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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Brasil, país jiujiteiro



Um amigo achou essa imagem sei lá onde. Meus pensamentos*:

1. quem acha que o braço do Bolsonaro é assim nunca viu os vídeos dele fazendo flexão com batalhões da PM por aí;

2. sou partidário de abrigar o Bolsonaro numa jaula temática do Aquário de São Paulo, com esse cenário aí: umas ruínas em chamas, bandeira do Brasil e o bicho segurando o fuzil;

3. tenho uma sensação muito nítida de que o eleitorado do Bolsonaro é maior entre o público do UFC - tirando por algumas pessoas no meu face que fui encontrando nas comunidades de apoio à candidatura dele...vamos chamar de amostra qualitativa;

     3.1. a opção da Globo por promover o UFC como esporte nacional e, antes disso, o próprio sucesso do Jiu-Jitsu brasileiro aliado à carência nacional de ser foda em alguma coisa, talvez tenha criado essa nova imagem do machão brasileiro: os caras que querem quebrar tudo e acham que a solução do Brasil é ter um presidente que vai resolver tudo na porrada (ignorando o fato de que no fundo o cara é um corrupto E um fracote).

Viva a capoeira!



*ruminações livres de qualquer rigor acadêmico.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Metrô-SP: a gente vê por aqui

TODO MUNDO quer que o metrô funcione por mais tempo na cidade de São Paulo, se possível, que funcione 24 horas por dia.

Eu frequento estádios, pra ser específico, vou ao Morumbi com muita frequência.  Por lá ainda não tem metrô (muito em função do jogo político que tirou a Copa do Morumbi e atrasou a construção de uma linha que atenderia não só os torcedores, mas um bom pedaço da cidade, incluindo aí a comunidade de Paraisópolis, maior favela de São Paulo, onde vivem 43 mil pessoas que trabalham e seriam muito beneficiadas com a chegada de uma linha de transporte público de massa.

Cansei de sair dos jogos cinco, dez minutos mais cedo, uma vez que os jogos das 22 horas acabam perto da meia-noite, horário de encerramento do funcionamento do sistema de transporte público na cidade - incluindo os ônibus.  Já voltei a pé pra casa muitas vezes, caminhada de cerca de uma hora.

O metrô não funciona 24 horas principalmente porque é necessária uma pausa para manutenção do sistema (verificação dos trilhos, sistemas, estações e trens.  Essa manutenção ocorre entre 1:00 e 4:00.  Do jeito que é, já convivemos com um sistema que falha com uma certa frequência, acarretando prejuízos para toda a cidade.

O problema do encerramento das atividades do metrô para os torcedores que frequentam os estádios paulistanos ficou evidenciado após a copa, quando, de repente, "perceberam" que as pessoas não conseguiriam voltar de Itaquera, a última estação da linha vermelha.  Pra quem não sabe onde fica, explico: é longe pra C******.  Daqui de casa, ponta da linha 4, uma hora de metrô.

Fazer com que o metrô funcione até mais tarde é ótimo, mas isso demanda dinheiro, pois é necessário que se contrate mais pessoas para que a manutenção possa ser feita de forma mais ágil.  Pouquíssimas cidades do mundo contam com metrô 24 horas.  Das que eu consigo me lembrar, por ter acompanhado, durante a construção da linha 4, os fóruns sobre metrôs do mundo, só Nova Iorque.  Lá a rede é muito mais extensa e há um sistema de carros que percorrem os trilhos os dias todos, para detectar problemas nas vias.  A limpeza deixa a desejar.

O metrô de São Paulo é limpo, mas como todos sabemos, é um dos sistemas mais caros do mundo.  A construção das novas linhas segue a passos de tartaruga...contamos, atualmente, com 75,5km de trilhos.  O sistema foi inaugurado em 1974, o que dá uma média de 1,88km/ano.  Na gestão PSDB, a média é ainda mais esdrúxula: 1,56km/ano.

Ontem foi anunciado, pelo governo estadual, que em dias de jogos que começam às 22 horas, o metrô funcionará até 00:30.  Essa alteração foi definida visando beneficiar a Rede Globo.  Isso ocorre porque a emissora define os horários dos jogos, e para não ter que alterar o horário da novela das nove (não era das oito antes?), maior audiência da emissora.  Uma alteração na grade do horário nobre da globo tem alto impacto no orçamento da emissora, uma vez que a TV vive de anunciantes.  O horário das novelas não é definido à toa.  Antes da novela, outro campeão de audiência: o Jornal Nacional.

E a população de São Paulo com isso?  Quem paga pela manutenção e implantação do sistema metroviário é a população paulista (com seus impostos) e a paulistana (passagens).  Como o monotrilho (Linha-17) tem aporte de verbas federais, tem dinheiro dos contribuintes do país todo no metrô-SP.

Repito: ninguém é contra o funcionamento do metrô por mais tempo.  Agora, alterar o funcionamento do sistema para evitar o prejuízo da maior emissora de TV brasileira é um absurdo.  Esse jogo de favorecimento entre PSDB/Globo ocorre regularmente, mas em ano eleitoral as coisas ficam ainda mais claras.

Finalmente: ainda que fosse possível o funcionamento do metrô por 24 horas sem custos adicionais, obrigar os torcedores a iniciar sua volta pra casa após a meia-noite, num dia de semana é um absurdo, especialmente numa cidade do tamanho de São Paulo.  No meu caso, se eu entrasse no metrô, na estação Itaquera às 00:30, chegaria em casa quase 2 da madrugada.  Os jogos precisam começar mais cedo, e é um desrespeito que o poder público permita que os interesses financeiros de uma TV se sobreponham ao interesse dos cidadãos.

Bom mesmo é depois ouvir, na mesma TV, discursinhos reclamando do baixo comparecimento da torcida nos estádios.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

UFC, a Rinha Humana. É da Globo, claro!

Aconteceu em dezembro.

Num sábado qualquer, resolvi sair com um casal de amigos.  Após rodar por uns 40 minutos pela lotada Vila Madalena, finalmente encontramos um boteco pra sentar...chegamos muito tarde, quase meia noite, e os bares que seriam as primeiras opções naturais estavam lotados.  Acabamos no tal "Boteco Santa Laura".

