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domingo, 17 de abril de 2016

São Paulo, 17 de abril de 2016



Caros amigos,


Logo mais eu e muita gente iremos às ruas. Bicho racionalista/determinista que sou, não sei se com algum efeito prático, mas mesmo sem saber se nossa presença nas ruas pode ter algum efeito absolutamente positivo, acredito que pode haver um efeito relativo: o de que ruas vazias, por parte da esquerda possa, implicitamente, autorizar deputados que ainda não decidiram (ou não quiseram decidir) a votar a favor do golpe que se tenta neste momento.

A responsabilidade sobre a presença nas ruas é da esquerda.  A massa CBFista que certamente dividirá os espaços públicos conosco não se move naturalmente.  Por mais que não se sintam assim, essas pessoas estarão nas ruas como resultado da ininterrupta incitação e manipulação da grande mídia corporativa nacional, nas mãos de cinco famílias que na verdade são uma só.  Da mesma forma que a imprensa colocou Collor no Planalto para depois derrubá-lo, é provável que a multidão revoltosa seja apenas utilizada como cenário legitimador – até porque a partir daquele processo, é dever daqueles que pensam o país com responsabilidade histórica ao menos considerar que houve traços de ilegitimidade em 1992.  A diferença é que, ao contrário do que acontece agora. absolutamente ninguém se dispunha a defender o presidente “d´aquilo roxo”. Eis a dimensão política de um processo de impeachment.

Em 2010 Lula deixa o governo com 87% de aprovação.  Me pergunto: quantos dos que agora enxergam no PT uma filial do inferno estavam entre os 4% que, ao final daquele período consideravam o governo de Lula ruim ou péssimo?  Ali estava a semente do ódio que, adubada por parte da elite nacional com altas doses de chorume midiático floresceu nesta sufocante e opressiva massa verde-amarela.

Outro sentimento me move no dia de hoje: o medo grande de que, caso se confirme essa marcha da insensatez, venhamos a mergulhar num longo período negro da nossa história.  Alguns falam em 20 anos para voltar à normalidade.  Não há como saber: o governo golpista pode até ser transitório e cair em 2018, mas certamente quem luta de forma tão ardilosa para chegar ao poder não tem intenção de deixá-lo tão cedo.  Até porque a força motriz do golpe é a preservação de uma classe política que se vê ameaçada por seu próprio remédio: a lava jato começou a respingar em quem não devia.  É cedo para saber se haverá violência de fato: isso dependerá exclusivamente da capacidade de resistência dos democratas, já que sabemos o tom da resposta das polícias aos já marginalizados movimentos sociais no país.  Caindo o governo Dilma, estejam certos de que a criminalização da esquerda continuará com força total.  Eu penso que os donos (de fato) do poder avaliam que pegaram leve com Lula em 2002.  Não repetirão o erro.

O golpe que está em curso é mais sofisticado que aquele que vivemos em 1964: o Paraguai foi o laboratório desta nova modalidade na América do Sul.  No país vizinho, Fernando Lugo caiu em um processo que durou 48 horas; por essas paragens, o processo teve início em dezembro, mas vem sendo gestado há muito tempo, desde a derrota não admitida por Aécio, pra sermos específicos. De forma mais difusa, porém, desde que os setores interessados perceberam que poderiam aproveitar os protestos de 2013 para canalizar um sentimento contido de ódio de classe que eclode pelo menos 11 anos atrás, durante a campanha vencedora de Lula em 2002.  Há, até o presente momento, um esforço hercúleo em dar contornos de legalidade ao golpe.  Isso continuará. 

Por fim, um outro fator me fará deixar de acompanhar o circo de hoje de casa, com conforto, comida e cerveja, fazendo comentários nas redes sociais e montando planilhas: não conseguiria ficar em paz estando em casa.  De alguma forma me sinto moralmente obrigado a fazer volume no Anhangabaú.  Quero deixar claro que não imputo reprovação alguma àqueles que não poderão ou não querem ir...cada qual tem suas razões e não cabe a mim questioná-las.  Mas penso que se a votação de hoje estiver de fato perdida, será das ruas, os grandes palcos da democracia brasileira, que sairão os primeiros gritos de resistência.

Boa sorte a todos nós, forte abraço.



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domingo, 3 de abril de 2016

Moro e o "design inteligente" do Direito Penal

Há uma velha máxima no mundo jurídico: "o Direito Civil serve para os ricos, enquanto o Direito Penal se aplica aos pobres".

Antes que o público "anticorrupção" comece a atirar pedras e comemore o fato de que a operação lava jato subverteu essa regra ao levar à cadeia alguns dos maiores empresários do país, peço que façamos uma reflexão sobre o que está por trás da assertiva, pois eu quero chegar em outro lugar.

O Direito Penal foi e vem sendo utilizado, ao longo da história, como instrumento de controle social.  Basta observar o perfil da população carcerária brasileira.  Ao mesmo tempo em que sabemos que condições de precariedade econômica podem conduzir ao crime, também é verdade que a situação econômica é determinante no que diz respeito ao acesso à justiça. O direito à defesa é mais facilmente alcançável por aqueles que detém recursos para contratar bons advogados, ao passo em que a população mais pobre muitas vezes precisam se contentar com advogados designados ou defensores públicos (quando existem).

