Produções Wilbor

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terça-feira, 30 de agosto de 2016

Embalagens

Seguindo a dica do senador Antônio Imbassahy (PSDB-BA), passei a guardar alguns alimentos de consumo fácil em saquinhos plásticos, muito mais práticos:


Sal


 Queijo


 Mel


Salame


Carne moída com arroz

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Ano X - Wilbor, o Tiradentes Zumbi

Wilbor se Revolta completou dez anos. Pra ser mais preciso, isso ocorreu no dia 16 de setembro.  Os poucos que acompanham as revoltas wilborianas sabem que elas sempre foram esporádicas, mas que, de uns tempos pra cá, estão mais pra espasmos eventuais de um blog outrora vibrante.

O Gabriel já analisou, em dois excelentes posts (aqui e aqui), os motivos para o declínio da produção do blog.  Sugiro fortemente a leitura pois, mais que uma autoanálise, que foi o mote principal das comemorações de cinco anos (aqui e  aqui), trata-se de um belo ensaio sobre a evolução da relação da sociedade com a internet e de como as redes sociais, especialmente o facebook, se tornou a própria internet.  Abusando um pouco da autopropaganda, que é um dos motivos por aqui, sugiro para os novos leitores a leitura daqueles posts.

Nos textos mencionados já há uma reflexão divertida sobre o número dez, a importância de se comemorar um decênio, a relação com o nosso número de dedos, de modo que não resta muito a dizer a respeito do tema.  Colecionarei ideias para 2017, quando prometo tratar, com alguma profundidade sobre as propriedades místicas e semióticas da dúzia.

De qualquer forma e sabendo que apesar da forte recomendação pouca gente se dá ao trabalho de ler "textões" citados dentro de textões, cito um trecho (rá!):

"Logo de início, toda a trivia de comentários e compartilhamento de coisas bacanas que costumávamos fazer pelo Wilbor passou rapidamente para o Face. E com razão: ele se presta ao compartilhamento coletivo de forma incomparavelmente mais eficiente. Ninguém precisa vir ao nosso cafofo buscar nossas sugestões de link, elas são oferecidas pelo feed. Os posts do blog ficaram definitivamente reservados para colocações mais autorais e assuntos mais longos e desenvolvidos -- aquilo que hoje se chama de "textão". Ou seja: coisas para as quais, coincidentemente, tanto eu quanto Marcelo passamos a ter cada vez menos tempo, ambos embrenhados em nossas respectivas carreiras e vidas pessoais.

(...)
Porém, a absorção e a sedução das redes vai mais longe: mais que um espaço de coisas mais rápidas, o Facebook é um espaço de contato público que o blog nunca pôde ser. É um meio muito mais eficiente em "espalhar a palavra".  Nossas reflexões nunca foram tão lidas quando ficávamos só no Wilbor. Como consequência, o face passou gradualmente a ser nossa plataforma primária de produção. Muitos posts do Wilbor dos últimos tempos foram originados como desenvolvimentos posteriores de posts do face. E, obviamente, tudo o que colocamos no blog é obrigatoriamente anunciado em nossas respectivas timelines.

Esse processo não foi uma exceção isolada: nesse últimos anos, ficou visível que cada vez mais blogueiros montaram no Face sua base de operações, lateralizando (ou mesmo quase abandonando) seus blogs. E porque não? O tipo de visibilidade imediata e velocidade de resposta que ele garante é impressionante.
O problema, porém, é que um "blog" é nosso de uma maneira que nossa timeline do Facebook nunca foi ou será."

Não tenho reparos a fazer à discussão, até porque o tema já foi pauta de inúmeras discussões que tivemos ao longo dos últimos cinco anos.  Conforme apontado pelo Gabriel, apesar de termos atingido um ápice de produção em 2007, é exatamente a partir de 2011 que a produção do blog cai vertiginosamente. Apesar disso, solicitamos ao Datafolha um gráfico e percebemos que, apesar da queda na produção, houve, à exemplo do crescimento de Marina Silva nas últimas pesquisas eleitorais, um crescimento subjetivo.


Há, claro, uma coincidência com uma utilização mais pesada do facebook.  No primeiro quadrimestre deste ano produzimos 13 postagens.  É um aumento discreto, impulsionado pelo momento político.  Aliás, a atual crise de tudo faz com que o Wilbor pareça um blog de política.  Não é, embora o tema tenha sempre estado em pauta em função do interesse pessoal que ambos temos.  Tratamos com alguma frequência de ciência, literatura, quadrinhos e humor - produzindo-o ou discutindo-o.

Não faremos qualquer promessa de incremento, mas no entanto, temos uma novidade: articulando esse post com os textos do Gabriel, surgiu a ideia em adotar a mesma estratégia de muitos outros blogs amadores: deixaremos de divulgar as postagens apenas nas nossas timelines que, ao contrário do blog, são restritas aos amigos, e passaremos agora a divulgar os posts na página oficial de Wilbor se Revolta no facebook.

Há algum tempo as discussões dos posts (que nunca foram lá tão frequentes) passou a ser feita nas nossas timelines.  O problema é que, ao contrário do que ocorre no blog, as postagens se perdem no facebook, sendo-nos apresentadas uma vez por ano, no aniversário do evento de publicação.  Tendo a página, é possível resgatar as postagens com mais facilidade.  A exemplo do que eu já faço sempre que me lembro, adicionaremos, a cada postagem, o endereço para o post na página do facebook, de forma  a centralizar a discussão.

Enfim, eis a novidade.  Nada mais adequado que fazer o lançamento num feriado de Tiradentes: um blog que foi traído pela internet, enforcado pelo facebook e voltou pra contar a história.  Uma espécie de Tiradentes zumbi.  Subscrevo ao compromisso já assumido pelo meu co-blogger: apesar de não haver qualquer demanda social para sua continuidade, Wilbor não morrerá (ao menos enquanto vivermos).  A gente gosta dele.  Eu sinceramente espero que essa estratégia de centralizar as operações de divulgação no facebook nos dê mais gás para dar uma animada no bichinho.  Se não der, paciência, a gente continua tentando.