O preço a pagar por sentar em um lugar aleatório pode ser qualquer um.  No nosso caso, em pouco tempo percebemos que iria rolar um pagode.  Antes disso, porém, teve outra coisa: era dia de UFC.  O áudio da TV estava num volume ensurdecedor, muito mais alto que o do grupo de pagode, que tocava entre mas lutas.  Durante as lutas, urros, socos nas mesas, e muita gente falando sobre o assunto.  Honestamente, eu nem sabia do que se tratava.

Resumindo, a noite foi um lixo: quando não estava rolando o maldito pagode, era a ensurdecedora transmissão da Globo e gente gritando.

O episódio relatado acima foi o que deixou claro pra mim que o UFC está, de fato, se tornando uma coisa muito popular no Brasil.  A receita é a seguinte: a Globo transmite, o Brasil tem um bom número de lutadores de ponta e o "esporte" é simples o suficiente para que todos entendam.

O fato de que a Globo resolveu dar destaque ao UFC provavelmente fará do Brasil o maior mercado do UFC...no exterior, essas lutas são transmitidas no sistema pay-per-view, o que as torna um pouco mais restritas.  Já temos lutadores alçados aos postos de ídolos nacionais, e Galvão Bueno na narração certamente acrescenta o ingrediente que talvez ainda faltasse na mistura: o ufanismo desmedido e desvairado.  Agora, vemos pessoas discutindo UFC nos ônibus, na padaria, nos bares, como acontece com futebol e novelas - aliás, os principais produtos da Globo...só pra dar uma idéia, o futebol dá tanta grana pra Globo que ela paga, só para Corinthians, Flamengo e São Paulo, 280 milhões de reais por ano!  E o UFC tem tido quase tanto destaque da emissora quanto o futebol...o que isso quer dizer?

Ainda não reuni todas as razões, não pensei tanto sobre o tema, mas esse fenômeno UFC me desagrada.  Algumas das razões:

1) Esporte?

Imaginem a seguinte cena: Mike Tyson nocauteia um adversário com um direto no queixo.  Assistimos a isso muitas vezes, certo?  Agora, imaginem isso: Tyson acerta um direto no queixo de um coitado.  Esse cara cai, pronto para ficar no chão, desacordado ou com dificuldades para se levantar.  Quando se dá conta, Tyson está caindo em cima dele, e acerta mais quatro socos contra sua cabeça desprotegida.

Não sei se posso afirmar que o MMA não é um esporte, mas acho que, pelo menos do ponto de vista "olímpico", não é.  Artes marciais fazem parte da cultura humana, e eu não tenho nenhum problema com a existência delas ou do próprio MMA (mixed martial arts).  Quem quiser apanhar, que apanhe.  Agora, penso que quando se pretende popularizar uma prática que frequentemente se assemelha mais a um espancamento, e permitir que crianças assistam, é preciso ter condutas mais "humanas".  No UFC o espetáculo certamente é muito mais importante que o bem-estar dos lutadores.  Isso fica claro em várias lutas em que o juiz permite que um lutador continue aplicando golpes contra a cabeça de um adversário já no chão, nocauteado por uma porrada muito forte.  Eventualmente eles interrompem a pancadaria, mas 4 socos com muita força contra uma cabeça desprotegida podem causar muito dano.  Talvez se não fosse permitido nocautear no chão, sei lá...o fato é que as regras do UFC - ou a falta delas - são feitas em função do gosto do freguês, que está ali para assistir a uma verdadeira rinha humana.

2) Mau exemplo para as crianças:

O futebol sempre foi o esporte mais popular do Brasil.  Apesar de termos péssimos exemplos, a  maioria dos jogadores não são violentos.  Nem mesmo a maioria dos torcedores das organizadas são pessoas violentas, o que não impede que episódios terríveis ocorram.  Dificilmente um jogador muito violento se torna ídolo no futebol, e torcedores violentos são vistos com reprovação.  Não me agrada ter, ocupando os postos de ídolos nacionais, lutadores de MMA.  Ter um Galvão Bueno incendiando um público, falando que fulano representa o Brasil, é uma tristeza.  Por mais que esses lutadores tendam a se cumprimentar no fim das lutas e ter uma postura de bons moços, alguém consegue ver algo de positivo em um menino de 6 anos ter o Anderson Silva como grande ídolo?

Achei um vídeo que ilustra o que quero dizer:



Pelo que entendi, os pais desse menino, ou os responsáveis por ele, acham uma gracinha que ele esteja esmurrando o marmanjo sentado em cima do saco de areia.  O menino tem as próprias luvas - bem pequenas - e vai com tudo.  O cara que tá apanhando deve estar acostumado a isso, talvez seja um lutador, sei lá...mas socos no nariz, mesmo de um menino tão pequeno, podem machucar.  O cara vai instruindo a criança a socar de frente, deve ensinar outras coisas...pergunto: esse menino tem discernimento para não socar os coleguinhas na escola?  Ele é mais ou menos propenso a brigar?  Ele tem ou não um potencial maior de machucar de verdade uma outra criança, dessas que brigam puxando cabelos, dando tapas ou soquinhos?  Tá, faz muito tempo que os pais colocam os filhos em aulas de judô e karatê, mas essas modalidades tem regras muito mais rígidas e um controle disciplinar maior.  Judô não envolve pancadas e karatê nunca se notabilizou pelas transmissões em rede aberta, onde lutadores sangravam até serem nocauteados.  Nunca tivemos esse exemplo.

Ainda na questão do exemplo para as crianças: imaginem o pavor dos professores da rede pública em dez anos?  Se hoje já são comuns os relatos de professores sofrendo ameaças e violência dentro de sala de aula, imaginem com uma geração "escolada" em MMA?

3) Mau exemplo para adultos:

Um texto do Ricardo Perrone, jornalista esportivo, me chamou a atenção.  Um novo fenômeno está começando dentro do UFC: lutadores que se relacionam com clubes de futebol.  Os caras ganham as lutas e ostentam bandeiras de times, camisas, fazem declarações para provocar torcidas adversárias, etc...