Há uma série de teorias sobre as funções da pena mas, de forma simplificada, podemos elencar três: 

  • Função retributiva: a punição daquele que comete um crime, uma forma de;
  • Função utilitária: prevenir, através do exemplo da punição, o cometimento de novos crimes;
  • Função social: buscar a readaptação do delinquente à sociedade.

Sabemos, por conhecimento empírico, que as duas últimas são uma ficção na realidade brasileira.  A função utilitária da pena tem se mostrado ineficaz para reduzir as taxas de criminalidade.  A simples prisão de um criminoso não combate o problema em sua origem: a sociedade é criminógena, ou seja, a sociedade, em suas dimensões políticas, culturais e econômicas, é organizada de forma a naturalmente gerar tensões e ambientes que favorecem a ocorrência de crimes.  Um bom exemplo disso são as taxas de homicídios nos EUA, onde verificam-se menos assassinatos em estados que rejeitam a pena capital.

A função social é outra fábula: como é possível imaginar que um sistema carcerário que remete às masmorras medievais possa ser capaz de reabilitar um indivíduo? Como imaginar que alguém que tenha cometido um crime possa se tornar melhor ao ser colocado em um ambiente pior que o original?

Resta-nos a função retributiva ou punitiva.

A ideia de promover, através do Estado, a punição de um criminoso, puramente porque quem comete um crime deve pagar é antiga e natural para as sociedades humanas.  Uma das primeiras peças criminais da humanidade é o Código de Hamurabi, que data do ano 1.772 a.C., no qual se encontra inscrita a Lei de Talião: "olho por olho, dente por dente".  Trata-se de um dos primeiros exemplos formais de retaliação do delinquente.  A função retributiva da pena encontra aí uma de suas primeiras inspirações; trata-se de "vingança promovida pelo Estado". A noção de punição retributiva perdura, através da história, até os dias de hoje. 

Os primeiros registros de algum pensamento humanista na história, ainda que sua interpretação seja controvertida, surgem também na Babilônia, mais de mil anos depois.  trata-se do "Cilindro de Ciro", onde aparece, pela primeira vez, o conceito de liberdade de religião e abolição da escravatura.  Todavia, é apenas no direito moderno que surgem discussões mais aprofundadas e diretamente relacionadas à moderna "Declaração dos Direitos Humanos".

A noção de que há direitos fundamentais, do qual todas as pessoas são titulares, esbarra no fato de que a real compreensão da necessidade destes depende de algum aprofundamento intelectual.  É mais provável que a ideia de uma punição imediata e a sensação de alívio de ver, atrás das grades, aqueles que são considerados perigosos, suplante a abstração de que a defesa dos direitos fundamentais de qualquer indivíduo implica na defesa das nossas próprias garantias legais.

Mesmo nos cursos de Direito é comum  a dificuldade de entender, de fato, a importância da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal para criminosos.  Em exemplos extremos a situação fica mais clara: por que um assassino confesso deveria ter direito à essas coisas?  A resposta mais simples é a seguinte: nem todo crime tem a mesma gravidade. Um homicídio pode ter uma série de agravantes ou atenuantes: pode ser cometido após tortura, estupro, assédio psicológico, vingança, etc.  Se concordamos em estabelecer penas mínimas e máximas, é decorrência lógica  que, no debate entre acusação e defesa, possamos chegar a uma pena adequada (dosimetria da pena). É possível que o assassino tenha matado por se encontrar em uma situação na qual não se poderia esperar conduta diversa, e eu já presenciei um caso assim em tribunal do júri (inexigibilidade de conduta adversa).  Podemos afirmar, sem sombra de dúvida, que em um julgamento sem defesa haveria uma tendência à distorção das penas para cima.

O Direito existe, enquanto ramo do conhecimento, por uma razão simples: sem o aprimoramento dos instrumentos jurídicos não é possível a evolução social.  O linchamento, modalidade de crime na qual o Brasil é campeão mundial, é uma das formas mais primitivas de justiçamento, remete à práticas anteriores à própria Lei de Talião: o preço por um dente pode ser a vida do outro.  Trata-se da mais absoluta falta de qualquer refinamento do pensamento jurídico.

Assistimos hoje, no Brasil, à naturalização do linchamento, tanto em sua forma física, incentivado por personagens retrógrados da mídia, como em sua versão psicológica - os linchamentos morais, turbinados por uma parcela ainda maior da mídia, além de setores do judiciário e grande parte da sociedade:


O discurso odioso dos que promovem o linchamento encontra terreno fértil em uma população pouco educada e nada familiarizada com noções básicas de Direito e Cidadania.  É um apelo a aquilo que as pessoas têm de pior, ao raciocínio rápido e inconsequente.

A evolução da espécie humana, num sentido estritamente biológico, não avançou muito da antiguidade pra cá.  Os instintos de vingança e punição talvez tenham de fato surgido porque representavam algum tipo de vantagem evolutiva, e somente o surgimento dos direitos humanos (em suas inspirações filosóficas) foi capaz de alterar a forma como pensamos a função do Estado, do Direito, da Humanidade.