É isso.  Ainda não completamos 11 anos, de forma que o meu post comemorativo está em dia.  Parabéns pra nós e vida longa ao Wilbor.  Continuaremos sendo um blog belo, recatado e do lar, aclamados pela autocrítica, produzindo aquele humor obscuro que vocês tanto não entendem.

Abraços!

Pra quem passou despercebido pelo link, aqui está o endereço no facebook.  Curtam, compartilhem, convidem o amigos, mostrem pras vovós!!


www.facebook.com/wilborserevolta/


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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Redução da maioridade penal: o brilhante armamento retórico conservador

Em mais um capítulo do processo da ascensão do conservadorismo e "absurdização" da discussão política nacional, a CCJ da Câmara dos Deputados resolveu há pouco, por 43 votos contra 21, que a proposta da PEC que reduz a maioridade penal no país para 16 anos não é inconstitucional.

Apesar de se tratar de uma proposta ridícula, a discussão é legítima...como é legítimo discutir se cavalos devem usar fraldas no país.  Mas os argumentos apresentados pelos que defendem a proposta, divulgados pelos grandes órgãos da mídia nacional são, até agora, uma coleção de não-argumentos.

Um dos artigos mais lamentáveis que vi até o momento foi essa matéria da UOL. Um verdadeiro show de má-argumentação:

1) A mudança do artigo 228 da Constituição de 1988 não seria inconstitucional. O artigo 60 da Constituição, no seu inciso 4º, estabelece que as PECs não podem extinguir direitos e garantias individuais. Defensores da PEC 171 afirmam que ela não acaba com direitos, apenas impõe novas regras;

2) A impunidade gera mais violência. Os jovens "de hoje" têm consciência de que não podem ser presos e punidos como adultos. Por isso continuam a cometer crimes;

Sim, é como se a possibilidade de ir pras "Fundações Casa" da vida fosse algum tipo de incentivo. E como se os "jovens de hoje" com menos de 16 anos não pudessem seguir a mesma lógica. E como se jogar mais gente no escola do crime sistema prisional brasileiro fosse gerar cidadãos melhores ao fim de suas penas.

3) A redução da maioridade penal iria proteger os jovens do aliciamento feito pelo crime organizado, que tem recrutado menores de 18 anos para atividades, sobretudo, relacionadas ao tráfico de drogas;

Claro...porque os bandidos que aliciam jovens de 16 e 17 anos têm muito escrúpulo e jamais irão pensar em compensar a perda destes com crianças de 12 a 15 anos de idade. A entrada no mundo do crime através deste tipo de prática será adiantada em dois anos.

4) O Brasil precisa alinhar a sua legislação à de países desenvolvidos com os Estados Unidos, onde, na maioria dos Estados, adolescentes acima de 12 anos de idade podem ser submetidos a processos judiciais da mesma forma que adultos;

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"O Brasil precisa alinhar a sua legislação à dos EUA"

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Que tipo de argumento é esse? Nenhum dos países "desenvolvidos como os Estados Unidos" apresentam taxas de criminalidade e homicídios tão altas quanto às daquele país, nem uma população carcerária tão grande.  Ainda em relação aos EUA, vale a pena lembrar a correlação positiva entre pena de morte e número de homicídios: estados que aplicam a pena capital apresentam taxas maiores de homicídio.  Porque não argumentar que Brasil e EUA precisam alinhar suas legislações àquelas de países desenvolvidos como Suécia, Noruega, França...ou de Espanha e Alemanha, que voltaram atrás na redução da maioridade penal, após verificar que, como em TODOS OS PAÍSES QUE SEGUIRAM O MESMO CAMINHO NÃO HOUVE DIMINUIÇÃO DA CRIMINALIDADE.

5) A maioria da população brasileira é a favor da redução da maioridade penal. Em 2013, pesquisa realizada pelo instituto CNT/MDA indicou que 92,7% dos brasileiros são a favor da medida. No mesmo ano, pesquisa do instituto Datafolha indicou que 93% dos paulistanos são a favor da redução.

A maioria da população brasileira jamais foi exposta a um debate profundo sobre este tema, que não tem nada de trivial. O advento do Direito é consequência da evolução, através dos milênios - das Ciências e da Filosofia...resultado de muto debate realizado por gente que gastou muito neurônio pra pensar no assunto. A reação imediata de qualquer vítima de crime pode ser o sentimento de vingança...mas se pudéssemos agir sobre este desejo toda vez que acontece algo, a civilização teria uma cara muito diferente - e menos civilizada. Há uma razão prática para termos abandonado as Lei de Talião ("Olho por olho, dente por dente"). A ideia é simples e atraente, especialmente por parte de quem não pensou muito sobre o tema (a imensa maioria desses 93%).

Tomar uma decisão desse porte em função do que a maioria pensa é equivalente a decidir como deve ser feita a distribuição dos recursos da pesquisa científica entre as áreas do conhecimento baseada na opinião do público da Sapucaí; ou decidir o cardápio das merendas escolares baseando-se na preferência das crianças.

Crime é uma doença social. Nenhuma medida punitiva, como já verificado nos países que reduziram a maioridade penal, irá fazer com que caiam as taxas de criminalidade, por um motivo simples: o crime é produto de uma determinada dinâmica social.

Enfim, os agitadores da direita já armaram seus seguidores com argumentos menos risíveis.


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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Não deixem Cantanhêde só!

Edição especial de WSR: escolha a nova morena da Folha

Houve uma época em que a Folha de São Paulo fazia a festa do leitor de jornal brasileiro, com sua fabulosa dupla de meninas: Eliane Cantanhêde, a loira, e Renata Lo Prete, a morena.  A última abandonou o barco e migrou para a Globonews, deixando sua alva e elegante companheira em vôo solo...desde a saída de Lo Prete, nenhuma outra morena se firmou em posição que pudesse fazer aquela agradável tabelinha com Cantanhêde.

Eliane é uma mulher sofisticada, bonita, inteligente.  Lo Prete é tudo isso, só que um pouco menos charmosa...em compensação, deu um dos furos mais importantes do jornalismo nacional ao entrevistar o confiável deputado Roberto Jefferson quando ele revelou uma história que depois foi adaptada para se transformar naquilo que conhecemos como mensalão.