O tal do Anderson Silva, corintiano doente (como todos), depois de nocautear um outro fulano no Rio, recebeu vaias, justamente por representar o Corinthians.  Num momento de brilhantismo, resolveu que a coisa certa a fazer seria uma provocação aos flamenguistas.

A frase síntese do texto do Perrone é a seguinte:

"Se com o Kléber dando um drible no Alessandro corintianos e palmeirenses já acham motivo pra se matar, imagine com um alvinegro espancando um palmeirense no ringue."

A última coisa da qual precisávamos era essa: que num país já tão desmiolado quanto o nosso, onde se acha ok beber e dirigir, onde se bate muito nas mulheres, onde brigas de trânsito terminam em morte, tenhamos um monte de gente acompanhando os combates em bares, enquanto enchem a cara de álcool.

Ainda vai acontecer de um sujeito sair de um bar e espancar um flanelinha com golpes de Muay-Thai; bater o carro, nocautear o outro motorista, chegar em casa, ouvir um monte da mulher e destroncar o braço da coitada "Muié chata, sô!"

Enfim, não sou contra a existência dos eventos de MMA, embora não os aprecie e não considere um esporte, mas apenas um espetáculo de violência gratuita.  Mas gostaria de ver essa febre passar.  Se a Globo permitir.



**Atualizado em 07 de novembro de 2013, só pra adicionar este link:

http://www.dailymail.co.uk/news/article-2487527/Inside-world-child-cage-fighting-Boys-trained-attack-MMA-arenas.html

Bárbaro, não?

domingo, 4 de julho de 2010

ofensa gratuita

Para que a minha afirmação de que a nata do jornalismo nacional se concentra nas redações esportivas não ficasse sem respaldo, a Globo, através do canal Sportv colocou no ar uma das matérias mais absurdas de que se tem notícia.

A reportagem fala sobre a participação paraguai na Copa, muito digna, diga-se de passagem.  A princípio, as piadas com o Paraguai comçaram com a promessa da modelo Larissa Riquelme de fazer um strip-tease em mcaso de classiicação para as semifinais do mundial - o que, ao contrário da promessa de Maradona, certamente aumentou o contigente de torcedores do selecionado guarani.

              Larissa Riquelme, à esquerda, torcendo por sua seleção em Assunção

Bom, até aí vá lá...a promessa da modelo obviamente chama a atenção, seria natural que a imprensa veiculasse e explorasse a situação.

O problema, é que, durante a reportagem, segue um festival de ironias e piadas que ridicularizam a cultura paraguaia: paisagens, cidades, gastronomia, moeda nacional, música...coisa de muito mal gosto mesmo, lamentável.  O vídeo tá aqui embaixo:


Exceção talvez feita aos programas humorísticos, pra mim é realmente difícil entender que um repórter viaje a um país para fazer uma matéria dessas...não que seja proibido, mas o cara pegou pesado e nem é engraçado - aliás, o jornalismo esportivo está numa fase em que há muitos repórteres engraçadinhos.  Mais difícil ainda é lembrar que certamente existe alguém na Globo responsável por verificar se tal coisa poderia ou não ir ao ar.  Os gênios responsáveis por tal estupidez certamente acreditam que se tratava de uma piadinha inocente, incapaz de ferir o orgulho de um povo justamente em um período em que os "orgulhos nacionais" estão tão em alta, depois da melhor campanha da história do Paraguai.

Hoje, o principal jornal do país publicou nota em repúdio à reportagem da Sportv, que deveria, no mínimo, pedir desculpas públicas.  Pra quem quiser ler a nota do La Nación, o link está aqui.

E pra quem ficou triste com a desclassificação paraguaia antes das semis, Larissa prometeu que fará o Strip mesmo assim, como "consolo" aos jogadores que de fato foram muito esforçados.


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Copa do Mundo, futebol, política e mídia

Andei segurando uma postagem sobre a copa - ou sobre as copas, já que abordarei 2014 também.  A competição, em si, é muito dinâmica e multitemática, e para evitar ficar remendando o post tinha resolvido esperar pelo fim, com o título ou a eliminação do Brasil.  Já vou avisando: esse é um post longo, dividido em 3 seções.  Pensei em postar os temas separadamente, mas para não colocar uma série de futebol, concentro tudo pem dois posts.  Esse, mais longo, e um outro, com a análise de um livro que trata de futebol e sociologia.  Vamos lá:

Copa do Mundo 2010, África do Sul: Dunga x Mídia

Para um técnico que assumiu a seleção sem jamais ter dirigido um clube sequer, podemos dizer que se saiu muito bem.  Foi campeão da Copa América com um time "B", da Copa das Confederações, meteu um 6 x 2 em Portugal no seu momento mais difícil, em 2008, se classificou em primeiro nas eliminatórias Sul-americanas mais difíceis da história (basta ver que dos 8 quadrifinalistas, 4 eram do continente).

Ao contrário de 2006, quando o sentimento geral era de indignação, dessa vez a derrota foi bem mais fácil de aceitar.  Perdemos porque isso acontece no futebol, porque falhamos em campo e porque a Holanda tem um belo time.  Aliás, essa foi a eliminação de copa que menos me ofendeu na vida:

1986: minha primeira Copa do Mundo: time com muitos ídolod (Careca, Silas, Sócrates, Muller), primeira camisa da seleção e derrota nos penaltis pra França - primeiro chororô por conta de futebol;

1990: seleção horrível, mas com derrota para a Argentina - muito duro de engolir

1998: derrota na final, novamente a França, com a absurda situação de Ronaldo Gordo jogando após uma convulsão;

2006: primeira seleção Big Brother da história.  Para detalhes, vejam o post de 2006 aqui.

Dunga chegou na seleção para moralizar a coisa.  Se em 2006 a imprensa criticou a bagunça da concentração, os treinos abertos ao público, as farras, a intromissão de patrocinadores na escalação e sua presença constante no ambiente da seleção; dessa vez critica o rigor de Dunga com a imprensa, a clausura dos jogadores, a dificuldade de acesso dos patrocinadores aos atletas...vai entender?