O processo que vemos atualmente no Brasil remete à discussão dessa evolução cultural.  Observamos uma série de abusos, de incitação à violência psicológica e até mesmo física.  Pra ficar com alguns dos exemplos mais recentes, podemos citar as agressões verbais ao ex-senador Suplicy, os insultos ao ex-ministro Guido Mantega num hospital, os xingamentos a Alexandre Padilha num restaurante, o prêmio de mil reais oferecido a quem insultasse Ciro Gomes num almoço, as agressões a quem se atreve a vestir vermelho nas ruas, a recusa de uma pediatra a atender um bebê por ser filho de uma petista...e por aí vai.

Colocando fogo nesse paiol de pólvora, setores da imprensa e do judiciário.  Recentemente foi noticiado que o ex-presidente Lula estaria tripudiando da justiça ao mandar "enfiar o processo no cu".  A história surgiu a partir de um vídeo gravado pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).  Dias depois, a Folha de São Paulo se retratou.  O dano político, porém, já estava realizado e é irreversível. 

Sergio Moro e a Polícia Federal têm sido responsáveis por vazar, para a imprensa, uma série de depoimentos de delações premiadas. No caso mais grave, o juiz de Curitiba levantou o sigilo de conversas telefônicas que abrangeram Lula, sua família, seus advogados, a presidente da república e ministros.  A atitude foi claramente ilegal, acusada pela imensa maioria dos juristas, levando o juiz a pedir "desculpas pelo constrangimento".

Ora, um juiz de direito, especialmente um que atue na esfera do Direito Penal, tem plena noção do que deve fazer em relação à escutas telefônicas que não tenham relação com o processo ou que não contenham evidência de qualquer crime: destruir as gravações.  Sabe também que um pedido de desculpas não resolve a situação e muito menos repara os danos causados, como bem coloca Lênio Luiz Streck.  Ainda que pudesse alegar ignorância, não parece ser o caso.

Os vazamentos seletivos e a utilização da imprensa para gerar clamor social por justiça não são meros acidentes.  São ações premeditadas.

Sergio Moro escreve, em 2004, um artigo intitulado "Considerações sobre a operação mani puliti", a operação "mãos limpas". O texto é um relato sobre a operação que inspirou a Lava Jato, escrito num estilo simples e pouco inspirado, mas suficiente.  A leitura permite entender a ordem da operação Lava Jato, bem como verificar que os vazamentos são propositais.  Destaco um trecho:

"Os responsáveis pela operação mani pulite ainda fizeram largo uso da imprensa. Com efeito: Para o desgosto dos líderes do PSI, que, por certo, nunca pararam de manipular a imprensa, a investigação da “mani pulite” vazava como uma peneira. Tão logo alguém era preso, detalhes de sua confissão eram veiculados no “L’Expresso”, no “La Republica” e outros jornais e revistas simpatizantes.

Apesar de não existir nenhuma sugestão de que algum dos procuradores mais envolvidos com a investigação teria deliberadamente alimentado a imprensa com informações, os vazamentos serviram a um propósito útil. O constante fluxo de revelações manteve o interesse do público elevado e os líderes partidários na defensiva. Craxi, especialmente, não estava acostumado a ficar na posição humilhante de ter constantemente de responder a acusações e de ter a sua agenda política definida por outros.

A publicidade conferida às investigações teve o efeito salutar de alertar os investigados em potencial sobre o aumento da massa de informações nas mãos dos magistrados, favorecendo novas confissões e colaborações. Mais importante: garantiu o apoio da opinião pública às ações judiciais, impedindo que as figuras públicas investigadas obstruíssem o trabalho dos magistrados, o que, como visto, foi de fato tentado.

Há sempre o risco de lesão indevida à honra do investigado ou acusado. Cabe aqui, porém, o cuidado na desvelação de fatos relativos à investigação, e não a proibição abstrata de divulgação, pois a publicidade tem objetivos legítimos e que não podem ser alcançados por outros meios." - grifos nossos.

O juiz pondera que não há sugestão de que os envolvidos naquela investigação tenham deliberadamente alimentado a imprensa com informações, para logo em seguida, saudar o efeito de tais revelações junto à opinião pública.  No Brasil, sabemos que o próprio Moro tratou de alimentar a imprensa com as gravações ilegais.  Se interpretarmos segundo o que escreveu em 2004, Moro levantou o sigilo das ligações obtidas de forma irregular, incluindo muitas gravações sem qualquer ligação com a investigação em curso, buscando apenas constranger os personagens junto à opinião pública.  Certamente conseguiu.  A reação popular foi imediata e os pequenos reparos feitos por parte da imprensa não foram capazes (como nunca são) de desfazer o dano.

Circula pelo facebook um abaixo-assinado no qual os subscritos afirmam "não aceitar qualquer tipo de punição a Moro".  Como alguém pode defender uma pessoa que obviamente cometeu um ato ilegal, claramente premeditado tendo ciência de sua ilegalidade?  Aparentemente, Moro tem licença especial para quebrar as leis, desde que persiga os alvos escolhidos.