As candidatas foram cuidadosamente selecionadas para essa pesquisa pelo Oráculo do Milênio, de forma que são inquestionáveis - ainda assim, abrimos espaço para outras opiniões, igualzinho à Folha.  O critério para definir quem é morena é aquele correto: pessoa de cabelos negros ou castanhos - gente clara de cabelos castanhos claros são morenos claros, e é simples assim.  Mulatas são mulatas e negras são negras, não "moreninhas", já que somos contra o uso do termo "moreno" como eufemismo pra negro.  Dessa forma, Sheherazade é morena, convivam com este fato.

Rachel Sheherazade é uma espécie de Cantanhêde de canal ruim de TV, só que com menos brilho, elegância e charme.  Tá, talvez não seja uma espécie de Cantanhêde, pra não ser injusto, mas são definitivamente da mesma espécie - a nossa.  Ou talvez seja um tipo de "She-Datena".  É, é isso.  Palmirinha entra como um convite à diversidade na página de opinião da Folha, jornal tão eclético e imparcial, com espaço pra todo mundo e todo tipo de opinião, até aquelas que não têm nada a ver.  E a Mulher Samambaia tá aí pra quem acha que beleza é fundamental e nem acha que a Cantanhêde precise de uma parceira tão convencional, no sentido jornalístico da coisa.  Cristiana Lobo é a escolha do leitor tradicional, e seria também uma chance da Folha se vingar das organizações Globo, levando uma de suas morenas mais destacadas.  Sem mais delongas, eis a enquete que elegerá a próxima morena da Folha!


A disputa será acirrada.  Qual dessas será a nova morena da Folha?  Votem!!

Pra quem não está a par da função da loira da Folha: trata-se de uma das colunistas mais importantes do jornal, publica na segunda página (opinião) às terças, quintas, sextas e domingos.  Ou seja: fica na frente, liderando a coreografia do jornal.  A morena teria função similar: ficaria na frente do jornal exibindo suas exuberantes opiniões, refletindo a alma do conjunto.  Cumprindo seu papel de jornalista indignada, escreveu revoltosas 10 colunas desde o dia 20 de julho de 2014, data na qual a Folha publicou o escândalo da construção do aeroporto nas terras do tio-avô de Aécio.  Abordou o tema em quase uma delas - a Folha não pode ser acusada de parcialidade.  Pra entender o papel da jornalista-estrela da Folha e votar em sua morena de forma consciente, aqui vão links de todas as 10 são do naofo.de, acompanhadas de um pequeno (médio ou longo) comentário, cliquem à vontade, sem dar audiência ou usar a generosa cota de 10 reportagens que a Folha te dá todos os meses.  Aviso que nenhuma vale tanto a pena assim, e estão aí mais pra provar que eu não tô mentindo nas análises e sinopses - já que todo mundo mente, de vez em quando.


20/07/2014: Gastando cartuchos

Cantanhêde destaca a rejeição de Dilma como o dado mais importante aferido na última pesquisa Datafolha, o que talvez a impedisse de vencer no segundo turno (o instituto aponta a vitória no primeiro turno).

22/07/2014: Pega ladrão!

Passada a copa e deglutida a boa organização, Cantanhêde declara que é hora de deixar de oba-oba e voltar a pensar na bosta do país, em todas as suas bostas e de que bostas acusaremos Dilma, Lula e a bosta do PT . É tanta bosta que ela não sabe nem dizer quantos gringos foram vítimas de roubos:

"Não sei quantos latino-americanos ficaram sem dinheiro e documentos para voltar, mais de 12 mil argentinos foram vítimas de roubo/furto no Rio e, segundo levantamento do site G1, os furtos em trens, metrôs e ônibus em aumentaram 379% em São Paulo em relação ao ano passado.  Imagine fora deles!"

Bom, aparentemente ela sabia.  Mas quantos roubos ocorreram fora dos trens/metrô/ônibus, hein, hein?!? Eu nem imagino.  Ela é jornalista, talvez possa apurar.


Eliane Cantanhêde aborda, en passant, o Aecioporto.

Em sua única coluna sobre o tucano, Dilma é assunto em cinco dos sete parágrafos, Campos em dois deles.  Para a colunista, enquanto "o TCU livra a cara de Dilma", Aécio e Campos "resvalam" em questões éticas.  Aécio "entrou na berlinda por 'reagir mal' às perguntas inconvenientes".

Fiquei preocupado com o parágrafo final do texto, possivelmente escrito sob abstinência de alguma droga para tratamento de transtornos dissociativos (não tomem essas porras, depois dá nisso):

"E a economia, a mão pesada estatal, o desajuste do setor de energia? Ah! Isso é coisa para a 'elite branca'."

Hein?

25/07/2014: "Anão diplomático"

A jornalista concorda com a posição brasileira, mas não sem antes dar uma coçadinha em sua glândula conservadora, só pra aliviar o comichão.

"Depois de três anos e meio de uma política externa dorminhoca, o Brasil deu um pulo da cama, tomou-se de brios e partiu pra cima de Israel."

27/07/2014: Salve-se quem puder

Sobre a rejeição do mercado à Dilma, Cantanhêde concorda que é uma análise arriscada, embora levada a sério pelas campanhas - é verdade.  Explica o processo: se a previsão de crescimento cai, a crença na vitória de Dilma cai e as bolsas sobem.

O terceiro parágrafo faz o serviço de reacender a rejeição das elites à presidente: o PT utiliza esse dado para reforçar, aos pobres, que rico não gosta da Dilma.

No final, lembra o nível de rejeição da presidente no país (35%, meio normal pra quem governa) e de 47% em SP, que vive uma espécie de esquizofrenia no plano local, com altos índices de aprovação a um governador que faz uma gestão, digamos, problemática (PM, escolas, USP, água, corrupção no metrô, etc).

Mas...e o Lula?  Mais uma vez a jornalista brilha na frase final:

"Aliás, Lula? Vai passar incólume por essa imensa onda de rejeição?" 