Só sei que Dunga, ao peitar a Globo, contando-lhe vários privilégios e deixando Ana Paula Padrão com cara de tacho ao negar uma entrevista exclusiva, conquistou a torcida.  A pesquisa do Datafolha divulgada hoje dava a aprovação de Dunga em 69% - Lula ainda ganha, com 78%.

Resumo da ópera: o torcedor não fez e não faz questão de ver a seleção transformada em um Big Brother - ainda que se tal produto lhes for oferecido, como bem sabe a Globo, será prontamente digerido.

O fato mais curioso de todos foi a reação da Globo após os xingamentos de Dunga em uma coletiva, dirigidos a Alex Escobar: "besta, burro...cagão de merda..."

A reação da Globo foi imediata: uma nota oficial foi lida no Fantásico, depois repetida no canal Sportv.  Esse fato gerou uma verdadeira união nacional pró-Dunga e anti-Globo.

Estranhamente, não vi um único jornalista atacando a Globo por sua postura arrogante, de dona da seleção.  Ao contrário: alguns se calaram, outros passaram a atacar Dunga, na árdua tarefa da defesa da Liberdade de Imprensa, então sob ataque do intelectual técnico gaúcho.  Típico da imprensa nacional, concordam?  Confundir Liberdade de Imprensa com abuso irrestrito da condição de formadores de opinião.  Um cara que não concorde em ser humilhado e achincalhado, simplesmente porque resolveu isolar o time do assédio da mídia (fato tão criticado em 2006, pela própria Globo), certamente está atacando o instituto da Liberdade de Imprensa, consquistada de forma tão árdua pelos jornalistas esportivos (a nata da classe) depois da redemocratização.

Enfim, pra fechar esse primeiro assunto: achei positiva a passagem de Dunga pela seleção e dessa vez a desclassificação não me deu raiva alguma...pelo menos nada que passasse de uns 30 minutos de tristeza ao ver imagens de crianças chorando - coisa que me remete à minha própria infância, nas derrotas de 86 e 90.

Copa do Mundo 2014, Brasil: porque não?

Aqui eu entro numa dicussão não muito comum para a grande maioria dos leitores desse blog - acho.  Boa parte dos brasileiros acompanham futebol de em 4 anos, outros, como eu, acompanham o futebol diariamente.  Quanto a isso, escreveu ontem Luiz Fernando Vianna, colunista da Folha:

"Já se disse que a Copa do Mundo é um evento feminino. Homem gosta mesmo é de Bonsucesso x Quissamã, poderia escrever Xico Sá."

Não é verdade, claro, mas a piada é ótima.

Voltando ao assunto: há uma divisão entre os que defendem a realização da Copa no Brasil em 2014 e os que criticam.  Faço parte da primeira catgoria, e gostaria de explicar:

O futebol, gostem ou não, faz parte da cultura brasileira.  Melhor: faz parte da formação social do povo brasileiro, e a respeito disso, muitos grandes sociólogos e pensadores brasileiros já escreveram.  O melhor livro sobre o tema, curiosamente, foi presente do Gabriel - cabra macho, com certeza, mas que, até onde sei, faz parte do público bissexto do esporte nacional.  Piadas à parte, o livro se chama "Veneno remédio: o futebol e o Brasil", de José Miguel Wisnick.  Falarei mais desse livro em post separado.

Um dos argumentos contrários à Copa mais comuns é o de que num país com tantas desigualdades e problemas, é um absurdo investir tanta grana num torneio de futebol.  Acho que isso é até mais válido para a África do Sul, com problemas muito maiores que os nossos.  Por outro lado, esse argumento implica em que jamais podemos investir no supérfluo, ainda que algo desejado por toda uma população.  Por esse raciocínio não existiriam churrascos nas favelas ou festinhas de aniversário para filhos de trabalhadores de baixa renda.  Mesmo na África do Sul, com todos seus problemas, o povão adorou a festa e, honestamente, não acho que ficarão mais ou menos pobres por conta disso.

Um estudo feito na Alemanha, por ocasião da Copa de 2006, mostrou que a realização do torneio é responsável por um acréscimo no PIB da ordem de 0,4%.  Esse acréscimo é permanente, e decorre da estrutura permanente e empregos gerados.  No Brasil, estima-se que em ano de Copa, ainda que realizada em outros países, o PIB ganhe um acréscimo de 0,6% - esse dura só um ano mesmo.  Não é pouca coisa.

O outro argumento anti-copa comum é o de que essas obras terão como consequência grandes desvios de verba.  Concordo.  Só que, novamente, por esse argumento, absolutamente nada poderia ser feito no Brasil: a construção de um viaduto, de uma escola, de um hospital oua organização de eventos culturais também implicam em políticos e empresários enriquecendo ilicitamente.  No final das contas, pelo menos com a realização da Copa são criados compromissos de investimentos e obras, que serão acelerados e talvez nunca fossem realizados não fosse o torneio.  Melhor que nada, e além disso, se essas obras fossem feitas por outro motivo, não esperaríamos que houvesse desvios de verbas também?

Enfim, deixa o povão ter a sua copa.

Copa do Mundo 2014, Brasil: PFL & CBF x São Paulo

Bom, aqui o buraco é mais embaixo.  Como sei que a maioria aqui não acompanha o mundo da bola, vou estabelecer algumas premissas:

1. Se podemos achar exagero que corrupção seja um produto de exportação do Brasil, já que não é exclusividade nossa, no futebol é fato: a FIFA e a CBF, através de João Havelange e Ricardo Teixeira são duas das instituições mais corruptas do mundo.

2. Aliados de Ricardo Teixeira tendem a se favorecer.  Inimigos de Ricardo Teixeira são perseguidos.

3. Andres Sanches, atual presidente do Corinthians ficou tão amigo de Ricardo Teixeira que se tornou chefe da delegação brasileira na África do Sul.

4. O São Paulo Futebol Clube votou contra o candidato imposto pela CBF para a presidência do Clube dos 13, entidade que reúne os grandes clubes do Brasil e é responsável por negociar os direitos de imagem junto às emissoras de TV.  É um negócio de R$ 600 milhões/ano.