Outro trecho que preocupa é o seguinte:

"A estratégia de ação adotada pelos magistrados incentivava os investigados a colaborar com a Justiça: A estratégia de investigação adotada desde o início do inquérito submetia os suspeitos à pressão de tomar decisão quanto a confessar, espalhando a suspeita de que outros já teriam confessado e levantando a perspectiva de permanência na prisão pelo menos pelo período da custódia preventiva no caso da manutenção do silêncio ou, vice-versa, de soltura imediata no caso de uma confissão (uma situação análoga do arquétipo do famoso “dilema do prisioneiro”). Além do mais, havia a disseminação de informações sobre uma corrente de confissões ocorrendo atrás das portas fechadas dos gabinetes dos magistrados. Para um prisioneiro, a confissão pode aparentar ser a decisão mais conveniente quando outros acusados em potencial já confessaram ou quando ele desconhece o que os outros fizeram e for do seu interesse precedê-los. Isolamento na prisão era necessário para prevenir que suspeitos soubessem da confissão de outros: dessa forma, acordos da espécie “eu não vou falar se você também não” não eram mais uma possibilidade.

Há quem possa ver com maus olhos tal estratégia de ação e a própria delação premiada. Cabem aqui alguns comentários.

Não se prende com o objetivo de alcançar confissões. Prende-se quando estão presentes os pressupostos de decretação de uma prisão antes do julgamento. Caso isso ocorra, não há qualquer óbice moral em tentar-se obter do investigado ou do acusado uma confissão ou delação premiada, evidentemente sem a utilização de qualquer método interrogatório repudiado pelo Direito. O próprio isolamento do investigado faz-se apenas na medida em que permitido pela lei. O interrogatório em separado, por sua vez, é técnica de investigação que encontra amparo inclusive na legislação pátria (art. 189, Código de Processo Penal)." - grifos nossos.

Aqui Moro assume a postura de que é lícito mentir para atingir seus objetivos "espalhando a suspeita de que outros já teriam confessado", de que é permitido torturar psicologicamente investigados "levantando a perspectiva de permanência na prisão pelo menos pelo período da custódia preventiva no caso da manutenção do silêncio ou, vice-versa, de soltura imediata no caso de uma confissão". De alguma forma, mantém um discurso legalista, de aparência técnica, de que ninguém é preso sem que existam os requisitos par uma prisão preventiva.  O problema é que, quem decide aqui, é o próprio Moro...o juiz não parece ser incompetente ou agor de má-fe: parece um alucinado, que de fato se enxerga como herói soplitário numa cruxada pelo bem.

A condução coercitiva de um interrogado que jamais deixou de comparecer às convocações de interrogatório é apenas um dos sinais de que o juiz age segundo a tese de que "os fins justificam os meios".  Ameaçar um investigado de prisão por tempo indeterminado até que confesse algo, além de desumano pode conduzir à confissões falsas, na qual o prisioneiro acaba revelando o que o investigador quer (papel que Moro aparentemente acumula).  A não homologação do acordo de delação premiada com os executivos da Odebretch parece corroborar com a hipótese: Lula e Dilma não estavam implicados...apesar de mais de 200 políticos estarem presentes nas listas da empresa, os executivos desta empresa continuam presos - talvez até revelarem algo sobre os alvos preferenciais, verdade ou não.

Aqui cabe outra observação: na utilização da imprensa para veicular vazamentos, um outro padrão se torna claro.  O acusado só precisa de um fato que se sustente.  O resto da história pode ser balela, o que pode até vir a ser provado posteriormente...pra mídia não importa: se um dos fatos se mostrar verdadeiro, o público engolirá todo o resto da história.  É uma técnica mais utilizada por mágicos e médiuns que por aqueles que perseguem a verdade dos fatos.

Moro justifica esse modus operandi referindo-se a uma suposta ousadia dos “giudici ragazzini” (jovens juízes), que teriam uma deferência menor ao funcionamento tradicional do direito estabelecido.  de uma certa forma, contorna-se a jurisprudência estabelecida para pegar os "peixes grandes", numa espécie de Direito Penal Novo.

A superexposição de investigações criminais na mídia traz efeitos negativos.  A sanha vingativa do povo raramente perdoa aqueles que são acusados.  Para o cidadão médio, acusado e culpado são rigorosamente a mesma coisa, como pudemos observar no caso da Escola Base, no qual os acusados eram inocentes e vivem até hoje sob o estigma de criminosos.  Mais recente e mais explorado: o caso dos Nardoni.  Aparentemente o casal era culpado, mas imaginemos, que não fosse: que chance teriam em um julgamento?  Muito antes o pai e a madrasta de Isabella já haviam sido condenados pelo público.  Pessoas comuns foram ao fórum protestar e pedir justiça.

A transmissão ao vivo de julgamentos é um erro, na minha opinião.  Juízes precisam de um ambiente tranquilo para poder julgar rigorosamente sobre os fatos.  Qualquer julgamento com muito clamor popular coloca uma pressão sob a qual os magistrados podem sucumbir, levando à distorções nas decisões.  Parece bom quando é com aqueles que enxergamos como culpados, não tão bacana se vier a ocorrer com um de nós.

 Retomando o início do texto, outra distinção que se faz entre os direitos civil e penal é que, no primeiro, o julgador pode se satisfazer com a verdade "formal", enquanto no último não se pode admitir a condenação com menos que a "verdade real". Tirar a liberdade de alguém é algo sério, é preciso ter cuidado.  Imaginem passar uma noite na cadeia por ter cometido um crime; agora, imaginem passar um período indeterminado por algo que não fez...