29/07/2014: Dividindo os erros

Nham-nham-nham!!! Sabatina da Folha com a Dilma, prato cheio e no dia seguinte é dia de feijoada - que em São Paulo se come também nas quartas.!

Dilma arranja desculpas para a economia.  Dilma erra ao dizer que o pessimismo afeta a economia, que é feita de expetactivas, quando na verdade "a economia é calcada, não em impressões e em manifestações de ruia, mas sim em dados concretos feitos por especialistas - do Banco Central e da área econômica, além da indústria e de agências de avaliação."

Aqui, peço licença para me alongar mais e "enseriar" a coisa.

No dia 22 de julho, a Folha publicou a seguinte reportagem: "Humor piora e deixa abaixo de 1% previsões para o PIB"

A previsão do boletim focus, uma pesquisa de mercado feita ou encomendada pelo Banco Central, caíra para 0,97%.

A Folha foi atrás de investigar, lógico.  E listou as razões que motivaram os economistas a refazerem suas projeções:

1) Queda na produção industrial.

2) Vendas do comércio (err...essas subiram em maio, mas "só porque foram puxadas por alimentos, móveis e eletrodomésticos".  O que tinha que subir, com o perdão da ignorância? Se a venda de adubos, canos de PVC e material de festas infantis tivessem subido valia?

3) menor criação de vagas formais no primeiro semestre desde 2008.  Foram criadas 588.671 vagas contra 397.936 naquele ano.  Bom, foram criadas mais vagas, certo?  Nesse ritmo (o pior de Dilma), seriam geradas, em seu governo, 4.709.368 vagas.  Até junho foram geradas 5.052.710 vagas.  Isso no meio da crise mundial e levando em consideração que o nível de desemprego continua baixíssimo, com um número de pessoas que nem estão procurando emprego porque optam por estudar, etc, etc, etc.  FHC gerou, nos seus oito anos, 5.016.672, numa média semestral de 313.542 vagas/semestre.  Imagine como estaria o humor dos economistas se estivéssemos assim?

4) cai a confiança da indústria;

5) cai a confiança do consumidor.

Sou só eu, ou das cinco razões apontadas apenas a primeira é uma razão real negativa, mensurável de fato?  2 e 3 são dados positivos, 4 e 5 são, bem.....expectativas - e com variação pequena.  Há ainda dois outros indicadores, que são meros desdobramentos da produção industrial, portanto, mais do argumento 1.

Sobre isso é só.

31/07/2014: Profecias e realidade

Neste dia Cantanhêde nos explicou a realidade.  É uma coluna meio sem sal, como deve ser a realidade, apesar dos temperos da jornalista.  Deixo só a  frase final, pra dar o gostinho:

"O empresário sabe distinguir 'profecia pessimista' de constatação."

Sim, pudemos observar na coluna anterior...o mau humor provocado pelos fatos reais, e não pelas "profecias pessimistas"  Ah, o empresariado brasileiro, esses sábios!  Aqui um deles, indignado feito um paulistano:


Ou só valem os grandes?  Tipo o pai desta criatura:

Sim, eu entendo a falácia do espantalho, mas é só uma aparente: vejam o que eles concluíram dos dados apresentados no quadro da Folha.  E você?  Olhe aqui.  Talvez não seja justo usar esses dois exemplos só porque a esmagadora maioria deles é mais parecida com isso aí do que com um Bill Gates - este, um conhecido petralha maldito.

01/08/2014: E o Lula, hein?

Pois é, e o Lula, hein?  Essa coluna demonstra a capacidade de leitura de Cantanhêde: dias antes ela perguntou "e o Lula".  Não tardou para que o assunto aparecesse na mídia.

Como diz o Gabriel, Lula é responsável, entre outras coisas, pelos empregos desses colunistas - ou pelo menos pelo aumento na repercussão destes.  Antes do Lula ninguém lia gente como Azevedo, Constantino...até Olavo de Carvalho, cujo conhecimento era ostentado apenas pelos reaças mais ávidos e debochado por um pequeno setor da esquerda (eu já conhecia - rá!) publicou um livro com direito a estardalhaço e gente neo-politizada compartilhando nas redes sociais.

Como ninguém respondeu a pergunta feita no dia 27  (op. cit.), Cantanhêde se responde: Lula inventou Dilma e Haddad.  Se a aprovação dos dois está em baixa, não seria natural que Lula fosse atingido?

Ela não sabe: "Será?"




Cantanhêde (e toda a mídia) ficaram espantados ao descobrir que pessoas se preparam e combinam respostas em CPIs.  Pior: há uma orientação política nisso.  Pior: parlamentares "amigos" pegam leve com gente que, caso pegassem pesado, poderiam comprometer.

Desenho do Gabriel, feito originalmente para
este post. Tem alguma relação com isso aqui.

Jânio de Freitas, em coluna publicada neste mesmo dia "responde":

"Perguntas de aliados do depoente, em CPI, jamais, em qualquer tempo e em qualquer país, fugiram a este princípio: destinam-se a ajudar o depoente. Nem teria sentido que fosse o contrário entre aliados. Tal princípio explica, por exemplo, o motivo das lutas pela composição das CPIs sérias, o que não é o caso das duas simultâneas a pretexto da Petrobras –dose dupla cujo despropósito denuncia a sua finalidade de apenas ajudar eleitoralmente a oposição.

De aliado para aliado, nem o improviso em indagações surpreende o indagado. Mesmo que sugerido por uma situação de momento, segue as instruções já dadas pela liderança ou as combinações na bancada. Mais ainda, as perguntas e respostas previamente ajustadas, entre inquiridor e depoente, sempre foram e serão condutas lógicas e, pode-se supor, as mais frequentes entre correligionários nas CPIs. Assim como fazem todos os advogados ao preparar seus clientes para depoimentos policiais e judiciais.

O escarcéu em torno do jogo de parceiros, entre inquiridores governistas e depoentes da Petrobras, é o escândalo da banalidade. Bem conhecida de jornalistas, que provavelmente vão explicar qual é a fraude existente, e a que tanto se referem, na colaboração de condutas sempre vista por eles nas CPIs. A explicação é conveniente por ser bem possível que a fraude não esteja na conduta de integrantes da CPI, mas em outras.