Pois bem: a cidade de São Paulo, obviamente será uma das sedes da Copa no Brasil.  Não poderia ser diferente, uma vez que é a maior e mais iimportante cidade do país, com a maior rede hoteleira, aeroportos...enfim, é São Paulo.

A cidade de São Paulo dispõe de 4 estádios com capacidade para mais que 25 mil torcedores: são eles o Morumbi (70 mil), Pacaembu (40 mil), Parque Antártica (em reformas, vai para 45 mil, e Canindé (25 mil).  A média de público dos times em campeonatos brasileiros fica próximo dos 13 mil torcedores/jogo.  A cidade conta com 3 grandes clubes (Corinthians, São Paulo, Palmeiras) e a Portuguesa. 

Levando isso em consideração, o município, apoiado pelos governos estadual e federal, decidem que a cidade não deve investir para construir nova arena, pois esta se transformaria em um elefante branco, caso do Engenhão, no Rio. Decidem que o São Paulo Futebol Clube reformaria seu estádio, com recursos privados, e governos tratariam de fazer as obras de infraestrutura (ampliação de aeroportos, trens e metrô).  Ótimo, não?

Não.  De repente, o projeto do Morumbi começou a ser contestado.  O projeto de reforma do Ruy Ohtake não eliminava alguns pontos cegos (o Soccer City, palco da final e abertura da Copa 2010 tem vários assentos com bloqueio parcial da visibilidade).  Ok, empresa alemã contratada, novo projeto.  Eliminação de pontos cegos e nova recusa da FIFA...o centro de imprensa ficava longe demais, cerca de 500 metros (na África do Sul fica a cerca de 1km).  Enfim, as coisas foram sendo refeitas, novos problemas foram aparecendo e no final das contas, o único projeto que agradou foi um que custaria R$630 milhões!!  Soccer City foi construído do zero com menos grana - incluindo, possivelmente, um bom tanto de desvios, coisa que não aconteceria em São Paulo por se tratar de propriedade privada.

Resumo: O São Paulo ofereceu um projeto de 250 milhões de reais, que sequer foi analisado, e a cidade de São Paulo se vê "obrigada" a arrumar outro estádio caso queira receber a copa.  Com isso, a cidade deixa de concluir obras já licitadas, como as estações da segunda etapa da linha amarela, que perdem prioridade e a linha 17 do metrô, que ligaria o aeroporto de Congonhas ao estádio do Morumbi, passando por Paraisópolis, comunidade que pode esperar sentada por uma oportunidade de melhoria no atendimento de transporte público.

Solução do prefeito de Kassab e de Ricardo Teixeira: nova arena, em Pirituba.  Reformulação da expansão do metrô, reforma da estação e investimento de recursos públicos.  O que leva ao último problema: o que fazer com esse estádio depois da Copa, se o São Paulo já tem um, o Palmeiras também, a Portuguesa não tem torcida pra isso e o Corinthians tamb...opa!!  O Corinthians não tem estádio!  Joga no Pacaembu, propriedade do município.  Corinthians não tem estádio, mas tem um presidente amiguinho de Ricardo Teixeira.

E só pra lembrar: enquanto Andres Sanches e Ricardo Teixeira andam namorando, os problemas com o Morumbi apareceram quando o São Paulo votou contra o candidato de Teixeira no Clube dos 13.  Sanches era o candidato à vice.

Agora, adivinhem o que deve acontecer com o Piritubão depois da Copa?  Alguém tem que jogar lá...a resposta não vale um doce.

Lula, corinthiano, afirmou reiteradas vezes que é maluquice contruir um estádio novo numa cidade que tem 3.  O Piritubão deverá custar mais de 1 bilhão de reais - quase a parcela que a  prefeitura investiu na linha 4 do metrô.

Fosse eu prefeito ou governador de São Paulo, colocaria as coisas em seus devidos lugares:

"Ah, o Morumbi não dá?  Sinto muito, a gente não quer gastar 1 bilhão com um estádio desnecessário, mas muito obrigado.  Podem procurar a outra cidade de 20 milhões de habitantes, 3 aeroportos, metrô e rede hoteleira.  Passem bem."

Jamais governarei nada.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Foi bom enquanto durou

Citando o nosso célebre ex-presidente: esqueçam o que eu disse antes.

Hoje li um ótimo texto do Sérgio D´Ávila, falando sobre uma nova "Guerra Fria", protagonizada por EUA e China. A atual batalha está sendo travada agora, no quadro de medalhas das olimpíadas de Pequim.

Permitam-me reproduzir o artigo na íntegra, com alguns grifos:

O verdadeiro conflito

A CELEBRAÇÃO dos povos e a fantasia de harmonia dos Jogos Olímpicos foram atropeladas pela realidade da geopolítica. Geórgia? Quem falou em Geórgia? Estou me referindo a outra realidade, muito mais séria, que tira o sono do norte-americano médio: os EUA foram ultrapassados no total de medalhas e no número de ouros pela China.
Segundo o quadro mais atualizado a que tive acesso, aquele que os sites noticiosos locais estão apontando como se fosse o mural da vergonha gringa, o país-anfitrião está com 35, sendo 22 ouros, ante os 34 dos EUA, com dez ouros.
Como espectador a 11.170 km de Pequim, assisti com curiosidade ao deslocamento aos poucos do foco noticioso do conflito no Cáucaso para o conflito na ginástica olímpica feminina. A questão dominante passou a ser não se o pró-americano Mikhail Saakashvili despertou a hibernação do urso russo, mas se as medalhistas de ouro chinesas tinham mesmo 16 anos.
Jornalista georgiana atingida por um tiro de um franco-atirador russo? É nada diante do fato de que uma das ginastas chinesas era banguela, prova de que era tão nova que perdeu o dente-de-leite e ainda não deu tempo de nascer o outro...
Condoleezza Rice apresenta a proposta de cessar-fogo aos dois países hoje, mas o que importa mesmo para o público é saber por que o Politburo chinês decidiu colocar a menininha mais bonita fingindo que cantava na abertura, dublada por outra de melhor voz.
(Como lembrou Jon Stewart, do "Daily Show", programa humorístico que é um dos melhores jornalísticos no ar, os americanos fazem isso o tempo todo nas aberturas de jogos locais, com meninas que "cantam" de araque o hino nacional. Aliás, o expediente é antigo e já foi visto de "Cyrano de Bergerac" a "Cantando na Chuva"...)
A entrelinha é clara: se eles estão ganhando "da gente", é porque estão roubando. Eis a verdadeira guerra.