As justificativas dadas por Moro para a condução da Lava Jato se encontram em seu artigo de 2004.  Essa proposta de um novo padrão de investigação atropela princípios básicos do Direito Penal e dos Direitos Humanos.  Moro relativiza a importância da presunção de inocência, trata investigados como condenados, sujeita-os à tortura psicológica, e utiliza a imprensa, indiscriminadamente, para "gerar constrangimento", facilitando a obtenção de confissões (nem sempre confiáveis).  Com isso não só o juiz macula seu conjunto probatório como destrói qualquer princípio de dignidade da pessoa humana. Certamente obter provas de crimes cometidos por pessoas influentes se torna mais difícil se não tolerarmos que métodos espúrios sejam utilizados, mas não há dúvida de que, se permitíssemos também a tortura física, ficaria ainda mais fácil.  É melhor que as coisas caminhem a passos lentos e seguros, pro nosso próprio bem.

Nos EUA o fundamentalismo religioso dos "born-again christians"  reacendeu a discussão sobre o ensino da Teoria da Evolução nas escolas versus as "teorias" criacionistas ao cunhar o termo "Design inteligente". O linguajar moderno, a construção da imagem de um herói de olhar firme e determinado, incorruptível, jovem e bem vestido, ajudam na construção da opinião pública.  É fácil apelar para os instintos mais primitivos das pessoas: o desejo de vingança movido por um sentimento de indignação criado pela mídia e ampliado pelo efeito de manada das redes sociais.  O "Direito Penal Novo" de Moro é apenas uma roupagem moderna para as formas mais primitivas de justiça: o justiçamento.  Está, para o direito primitivo, como o design inteligente está para o criacionismo: trata-se de "sophisticated bullshit" ou "fashionable nonsense".

Defender os princípios básicos do Direito moderno, a Declaração Universal dos Direitos Humanos é não apenas condição sine qua non para uma sociedade civilizada, mas para a garantia dos nossos próprios direitos individuais.  Cada vez que permitimos que as regras sejam dobradas para punir aqueles que queremos que sejam punidos, estamos fazendo com que uma injustiça seja cometida contra nós mesmos se torne mais provável. 





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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Não deixem Cantanhêde só!

Edição especial de WSR: escolha a nova morena da Folha

Houve uma época em que a Folha de São Paulo fazia a festa do leitor de jornal brasileiro, com sua fabulosa dupla de meninas: Eliane Cantanhêde, a loira, e Renata Lo Prete, a morena.  A última abandonou o barco e migrou para a Globonews, deixando sua alva e elegante companheira em vôo solo...desde a saída de Lo Prete, nenhuma outra morena se firmou em posição que pudesse fazer aquela agradável tabelinha com Cantanhêde.

Eliane é uma mulher sofisticada, bonita, inteligente.  Lo Prete é tudo isso, só que um pouco menos charmosa...em compensação, deu um dos furos mais importantes do jornalismo nacional ao entrevistar o confiável deputado Roberto Jefferson quando ele revelou uma história que depois foi adaptada para se transformar naquilo que conhecemos como mensalão.

As candidatas foram cuidadosamente selecionadas para essa pesquisa pelo Oráculo do Milênio, de forma que são inquestionáveis - ainda assim, abrimos espaço para outras opiniões, igualzinho à Folha.  O critério para definir quem é morena é aquele correto: pessoa de cabelos negros ou castanhos - gente clara de cabelos castanhos claros são morenos claros, e é simples assim.  Mulatas são mulatas e negras são negras, não "moreninhas", já que somos contra o uso do termo "moreno" como eufemismo pra negro.  Dessa forma, Sheherazade é morena, convivam com este fato.

Rachel Sheherazade é uma espécie de Cantanhêde de canal ruim de TV, só que com menos brilho, elegância e charme.  Tá, talvez não seja uma espécie de Cantanhêde, pra não ser injusto, mas são definitivamente da mesma espécie - a nossa.  Ou talvez seja um tipo de "She-Datena".  É, é isso.  Palmirinha entra como um convite à diversidade na página de opinião da Folha, jornal tão eclético e imparcial, com espaço pra todo mundo e todo tipo de opinião, até aquelas que não têm nada a ver.  E a Mulher Samambaia tá aí pra quem acha que beleza é fundamental e nem acha que a Cantanhêde precise de uma parceira tão convencional, no sentido jornalístico da coisa.  Cristiana Lobo é a escolha do leitor tradicional, e seria também uma chance da Folha se vingar das organizações Globo, levando uma de suas morenas mais destacadas.  Sem mais delongas, eis a enquete que elegerá a próxima morena da Folha!


A disputa será acirrada.  Qual dessas será a nova morena da Folha?  Votem!!