Este e os demais capítulos do caso Petrobras, à margem da importância que possam ter ou não, ficam na mastigação de chicletes por estarem nas mãos da oposição mais preguiçosa de quantas se viu por aqui. As lideranças do PSDB e do DEM ficam à espera do que a imprensa publique, para então quatro ou cinco oposicionistas palavrosos saírem com suas declarações de sempre e com os processos judiciais imaginados pelo deputado-promotor Carlos Sampaio. Não pesquisam nada, não estudam nada, apenas ciscam pedaços de publicações para fazer escândalo. Com tantos meses de falatório sobre Petrobras e seus dirigentes, o que saiu de seguro (e não é muito) a respeito foi só por denúncias à imprensa. Mas a Petrobras sangra, enquanto serve de pasto eleitoral."

Depois vem esse Lula descolando um emprego pra Nora no Sesi!!  O Sesi, segundo a Wikipedia é "uma rede de instituições privadas brasileiras".  Pelo nome parece ter algo com a indústria...a ousadia do presitralha (*)!!  Como pode , onde já se viu?  E esses industriais, que além disso doaram até dinheiro pras campanhas todas?

Sabe onde é foda, mas foda mesmo arrumar emprego pra parente?  No âmbito público.  E sabem que grupos/partidos são craques nisso aí?

Bão, dos nossos 594 parlamentares (513 deputados e 81 senadores), 280 vêm de famílias de políticos - tem tudo nesse infográfico.  O ranking por partido, em % dos membros que vêm de "clãs" políticos:

DEM: 67%
PMDB: 66%
PP: 63%
PTB: 58%
PSC: 50%
PSDB: 49%
PSB: 48%
PR: 44%
PDT: 37%
PPS: 36%
PV: 31%
PCdoB:24% 
PT: 22%

Imaginem a quantidade de assessores e gente empregada através do nepotismo cruzado?  Há ainda uma diferença qualitativa.  Marta e Eduardo Suplicy entram na conta porque foram casados.  Acontece que ambos construíram carreiras políticas independentes...Marta não se elegeu senadora porque foi "esposa do Suplicy".  O mesmo ocorre com Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo.  É meio diferente de um certo senador mineiro, candidato à presidência da república, filho de deputado, neto de ex-presidente (o outro avô foi secretário estadual de JK) e primo de senador de outro estado.  Diferente, né?

Imaginem se a imprensa verificasse essas coisas com a mesma intensidade pros dois lados?  Imagina na Copa?

*Curtiram, amiguinhos do bem?  É "presidente + petralha", mas pode ser entendido como "presidente dos petralhas" ou "presidente-tralha".  Usem isso aí.

05/08/2014: Tudo embolado

O empresariado nacional - mais especificamente os industriais - se vingam da presidente cortando doações.  Sem citações aqui, coluna meio óbvia: tudo vai mal, obrigado.

Agora...e a veja, hein?



Tem que ter lido pra entender, certo?


Nota 1: ao menos parte da equipe de redação de Wilbor se Revolta entende que a pesquisa pode ser interpretada como machista ou de mal gosto.  Consideramos, porém, que da mesma forma que Constantino e Pondé podem ser alvo de comentários em função de sua busca por um macho que os satisfaça (em função disso e disso), a brincadeira é pertinente -  e as duas fazem dupla na Globonews - canal da Rede Globo, essa sim, com um quadro de mau-gosto chamado "as meninas do Jô", como se fosse muito exótico mulher comentar política.  Nossas sinceras desculpas à Palmirinha, um doce de velhinha que faz doces e à Mulher-Samambaia, sobre a qual não sabemos absolutamente nada.

Nota 2: Pouca gente vai acreditar, mas eu não sabia quem era a Mulher Samambaia.  Eu pensei no nome, achei conveniente, e fiquei torcendo pra que fosse morena, antes de consultar o Oráculo do Milênio.



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Utilidade pública

Seus problemas acabaram!

Ler Reinaldo Azevedo, Olavo, Constantino, Pondé e cia é dose.  Punir os amigos com o compartilhamento desses sujeitos é ainda pior, meio equivalente a dar de presente um saco (de papel) cheio de fraldas sujas, mas em tempos de eleições, às vezes é importante denunciar a manipulação da opinião pública.  Eu não costumo passar adiante textos dessa gente do bem, pra não disseminar desinformação, intolerância, preconceito e também para não dar audiência a esses porras.  Esses caras (ou as empresas que os contratam) vivem de verbas de publicidade, e a medida da visibilidade é dada em pageviews.

Acabei de descobrir - depois de ter visto algumas vezes - o "naofo.de - encurtador higiênico de chorume":

naofo.de

Na home do site, a descrição do serviço:

"O naofo.de é um serviço de compartilhamento/encurtamento de URLs com propósito de denúncia/comentário crítico. Em vez da página original, a URL encurtada direciona para uma cópia (em imagem) do conteúdo, de modo que não se aumentará o tráfego ou o pagerank da página em questão. Além disso, a cópia ficará disponível mesmo que a página original seja tirada do ar."

O resultado é uma página com a imagem do site.

Pra gerar uma página, basta pegar a URL original, como essa coluna da Eliane Cantanhêde - a loira da Folha:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/elianecantanhede/2014/07/1490921-anao-diplomatico.shtml

E passar pelo naofo.de

E voa lá (lá onde, né?):

http://naofo.de/1410

Pros amigos reacinhas, digo, politizados: esbaldem-se fazendo o mesmo com os blogues comunas, tá?  Só não vale fazer isso no Wilbor se Revolta, o blog mais aclamado pela autocrítica do país...afinal, os autores gostariam de viver disso.


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Troque seu cachorro por uma criança pobre - e não se esqueça dos golfinhos!


É impressão minha ou a fome na África virou tema fora de moda?