Folha de S. Paulo, 15 de Agosto de 2008




Torcerei então pela França. A França jamais faria uma coisa dessas. Além disso, os caras tem um judoca super simpático, que pisca para a câmera toda vez que ganha uma luta. Podia ser meu vizinho gente boa. O Sarkozy não chama tanto a atenção quanto o Bush, mas é um cara chique e de bom gosto, a julgar por sua esposa. Tem o Alain Bernard, que não ganha tanta medalha quanto o Phelps mas é recordista dos 100m livre na natação. O negócio da França não é quantidade, é qualidade. Bernard podia ser casado com minha filha, que podia ser como a também judoca Lucie Decosse, uma gracinha de menina. E a marca do futuro agora é a Le Coq Sportif - sport et stile.



Allez Les Bleu!!!



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os jogos no país do Mao

Uma hora ou outra eu ia acabar falando de olimpíadas mesmo. Melhor que essa hora seja agora, as cinco da manhã de uma sexta-feira. Hoje é feriado em Maringá, mas isso não muda nada.

Eu gosto dos jogos olímpicos. Gosto bastante. Muito mais que de copa do mundo, muito menos que do São Paulo. Nas olimpíadas tem superação, lágrimas, perfeição, beleza...e tudo isso é muito bom. Mas a coisa da qual eu gosto mesmo é da competição. Gosto de competir e gosto de ver gente ganhando e gente perdendo. Meus amigos nerds (adoro eles e me incluo parcialmente na categoria) acham tudo isso uma grande perda de tempo, já que as olimpíadas são, antes de mais nada, um grande orgasmo do capitalismo, bilhões de dólares gastos para que aconteça o congraçamento das nações e para que as grandes empresas se tornem onipresentes por 16 dias. Eu nem ligo pro que eles dizem.

Dito isso, vou rascunhar alguma coisa sobre os dois fatos que me chamaram a atenção até agora.

1) Um judoca de um país esquisito ganha a medalha de ouro. Caminha em direção das arquibancadas, onde um sujeito está pronto para jogar uma bandeira esquisita pra ele, de uma altura de uns 3, 4 metros. Uns cinco fiscais (policiais?) correm na direção das arquibancadas e conseguem evitar que o atleta receba a sua bandeira.
Não entendi...se a bandeira pode entrar no ginásio, porque o atleta não pode recebê-la? O mundo inteiro já viu as bandeiras na torcida pela TV...se tem algum problema de segurança com as bandeiras não será mais seguro que um atleta medalhista olímpico, sob os olhares do mundo todo segure do que um torcedor qualquer?

2) Essa outra é a pior. Bem, muita gente assistiu à cerimônia de abertura das olimpíadas, como sempre, a maior da história. Creio que como eu, todo mundo achava que a queima de fogos da China seria a maior, mais espetacular da história do mundo, tão absurdamente melhor que as outras que talvez só fosse superada em duas olimpíadas. Foi mesmo, mas os caras mostraram pela TV fogos a mais, uns que foram gravados com até um ano de antecedência, outros gerados por computador. Tomar no cu, não?
Além disso, agora tem uma acusação de que TODOS os figurantes que participaram do espetáculo eram soldados, todos homens, e as crianças que entraram para representar as cinquenta e tantas etnias da China eram todas da mesma etnia, o que me leva ao último ponto:

A menininha linda que cantou "Ode à pátria", apenas dublou a voz de uma outra menininha, Yang Peiyi, de sete anos de idade, que tinha uma voz linda, mas era feinha demais. Segundo o próprio diretor musical do espetáculo (um chinês!!!), um membro do alto escalão do Partido Comunista vetou a garota depois de vê-la, por conta de seus dentes tortos e bochechas pronunciadas - ou seja, oriental demais. A dublê, Lin Miaoke, de 9 anos de idade é estrela de comerciais na China.

Enfim, o mundo todo sabe dessa história, não me espantaria se colocassem a menina feia pra cantar no encerramento. Seria aplaudidíssima, com certeza. Na minha opinião, essa é a única maneira de evitar que a pequena Yang Peiyi venha a ter sérios problemas de auto estima. Imaginem: todo mundo na China se preparou muito para receber os jogos. Estão orgulhosos e felizes, as crianças aprendendo sobre outros países na escola, e a abertura seria a coisa mais impressionante já feita antes...lá pelas tantas resolvem que você não vai mais cantar na abertura. Ok, a vida é assim mesmo. Agora, você descobre que a sua voz é boa, aliás, a melhor - foi usada - e você não, porque é feia demais. Foda não? E, honestamente, a menina nem é feia. Pena que só exista essa foto dela, a outra tem milhares.

A China encheu o saco. É bom ver, de repente a gente aprecia um pouco o fato de hoje vivermos numa democracia ocidental. Gosto de direitos humanos. Por conta dessa e de outras histórias, além de casos de jornalistas apanhando, as repressões aos protestos pró-Tibete, a palhaçada que foi o revezamento da tocha, estou torcendo para os EUA. Eles são legais e bonitos, além de donos de meio mundo. O Phelps é um cara bacana, que merece ganhar 8 ouros numa olimpíada. Queria que minha filha fosse casada com ele. E tem uma ginasta que é uma gracinha, uma tal de Shawn Johnson...queria ter uma filha assim, linda e com uma prova de barras paralelas muito sólida. O Kobe Bryant é super bacana, vai aos jogos de todo mundo e fica tietando os brasileiros (e todo mundo). Podia ser meu vizinho bacana. Queria também ter um filho que fosse dono da Nike. Pô, até o Bush tava simpático nos jogos.

Go USA!



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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Justa homenagem


São Paulo pentacampeão brasileiro...
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... Corinthians rebaixado.