Pra quem não está a par da função da loira da Folha: trata-se de uma das colunistas mais importantes do jornal, publica na segunda página (opinião) às terças, quintas, sextas e domingos.  Ou seja: fica na frente, liderando a coreografia do jornal.  A morena teria função similar: ficaria na frente do jornal exibindo suas exuberantes opiniões, refletindo a alma do conjunto.  Cumprindo seu papel de jornalista indignada, escreveu revoltosas 10 colunas desde o dia 20 de julho de 2014, data na qual a Folha publicou o escândalo da construção do aeroporto nas terras do tio-avô de Aécio.  Abordou o tema em quase uma delas - a Folha não pode ser acusada de parcialidade.  Pra entender o papel da jornalista-estrela da Folha e votar em sua morena de forma consciente, aqui vão links de todas as 10 são do naofo.de, acompanhadas de um pequeno (médio ou longo) comentário, cliquem à vontade, sem dar audiência ou usar a generosa cota de 10 reportagens que a Folha te dá todos os meses.  Aviso que nenhuma vale tanto a pena assim, e estão aí mais pra provar que eu não tô mentindo nas análises e sinopses - já que todo mundo mente, de vez em quando.


20/07/2014: Gastando cartuchos

Cantanhêde destaca a rejeição de Dilma como o dado mais importante aferido na última pesquisa Datafolha, o que talvez a impedisse de vencer no segundo turno (o instituto aponta a vitória no primeiro turno).

22/07/2014: Pega ladrão!

Passada a copa e deglutida a boa organização, Cantanhêde declara que é hora de deixar de oba-oba e voltar a pensar na bosta do país, em todas as suas bostas e de que bostas acusaremos Dilma, Lula e a bosta do PT . É tanta bosta que ela não sabe nem dizer quantos gringos foram vítimas de roubos:

"Não sei quantos latino-americanos ficaram sem dinheiro e documentos para voltar, mais de 12 mil argentinos foram vítimas de roubo/furto no Rio e, segundo levantamento do site G1, os furtos em trens, metrôs e ônibus em aumentaram 379% em São Paulo em relação ao ano passado.  Imagine fora deles!"

Bom, aparentemente ela sabia.  Mas quantos roubos ocorreram fora dos trens/metrô/ônibus, hein, hein?!? Eu nem imagino.  Ela é jornalista, talvez possa apurar.


Eliane Cantanhêde aborda, en passant, o Aecioporto.

Em sua única coluna sobre o tucano, Dilma é assunto em cinco dos sete parágrafos, Campos em dois deles.  Para a colunista, enquanto "o TCU livra a cara de Dilma", Aécio e Campos "resvalam" em questões éticas.  Aécio "entrou na berlinda por 'reagir mal' às perguntas inconvenientes".

Fiquei preocupado com o parágrafo final do texto, possivelmente escrito sob abstinência de alguma droga para tratamento de transtornos dissociativos (não tomem essas porras, depois dá nisso):

"E a economia, a mão pesada estatal, o desajuste do setor de energia? Ah! Isso é coisa para a 'elite branca'."

Hein?

25/07/2014: "Anão diplomático"

A jornalista concorda com a posição brasileira, mas não sem antes dar uma coçadinha em sua glândula conservadora, só pra aliviar o comichão.

"Depois de três anos e meio de uma política externa dorminhoca, o Brasil deu um pulo da cama, tomou-se de brios e partiu pra cima de Israel."

27/07/2014: Salve-se quem puder

Sobre a rejeição do mercado à Dilma, Cantanhêde concorda que é uma análise arriscada, embora levada a sério pelas campanhas - é verdade.  Explica o processo: se a previsão de crescimento cai, a crença na vitória de Dilma cai e as bolsas sobem.

O terceiro parágrafo faz o serviço de reacender a rejeição das elites à presidente: o PT utiliza esse dado para reforçar, aos pobres, que rico não gosta da Dilma.

No final, lembra o nível de rejeição da presidente no país (35%, meio normal pra quem governa) e de 47% em SP, que vive uma espécie de esquizofrenia no plano local, com altos índices de aprovação a um governador que faz uma gestão, digamos, problemática (PM, escolas, USP, água, corrupção no metrô, etc).

Mas...e o Lula?  Mais uma vez a jornalista brilha na frase final:

"Aliás, Lula? Vai passar incólume por essa imensa onda de rejeição?" 

29/07/2014: Dividindo os erros

Nham-nham-nham!!! Sabatina da Folha com a Dilma, prato cheio e no dia seguinte é dia de feijoada - que em São Paulo se come também nas quartas.!

Dilma arranja desculpas para a economia.  Dilma erra ao dizer que o pessimismo afeta a economia, que é feita de expetactivas, quando na verdade "a economia é calcada, não em impressões e em manifestações de ruia, mas sim em dados concretos feitos por especialistas - do Banco Central e da área econômica, além da indústria e de agências de avaliação."

Aqui, peço licença para me alongar mais e "enseriar" a coisa.

No dia 22 de julho, a Folha publicou a seguinte reportagem: "Humor piora e deixa abaixo de 1% previsões para o PIB"

A previsão do boletim focus, uma pesquisa de mercado feita ou encomendada pelo Banco Central, caíra para 0,97%.

A Folha foi atrás de investigar, lógico.  E listou as razões que motivaram os economistas a refazerem suas projeções:

1) Queda na produção industrial.

2) Vendas do comércio (err...essas subiram em maio, mas "só porque foram puxadas por alimentos, móveis e eletrodomésticos".  O que tinha que subir, com o perdão da ignorância? Se a venda de adubos, canos de PVC e material de festas infantis tivessem subido valia?