Quanto maior a abrangência das redes sociais, maior é a fidelidade com a qual elas retratam as sociedades - ou pelo menos mostram com mais eficácia aquilo que as pessoas querem mostrar, o que já diz muita coisa.

Todos os dias encontramos no facebook mensagens religiosas, ateias¹, ecológicas, gente divulgando todo tipo de porcaria, incluindo um monte de porcarias legais...e às vezes tem coisa boa mesmo, geralmente vindas das mesmas pessoas.  Vejam, o nosso facebook não representa a "média da sociedade", mas como as pessoas próximas a nós se comportam no mundo digital.  O meu grupo de amigos publica coisas diferentes do seu grupo de amigos, e isso faz do facebook da cada indivíduo um conjunto único de informações.

Essa percepção é interessante, e por vezes eu me assusto com a frequência com que certas coisas aparecem na minha página inicial.  Uma delas é a quantidade de gente que divulga/publica/compartilha coisas relacionadas à proteção dos animais - e em contraste, a quase ausência de gente postando coisas que dizem respeito com o bem estar da humanidade.  Dia desses descobri que o boom de postagens de protetores de animais não é exclusividade do meu facebook.  Eu imaginava que talvez fosse, porque conheço muita gente envolvida diretamente em organizações de proteção aos animais; gente o suficiente para gerar uma distorção na minha página.  Acabei lembrando daquela música do Eduardo Dusek, o "rock da cachorra":


Troque seu cachorro por uma criança pobre
Sem parente, sem carinho, sem rango, sem cobre
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre

Troque seu cachorro por uma criança pobre

Tem muita gente por aí que está querendo levar uma vida de cão
Eu conheço um garotinho que queria ter nascido pastor-alemão
Esse é o rock de despedida pra minha cachorrinha chamada "sua-mãe"

Seja mais humano, seja menos canino
Dê guarida pro cachorro, mas também dê pro menino
Senão um dia desse você vai amanhecer latindo

Não quero ser mal compreendido, simpatizo muito com a causa da adoção de bichos abandonados, da guarda responsável, da luta contra atos cruéis, etc.  Não simpatizo com a superioridade moral vegana, com o fim da experimentação científica em animais ou com o fim da caça às baleias².

 Agora, acho curioso que tanta gente esteja tão preocupada com os bichinhos e tão pouca gente esteja preocupada com assuntos relevantes para a espécie humana.  Quantas publicações vocês têm visto sobre a seca no nordeste ou as chuvas na Amazônia?  E já que quando se trata da proteção aos animais tem tantas postagens genéricas - além, claro, das postagens específicas, aquelas do tipo "Totó precisa de sua ajuda hoje" - cadê as pessoas repercutindo a fome na África, pra ficar só no exemplo mais gritante e geral dos problemas com Direitos Humanos?

Agora, claro que a comoção com as tragédias humanas tem muito a ver com a importância que a imprensa dá a casos específicos...as enchentes e deslizamentos de terra em Santa Catarina (2008) foram particularmente bem divulgadas.  As enchentes nordestinas de 2009 geraram menos comoção, menos mobilização, não teve o Guga ou um monte de artistas globais nordestinos pedindo doações.

Já os casos de cachorrinhos torturados têm gerado um fuzuê gigante na mídia e na internet.  É claro que é horrível, que as pessoas que fazem isso são horríveis (ou problemáticas), mas coisas assim acontecem todos os dias, como acontecem todos os dias casos como o dos Nardoni - lembram?  Bem, a TV divulgou a história do cachorrinho torturado, daquele outro enterrado vivo, de um que foi arrastado por um carro...essas coisas já aconteciam antes, mas agora resolveram, sei lá porque, mostrar.  pode ser fase, como eu espero que seja a enxurrada de filmes espíritas bancados pela Globo.

Claro que não me queixo da defesa de nenhuma das duas coisas (bichos e gente).  Me importo com ambos e não milito ativamente por nenhuma das causas.  Acho legítimo - e inteligente - o uso da internet para a divulgação de qualquer coisa, mas acho a distorção interessante.  Não porque seja inesperada, afinal, as pessoas nunca deram muita bola pros Direitos Humanos mesmo; mas porque não se dava tanta bola pro direito dos animais.  Parece que a proteção dos direitos dos animais seja a bola da vez entre as coisas que as pessoas gostam de divulgar, ou talvez seja mesmo o surgimento de um novo tempo, em que homens e bichos caminharão nesse mundão de patas dadas...

Resumindo: acho a causa justa, acho justo o uso da internet para divulgar a causa e acho coerente que pessoas queiram lutar pelos animais.  Porque raios, então, estou escrevendo isso?  Porque ultimamente tenho visto muita afetação.

Quem ler os comentários que seguem a maioria das postagens relacionadas ao tema, vai encontrar uma assembleia maluca de posições muito esquisitas, inclusive de gente que encara a coisa como uma guerra entre humanos e outros animais - e torce pelos bichos.  Gente que acha que só os seus cachorros as entendem de verdade, gente que acha que os bichos são melhores porque não são cruéis...por mais que poucas coisas sejam tão cruéis quanto a natureza, argumentam que só o homem mata por crueldade, sem motivo algum.  Essa ideia além de falsa, é boba.  A "sacanagem" é efeito colateral da inteligência humana - ainda que os cucos sejam uns FDP´s, não?  Justificável ou não, a maioria dos assassinatos acontecem por algum motivo, normalmente a obtenção de alguma vantagem: dinheiro, poder, eliminação de rival, punição, obtenção de status, reação a uma briga, etc...e tem ainda os distúrbios mentais, tampouco exclusivos dos homens.

Só pra ilustrar, peguei a postagem mais recente na minha página...é essa aqui.  Foi compartilhada por uma amiga minha, mas originalmente publicada na página "Prefiro bicho que gente".  Eu não podia ter tido mais sorte nesse exemplo...hehehe!  Nos comentários aparecem os veganos, os super-protetores e uma galera pagando pau.

Até entendo que algumas pessoas gostem mais de bichos que de gente...tem muita gente chata e ruim por aí.  Mas tem muita gente legal também, e pra ver isso basta perceber que quase todo mundo (até gente de quem a gente não gosta) tem amigos e gosta de outras pessoas.

