nada.  Cancelarei agora o débito no seu cartão, tenha um bom dia!

- Ótimo.

O entregador começa a sair, o Fulano fica olhando pra baixo, ainda um pouco indignado, mas certo de que está perdendo uma grande oportunidade.  O entregador já está a uns dez metros quando ouve:

- Qual é a cor?

- Deixa eu ver na nota...laranja senhor.

- Traz logo essa merda aqui!

- Tenha um boa dia, senhor!  E ó: daqui a pouco vai passar “Philadelphia”...o senhor não viu ainda, né?

- Olha só!  Que canal?

- HBO.


Fulano sobe o elevador indignado, desempacotando sua panela nova.  Resolve que vai mesmo assistir o filme, resolve fazer uma pipoca,  Mas não sem antes dar um pulo no facebook.