3) menor criação de vagas formais no primeiro semestre desde 2008.  Foram criadas 588.671 vagas contra 397.936 naquele ano.  Bom, foram criadas mais vagas, certo?  Nesse ritmo (o pior de Dilma), seriam geradas, em seu governo, 4.709.368 vagas.  Até junho foram geradas 5.052.710 vagas.  Isso no meio da crise mundial e levando em consideração que o nível de desemprego continua baixíssimo, com um número de pessoas que nem estão procurando emprego porque optam por estudar, etc, etc, etc.  FHC gerou, nos seus oito anos, 5.016.672, numa média semestral de 313.542 vagas/semestre.  Imagine como estaria o humor dos economistas se estivéssemos assim?

4) cai a confiança da indústria;

5) cai a confiança do consumidor.

Sou só eu, ou das cinco razões apontadas apenas a primeira é uma razão real negativa, mensurável de fato?  2 e 3 são dados positivos, 4 e 5 são, bem.....expectativas - e com variação pequena.  Há ainda dois outros indicadores, que são meros desdobramentos da produção industrial, portanto, mais do argumento 1.

Sobre isso é só.

31/07/2014: Profecias e realidade

Neste dia Cantanhêde nos explicou a realidade.  É uma coluna meio sem sal, como deve ser a realidade, apesar dos temperos da jornalista.  Deixo só a  frase final, pra dar o gostinho:

"O empresário sabe distinguir 'profecia pessimista' de constatação."

Sim, pudemos observar na coluna anterior...o mau humor provocado pelos fatos reais, e não pelas "profecias pessimistas"  Ah, o empresariado brasileiro, esses sábios!  Aqui um deles, indignado feito um paulistano:


Ou só valem os grandes?  Tipo o pai desta criatura:

Sim, eu entendo a falácia do espantalho, mas é só uma aparente: vejam o que eles concluíram dos dados apresentados no quadro da Folha.  E você?  Olhe aqui.  Talvez não seja justo usar esses dois exemplos só porque a esmagadora maioria deles é mais parecida com isso aí do que com um Bill Gates - este, um conhecido petralha maldito.

01/08/2014: E o Lula, hein?

Pois é, e o Lula, hein?  Essa coluna demonstra a capacidade de leitura de Cantanhêde: dias antes ela perguntou "e o Lula".  Não tardou para que o assunto aparecesse na mídia.

Como diz o Gabriel, Lula é responsável, entre outras coisas, pelos empregos desses colunistas - ou pelo menos pelo aumento na repercussão destes.  Antes do Lula ninguém lia gente como Azevedo, Constantino...até Olavo de Carvalho, cujo conhecimento era ostentado apenas pelos reaças mais ávidos e debochado por um pequeno setor da esquerda (eu já conhecia - rá!) publicou um livro com direito a estardalhaço e gente neo-politizada compartilhando nas redes sociais.

Como ninguém respondeu a pergunta feita no dia 27  (op. cit.), Cantanhêde se responde: Lula inventou Dilma e Haddad.  Se a aprovação dos dois está em baixa, não seria natural que Lula fosse atingido?

Ela não sabe: "Será?"




Cantanhêde (e toda a mídia) ficaram espantados ao descobrir que pessoas se preparam e combinam respostas em CPIs.  Pior: há uma orientação política nisso.  Pior: parlamentares "amigos" pegam leve com gente que, caso pegassem pesado, poderiam comprometer.

Desenho do Gabriel, feito originalmente para
este post. Tem alguma relação com isso aqui.

Jânio de Freitas, em coluna publicada neste mesmo dia "responde":

"Perguntas de aliados do depoente, em CPI, jamais, em qualquer tempo e em qualquer país, fugiram a este princípio: destinam-se a ajudar o depoente. Nem teria sentido que fosse o contrário entre aliados. Tal princípio explica, por exemplo, o motivo das lutas pela composição das CPIs sérias, o que não é o caso das duas simultâneas a pretexto da Petrobras –dose dupla cujo despropósito denuncia a sua finalidade de apenas ajudar eleitoralmente a oposição.

De aliado para aliado, nem o improviso em indagações surpreende o indagado. Mesmo que sugerido por uma situação de momento, segue as instruções já dadas pela liderança ou as combinações na bancada. Mais ainda, as perguntas e respostas previamente ajustadas, entre inquiridor e depoente, sempre foram e serão condutas lógicas e, pode-se supor, as mais frequentes entre correligionários nas CPIs. Assim como fazem todos os advogados ao preparar seus clientes para depoimentos policiais e judiciais.

O escarcéu em torno do jogo de parceiros, entre inquiridores governistas e depoentes da Petrobras, é o escândalo da banalidade. Bem conhecida de jornalistas, que provavelmente vão explicar qual é a fraude existente, e a que tanto se referem, na colaboração de condutas sempre vista por eles nas CPIs. A explicação é conveniente por ser bem possível que a fraude não esteja na conduta de integrantes da CPI, mas em outras.

Este e os demais capítulos do caso Petrobras, à margem da importância que possam ter ou não, ficam na mastigação de chicletes por estarem nas mãos da oposição mais preguiçosa de quantas se viu por aqui. As lideranças do PSDB e do DEM ficam à espera do que a imprensa publique, para então quatro ou cinco oposicionistas palavrosos saírem com suas declarações de sempre e com os processos judiciais imaginados pelo deputado-promotor Carlos Sampaio. Não pesquisam nada, não estudam nada, apenas ciscam pedaços de publicações para fazer escândalo. Com tantos meses de falatório sobre Petrobras e seus dirigentes, o que saiu de seguro (e não é muito) a respeito foi só por denúncias à imprensa. Mas a Petrobras sangra, enquanto serve de pasto eleitoral."