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sexta-feira, 27 de julho de 2007

O diabo veste Nike

Competições do porte de uma Olimpíada, Copa do Mundo e até mesmo os jogos pan-americanos colocam em pauta diversas discussões acerca do esporte e da competitividade humana, em várias escalas.
Por muito tempo, os jogos olímpicos foram utilizados politicamente no jogo de forças entre o mundo capitalista e os comunistas, como propaganda de excelência em esportes, e utilização da comoção provocada pelos resultados dos atletas que representam cada país.
Outro dia li uma reportagem sobre a Suécia, notoriamente um dos países mais prósperos do mundo, tanto economicamente quanto socialmente. Por aquelas bandas, o esporte é visto como fator importante para a qualidade de vida da população, principalmente sob o ponto de vista da saúde. Resultado: anos e anos de investimento na difusão de diversas modalidades fizeram da Suécia uma potência em diversos esportes. Esse investimento todo não teve como finalidade o esporte de alto desempenho, mas sim a difusão do esporte como “coisa saudável”.
Como justificar então, o investimento no esporte de alto rendimento, qual é a importância de medalhas olímpicas para um país?
Simples: o tamanho da indústria dos esportes, das marcas, da mídia e todos os produtos relacionados. Pra exemplificar, pensemos nos esforços brasileiros para entrar no mercado mundial de lançamento de satélites. Esse mercado movimenta cerca de 30 bilhões de dólares por ano, o que o torna muito atraente para qualquer país que seja. Pois bem...o futebol, sozinho, movimenta por ano 250 bilhões de dólares/ano!!!
O esporte no Brasil movimenta 31 bilhões de reais/ano, ou 3,3% do PIB nacional, com 500 mil trabalhadores ligados diretamente ao esporte. É muita coisa, não dá pra ignorar.
Pensando nas leis de mercado, é fácil justificar um boleiro ganhar 50 milhões de dólares por ano...ele gera muito mais dinheiro para a indústria da bola. Se O Milan não oferece o preço de mercado, o Barcelona vai oferecer; se a Adidas não paga, a Nike paga e a adidas deixa de vender milhões em chuteiras e camisetas com a assinatura o tal jogador.
Perguntem aos líderes da República Popular da China se eles tem qualquer intenção de melhorar as condições de trabalho das milhões de crianças que costuram as camisetas Nike. Perguntem se vão tomar qualquer atitude que afaste de seu território as fábricas das grandes indústrias esportivas. Perguntem se não estão investindo uma fábula de dinheiro para realizar as próximas olimpíadas, no ano que vem. E perguntem se não interessa ganhar o maior número de medalhas de ouro possíveis. Perguntem à população de Barcelona se a cidade não melhorou depois da realização das olimpíadas por lá. Perguntem porque uma empresa investe milhões para fazer uma roupa para nadadores que se assemelha à pele do tubarão. Perguntem o que significa para a Speedo um Michael Phelps bater 7 recordes mundiais usando um maiô deles.
Muita, muita grana.
Agora, voltemos para o nosso Pan. Qual é o valor dessa festa toda, da pagação de pau para recordistas que serão fracassos numa olimpíada? É o desenvolvimento no Brasil, de uma indústria que emprega muita gente, e que no final de sua cadeia produtiva - o atleta - , é extremamente democrática. Por mais demagogia que possa estar implícita nisso, esporte é uma boa alternativa para um país tão rico e desigual como o nosso. Esporte educa, promove inclusão social e faz bem pra saúde das nossas crianças e velhinhos.
Por isso tudo, penso que as críticas feitas à toda grana investida no Pan e ao real mérito dos nossos atletas são um pouco e deslocadas do momento e situação apropriados. Esses atletas, desde que mantido o investimento no esporte, podem ser precursores da profissionalização da carreira de esportista. Como questionar o valor de um gari que ganha uma medalha num esporte obscuro, sem qualquer apoio, e tem nesse momento a sua única chance de se tornar notório? O que estaria fazendo o Vanderlei Cordeiro de Lima - o maratonista brasileiro derrubado na maratona das última olimpíadas - se não fosse atleta?
Não é querer que não se investigue o que fizeram com a grana do Pan além das obras, mas o momento de discutir isso e a crueldade das fábricas da Nike na China é qualquer outro que não o meio das competições, entre atletas que se dedicam ao seu esporte tanto quanto qualquer profissional. Vanderlei não tem nada com isso. Assim como os atletas americanos não podem responder pelos desmandos do Bush em cima do pódio, enquanto (não) escutam o hino de seu país.

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sábado, 14 de julho de 2007

Tudo é Fátima!!


Quem acompanha o blog já sabe quem é a atleta oficial de WSR:

Fátima Rocha

Se Fátima tivesse nascido entre 20 de fevereiro a 20 de março, talvez acabasse em uma piscina. Mas não. Estava escrito nas estrelas e ela acabou nascendo no mês de dezembro. Em sua época de faculdade de desing industrial, ela decidiu levar bastante a sério a origem do seu signo, Sagitário, e acabou se tornando uma arqueira da seleção brasileira que competirá nos Jogos Pan-Americanos de 2007.

"Sempre tive muita curiosidade sobre o meu signo do zodíaco, o Sagitário, que é um centauro arqueiro. Fui atrás para descobrir o que era e conheci o tiro com arco", conta. Conheceu e se apaixonou. Tanto que conseguiu conquistar o Campeonato Brasileiro por seis vezes consecutivas, desde 1998 quando ela começou no esporte até 2003.

Foi no ano da sua última conquista nacional que ela conseguiu uma vaga para competir no Pan de 2003. Primeira colocada no ranking nacional, apenas ela e o atleta Leonardo Lacerda conseguiram a vaga em uma delegação que foi a mais reduzida dos brasileiros: apenas dois atletas e um técnico.

Única arqueira brasileira no Pan, ela recorda da pressão que sentia durante as competições. "Em 2003, éramos só eu e o Léo, então era toda responsabilidade em cima de nós dois". Resultado: Fátima caiu na primeira rodada.

Talvez por conta de toda essa pressão Fátima acabou com uma séria lesão no ombro. Mesmo assim, ela não desanimou e, quatro anos depois, volta otimista para competir no seu segundo Pan. "Este ano teremos uma equipe completa, com a cobrança diluída entre os atletas, não será aquela pressão toda de novo. Concentração e calma são essenciais em uma competição, se você fica nervoso, esquece..."