É normal que pessoas gostem muito de certas coisas...um astrônomo que goste tanto de passar seu tempo no telescópio que prefira, de verdade, passar tempo lá do que tendo contatos sociais.  Ou um cinéfilo que prefira ver filmes a viver sua própria história (oh, profundo!).  Mas não é esse o caso: essas pessoas gostam mais de bichos porque acham que os bichos são melhor gente...

Se todas as pessoas que você conhece valem menos a pena que os animais, talvez o problema não seja as outras pessoas.  Pessoalmente, não troco as minhas amizades humanas por cachorro nenhum - e eu adoro os meus cães - conversas com seres capazes de me entender são normalmente mais ricas, por mais que poucas coisas sejam tão gostosas quanto o afeto incondicional de um cachorro.  Ah, o amor do cão!








1) Acabo de perceber que ateia não tem mais acento...que coisa! 
2) Calma, é mentira.  Deixem as baleias em paz, japoneses malditos³!
3) Calma, eu sou nipo-descendente, estou autorizado a fazer a piada.


P.S.  Me ocorreu agora uma discussão que tive com alguém a respeito da caça às baleias (ou foi um filme que vi?  Eram baleias mesmo ou eram golfinhos?).  Os japoneses tem dificuldade em entender porque as pessoas se importam tanto com golfinhos e baleias.  Pra eles, uma baleia é "só mais um peixe".  É compreensível num país em que comer esses bichos é uma tradição milenar.  Matar uma vaca é tão cruel quanto, mas apenas uma minoria entre os neoprotetores se importam com isso.  Não parece ser relacionado com o risco de extinção - os pirarucus não parecem gozar do mesmo carisma e prestígio.  Tenho a impressão de que mesmo que baleias fossem muito abundantes, a matança delas continuaria incomodando muita gente.  A mim incomoda, provavelmente por razões culturais.

Wilbor se Revolta continua tendo o selo de Blog Amigo dos Golfinhos, assumindo todas as condições que este selo implica.


1. Este blog não prejudica, de maneira nenhuma os golfinhos, esses magníficos peixes alados.
2. Este blog não utiliza redes para pesca de atum.*
3. Os criadores desse blog não possuem roupas, ou acessórios pessoais feitos de partes de golfinhos.
4. Os criadores desse blog não tomam chá de genitálias de golfinhos para melhorar seu desempenho sexual - muito embora os benefícios trazidos chá de genitália dessas criaturas mágicas e boazinhas estejam relatados nos mais diversos estudos científicos.**
5. Sopa de golfinho tem um gosto horrível. Bem, é o que dizem.

*Não, nós não pescamos atum. Nem nas férias. Não, aqueles bichos que o Gabriel pesca são peixes-bois.
**Segundo a medicina chinesa. Já viu algum chinês equivocado? E chinês brocha, já viu? E golfinho brocha???


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Child abuse: aconteceu no MT

Talvez seja muita frescura minha, ainda me animar em expor absurdos da política nacional...ultimamente poucas coisas parecem ser dignas de nota, não sei bem.

Por exemplo: ao que tudo indica, o escândalo no Distrito Federal tomará os rumos normais e conhecidos por todos nós: vai terminar em Fondue - porque não é possível que esses caras não tenham se enchido de pizza ainda.

Bem, até fiquei com vontade de comentar o caso, mesmo porque os governos do DF são impressionantemente ruins...basta lembrar que antes do Arruda o governador era o Joaquim Roriz, um dos governadores mais toscos e ignorantes que esse país já viu (no sentido estrito mesmo). Aliás, apontado pelo último datafolha como sendo o candidato mais forte ao governo nas próximas eleições. De qualquer forma, faltava algum elemento, "aquele algo a mais" que qualificasse o caso como "Wilbor Material". E eis que aparece a seguinte história:


Silval Barbosa: o político amigo da criançada



Nos conta a Folha de São Paulo, no último dia 4, que o vice governador do Mato Grosso, já escolhido por Blairo Maggi¹ para sucedê-lo no governo estadual, anda enviando cartas para crianças de até 5, 6 anos de idade. Claro que se trata de uma mala direta, mas as cartas são relativamente personalizadas. Alguns trechos de diferentes cartas:

"Meu nome é Silval Barbosa. Tô sabendo que você não me conhece bem. Por isso mesmo gostaria que me ouvisse um pouco. Fico feliz em saber que você está na escola, já sabe ler e começa a perceber as coisas importantes para a nossa cidade e para o nosso estado. Afinal, você já tem 6 anos"

Bom...essa aí vá lá...mas o cara não tem nada que estar escrevendo para as criancinhas. A próxima, endereçada à uma tal Edevanete:

"Me contaram que você, Edevanete, não tinha ainda recebido a informação de que o Governador Blairo me escolheu para ser o pré-candidato dele ao Governo do Estado"

Isso aí é propaganda eleitoral antecipada. Não pode. Essa outra foi para um garoto de 13 anos de idade:

"Sinval é um cara legal" (...) "peço licença para fazer o papel de paizão". (...) "Se quiser, diga aos outros: o Silval é meu amigo."

Opa! vai fazer papel de paizão pra puta que te pariu, Silval! Agora, a última (e pior), endereçada a uma menininha de 5 anos, chamada Nadine:

"Sei que escrevo para uma menininha que só tem 5 anos e nem sabe ler ainda. Mas diga para a mamãe que o Silval é legal".

WTF?!?!?!?!

Olha, não deve ter um crime específico para esse tipo de coisa (além do óbvio crime eleitoral de propaganda antecipada)...mas isso tá tão errado em tantos níveis diferentes.

Fiquei imaginando como eu me comportaria se estivesse no papel de pai, lendo uma carta dessas endereçadas a um filho meu:

"Agora, Dieguinho, fica bonzinho aí tá? O papai só vai até Cuiabá encher a fuça do vice-governador de porrada e volta já, viu?"