Depois vem esse Lula descolando um emprego pra Nora no Sesi!!  O Sesi, segundo a Wikipedia é "uma rede de instituições privadas brasileiras".  Pelo nome parece ter algo com a indústria...a ousadia do presitralha (*)!!  Como pode , onde já se viu?  E esses industriais, que além disso doaram até dinheiro pras campanhas todas?

Sabe onde é foda, mas foda mesmo arrumar emprego pra parente?  No âmbito público.  E sabem que grupos/partidos são craques nisso aí?

Bão, dos nossos 594 parlamentares (513 deputados e 81 senadores), 280 vêm de famílias de políticos - tem tudo nesse infográfico.  O ranking por partido, em % dos membros que vêm de "clãs" políticos:

DEM: 67%
PMDB: 66%
PP: 63%
PTB: 58%
PSC: 50%
PSDB: 49%
PSB: 48%
PR: 44%
PDT: 37%
PPS: 36%
PV: 31%
PCdoB:24% 
PT: 22%

Imaginem a quantidade de assessores e gente empregada através do nepotismo cruzado?  Há ainda uma diferença qualitativa.  Marta e Eduardo Suplicy entram na conta porque foram casados.  Acontece que ambos construíram carreiras políticas independentes...Marta não se elegeu senadora porque foi "esposa do Suplicy".  O mesmo ocorre com Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo.  É meio diferente de um certo senador mineiro, candidato à presidência da república, filho de deputado, neto de ex-presidente (o outro avô foi secretário estadual de JK) e primo de senador de outro estado.  Diferente, né?

Imaginem se a imprensa verificasse essas coisas com a mesma intensidade pros dois lados?  Imagina na Copa?

*Curtiram, amiguinhos do bem?  É "presidente + petralha", mas pode ser entendido como "presidente dos petralhas" ou "presidente-tralha".  Usem isso aí.

05/08/2014: Tudo embolado

O empresariado nacional - mais especificamente os industriais - se vingam da presidente cortando doações.  Sem citações aqui, coluna meio óbvia: tudo vai mal, obrigado.

Agora...e a veja, hein?



Tem que ter lido pra entender, certo?


Nota 1: ao menos parte da equipe de redação de Wilbor se Revolta entende que a pesquisa pode ser interpretada como machista ou de mal gosto.  Consideramos, porém, que da mesma forma que Constantino e Pondé podem ser alvo de comentários em função de sua busca por um macho que os satisfaça (em função disso e disso), a brincadeira é pertinente -  e as duas fazem dupla na Globonews - canal da Rede Globo, essa sim, com um quadro de mau-gosto chamado "as meninas do Jô", como se fosse muito exótico mulher comentar política.  Nossas sinceras desculpas à Palmirinha, um doce de velhinha que faz doces e à Mulher-Samambaia, sobre a qual não sabemos absolutamente nada.

Nota 2: Pouca gente vai acreditar, mas eu não sabia quem era a Mulher Samambaia.  Eu pensei no nome, achei conveniente, e fiquei torcendo pra que fosse morena, antes de consultar o Oráculo do Milênio.



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Utilidade pública

Seus problemas acabaram!

Ler Reinaldo Azevedo, Olavo, Constantino, Pondé e cia é dose.  Punir os amigos com o compartilhamento desses sujeitos é ainda pior, meio equivalente a dar de presente um saco (de papel) cheio de fraldas sujas, mas em tempos de eleições, às vezes é importante denunciar a manipulação da opinião pública.  Eu não costumo passar adiante textos dessa gente do bem, pra não disseminar desinformação, intolerância, preconceito e também para não dar audiência a esses porras.  Esses caras (ou as empresas que os contratam) vivem de verbas de publicidade, e a medida da visibilidade é dada em pageviews.

Acabei de descobrir - depois de ter visto algumas vezes - o "naofo.de - encurtador higiênico de chorume":

naofo.de

Na home do site, a descrição do serviço:

"O naofo.de é um serviço de compartilhamento/encurtamento de URLs com propósito de denúncia/comentário crítico. Em vez da página original, a URL encurtada direciona para uma cópia (em imagem) do conteúdo, de modo que não se aumentará o tráfego ou o pagerank da página em questão. Além disso, a cópia ficará disponível mesmo que a página original seja tirada do ar."

O resultado é uma página com a imagem do site.

Pra gerar uma página, basta pegar a URL original, como essa coluna da Eliane Cantanhêde - a loira da Folha:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/elianecantanhede/2014/07/1490921-anao-diplomatico.shtml

E passar pelo naofo.de

E voa lá (lá onde, né?):

http://naofo.de/1410

Pros amigos reacinhas, digo, politizados: esbaldem-se fazendo o mesmo com os blogues comunas, tá?  Só não vale fazer isso no Wilbor se Revolta, o blog mais aclamado pela autocrítica do país...afinal, os autores gostariam de viver disso.