Além da pressão diluída, Fátima conta com a vantagem se morar no Rio e conhecer o local onde serão disputadas as provas. "Muito calor significa pouco rendimento. Aqui no Rio já conheço a reação do vento, a intensidade da luz, e tudo isso influencia", avalia a carioca.

E para Fátima, o nível exato de concentração é fundamental. Porém, nada concentração em exagero. Segundo ela mesmo tiro com arco é a "arte do querer sem querer. No nível de preparação que ela considera ideal, Fátima, que checa seu horóscopo no final do dia para ver se "bateu" só pode esperar ler a palavra ouro nos dias 24 a 27 de julho.

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Fátima de Carvalho Rocha

Data e local de nascimento:
09/12/1968, no Rio de Janeiro (RJ)
Peso/Altura:
64 kg / 1,74 m
Residência:
Rio de Janeiro (RJ)
Prova:
Arco recurvo
Participações no Pan:
Santo Domingo-2003
Orkut:
http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=7997852880015232798

Vão lá, deixem sua mensagem de apoio à noss aarqueira!!

*As competições da Fátima vão do dia 24 a 28 de julho.



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Rio 2007

Um dia desses o Gabriel me mandou um e-mail denunciando vários esquemas de corrupção envolvendo a realização do pan do Rio. Confesso que não tinha muita novidade pra gente boba como eu, que acompanha a imprensa esportiva...essas coisas já vêm sendo denunciadas há uns dois anos.

O que acontece então? Porque ninguém interviu nisso?

Sem querer defender o gevorno Lula nesse post específico, mas um argumento joga a favor do atual presidente: o evento foi pleiteado e conquistado ainda na era FHC. Não é desculpa, pois a infinita maior parte da dinheirama gasta no evento é desse atual governo.

Acho que realmente o governo federal ficou refém desses jogos, como já vem sendo dito há muito tempo. A prefeitura do Rio, à época da candidatura assumiu com a maior parte do ônus dos jogos, pra depois não ter como bancar e ameaçar o governo federal com a má reputação que um fracasso nos jogos poderia trazer.

Passado isso tudo, eu estava pronto pra torcer, sempre achei que os carnavalescos do Rio seriam capazes de organizar uma abertura à altura daquelas que assistimos em olimpíadas.

O que me chocou (ou não), foia falta de civilidade e educação por parte da platéia presente na cerimônia de abertura, no Maracanã: vaias ao presidente da república, às delegações da Bolívia, Venezuela e Estados Unidos.

Absurdo.

O que tem os atletas venezuelanos a ver com o que pensa ou faz Hugo Chavez? Ou americanos com o Bush? O Pan supostamente é a olimpíada das Américas, e o que se viu hoje foi pura falta de espírito olímpico, pura ignorância mesmo.

Quanto às vaias ao Lula...é preciso saber distinguir o homem que exerce o cargo do cargo. Quando um chefe de estado discursa na abertura de jogos, o faz representando todo o povo do país. Queiram ou não, Lula foi eleito democraticamente, com ampla maioria e apresenta bons índices de aprovação.

O problema é que esses ingressos custam caro, quem vai à uma abertura de jogos panamericanos geralmente faz parte de uma elitezinha semi-educada, leitora de veja, eleitores dos Collors, ACMs e Malufs da vida.

Quem vaiou Lula ontem, esqueceu que está pagando ingresso num evento que representa um enorme desvio de dinheiro público. As mesmas pessoas que vaiaram Lula aplaudiram efusivamente o Nuzman e o César Maia, como se estes fossem heróis. As mesmas pessoas que vaiaram o Lula elegeram o casal Garotinho pro governo do seu estado...não sei se ainda entra nessa história o fato de Lula ser "paulista".

De qualquer forma, atitude muito infeliz de nossa parte, televisionado para o mundo todo, justamente num momento em que o Brasil vem lutando para recompor sua imagem no exterior, com algum sucesso.

Se a organização do Pan está envolvida em esquemas de desvio de recursos ou não, é outra história. Os atletas não tem nada com isso, e obviamente, estão todos muito felizes em competir num evento desse porte em casa. Só espero que passado o fuzuê todo se investigue muito bem o que aconteceu e que os responsáveis sejam punidos.

Quanto à falta de educação, civilidade e cidadania do nosso povo...sei lá o que fazer.


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quinta-feira, 5 de abril de 2007

´cause I´m free!!

Não me reprimo. Eu gosto de esportes, o Pan vem aí e vocês nerds que se fodam. Que passem o mês de Julho morrendo de inveja da felicidade que nós mortais sentimos ao derrotar os inimigos (ops, adversários).

Gostar de esportes tem um quê de aceitar a nossa primitividade: escolhemos um time, um país, um atleta, e esperamos que ele "se vingue" dos rivais por nós. Aí podemos comemorar e zombar dos perdedores. "O importante é competir" o caralho...

Horrível, não? Não. É tão bom quanto qualquer outro comportamento instintivo, como boa comida ou sexo. Ganhar é bom, perder nem tanto. Eu, por exemplo, sou um perdedor meio ruim. Não me entendam mal, eu me comporto super bem, como é de se esperar. Mas a derrota fica na cabeça...meu consolo é o fato de que tem gente muito pior.

Agora, estando no Brasil, coma como os brasileiros. Não tem nada, ABSOLUTAMENTE NADA melhor que ganhar do corinthians. Talvez porque tenha muito corinthiano mesmo, mais gente pra tirar um sarro no dia seguinte.

Mas o Pan vem aí, de 13 a 29 de julho, e eu já escolhi a atleta patrocinada pelo Wilbor: A Fátima aqui, que competirá no tiro com arco, entre os dias 24 e 28 de julho. Sem choro, Gabriel, eu me proclamo editor de esportes do blog. E falei primeiro.

Fátima, WSR está contigo e não abre, mesmo que o Gabriel não queira! Ouro pra nós, menina, e se não der pra ganhar, acerte um pombo em pleno vôo, sei lá...



Tudo é Fátima!!!



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