(1) Blairo Maggi, o governador do Mato Grosso é o maior sojicultor do mundo. Vive acusando o Inpe de aumentar propositalmente os índices de desmatamento em seu estado. Numa dessas vezes, afirmou que o desmatamento não poderia estar acelerando, pois ele mesmo teria sobrevoado o estado e constatado com seus próprios olhos que, na verdade, o desmatamento no MT diminuiu. Blairo Maggi é também dono dos caldos Maggi.


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terça-feira, 26 de maio de 2009

o dia do nerd

Pra quem não sabia, ontem, 25 de maio, foi comemorado por milhões de joves na internet o "dia do orgulho nerd". That´s right! Segundo o suplemento da folha para adolescentes, o "folhateen", os nerds são hoje considerados mais uma das tribos urbanas, ao lado de indies, emos, punks, hipongas and so on...

Infelizmente o contepudo do Folhateen é exclusivo para assinantes, e por isso transcrevo aqui a matéria:


Sou nerd, mas tô na moda Jovens enfrentam preconceitos e celebram hoje, ao redor do globo, o Dia do Orgulho Nerd
Fotos Eduardo Anizelli/Folha Imagem

Jéssica, vestida de personagem de "Resident Evil 4', o game DIOGO BERCITO DA REPORTAGEM LOCAL Esqueça o menino raquítico de óculos fundo de garrafa carregando livros de física quântica embaixo do braço: a tribo dos nerds é, atualmente, muito mais variada do que isso. Mais variada e mais articulada também. Eles comemoram hoje, no mundo inteiro, o Dia do Orgulho Nerd e mostram que nem todos têm vergonha de serem apaixonados por assuntos como tecnologia de ponta e histórias em quadrinhos -apesar do preconceito de que são alvo, muitas vezes. O filme "Guerra nas Estrelas", outra vedete dos nerds, é a razão da data da comemoração -foi no dia 25 de maio de 1977 que estreou o primeiro longa da saga. Desde 2006, a data foi adotada para a celebração. O termo "nerd" não tem uma definição muito rígida. Pode ser usado para se referir a quem estuda demais, mas serve também para falar de quem é aficionado por coisas como RPG (jogos de interpretação de personagem) e computadores. "O nerd é uma pessoa obcecada por um determinado universo", explica Maria Stela Graciane, socióloga e coordenadora do curso de pedagogia da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica). Mas, se não é novidade que existem nerds, por que só recentemente eles decidiram dar as caras, com direito a dia de se orgulhar e tudo o mais? Talvez porque foi só agora que eles encontraram uns aos outros. "Com a internet, há facilidade para se agrupar", explica Maria Stela. Assim, o fã de "O Senhor dos Anéis", que não tinha com quem dividir sua paixão pela trilogia na escola, encontra em fóruns de discussões on-line uma multidão pronta a discutir o sexo dos elfos. E percebe que não está sozinho. No caso de Itamar Portela, 22, moderador da comunidade "Orgulho Nerd", no Orkut, a paixão "obsessiva" é por tecnologia. "Desde que conheci um Pentium 286, me apaixonei", brinca. Hoje, passa 90% do seu tempo livre na frente de um computador -e trabalha na frente de outro, projetando fiações elétricas. Nerds como Itamar, fascinados por tecnologia, são conhecidos pelo nome de "geeks". No caso de Jéssica Campos, 21, o termo que se usa é "otaku" -ela é fanática por cultura pop japonesa. Aos 18, apesar das críticas dos pais, fez seu primeiro "cosplay" (fantasiar-se de um personagem), em um evento voltado a fãs de mangás e animês. "As pessoas queriam ser fotografadas comigo", conta. Dois anos depois, ela representou o Brasil no mundial de "cosplay", no Japão. Ficou em primeiro lugar. Jéssica não liga para chacotas ("Não vêm de pessoas de mente aberta", diz) e já está pronta para concorrer mais uma vez com seu arsenal de 32 fantasias, a maioria feita à mão. Desde o berço
Outro que não liga muito para críticas é o "geek" Carlos de Moura, 15, que trabalha para a mãe de um amigo na LAN house que, inclusive, ajudou a montar. "Não consigo ser "cool", nasci tímido!", brinca. Já Thawan Pires Costa, 21, fã de "Guerra nas Estrelas", vê as brincadeiras com menos bom humor. "Tornei-me antissocial para não ser mais alvo de chacota", diz. Mesmo assim, não esconde suas paixões e fala delas com orgulho: "Tenho uma armadura de Storm Trooper de colecionador, mas nunca tirei da caixa para ela não se desvalorizar", gaba-se. O preconceito de que Thawan reclama é real, e a socióloga Maria Stela alerta: "Não é exclusivo dos alunos. Pode vir de pais e de professores também". Mas nem sempre vem. "Hoje, respeitamos mais os nerds, [o rótulo] pode ser até um elogio", diz Nicolle Alanis Fernandes, 13, que não se inclui no grupo. "Admiro eles, são muito inteligentes", completa Julia Oliveira de Albuquerque, 12. Para Vera Lucia Cruz Malato, coordenadora do departamento de orientação educacional do Colégio Bandeirantes, "os bons alunos se orgulham de ser assim". "Muitos são estudantes profissionais", brinca. ENCONTRE A SUA TURMA Há vários tipos de nerd; você é um deles? >>GEEK
É o nerd aficcionado por tecnologia. Tem o computador mais potente que pode comprar e vive antenado nas novidades da internet. Conhece os sites bacanas antes de todo mundo >>OTAKU
Sabe o nome dos bairros de Tóquio de cor e salteado e, possivelmente, se veste com as roupas dos personagens favoritos >>TREKKER
Assistiu (mais de uma vez) a todos os episódios do seriado Jornada nas Estrelas e, no fundo, gostaria de fazer parte da tripulação da nave Enterprise >>TOLKENIANO
Acredita que o mundo está divido entre quem leu "O Senhor dos Anéis" e quem ainda vai ler. Fala élfico fluente e tem noções da língua dos orcs >>RPGISTA
É fanático por RPG (jogos de interpretação de personagem) e não sai de casa sem seus indispensáveis dados de vinte faces >>COLECIONADOR DE HQ
A coleção de histórias em quadrinhos destes nerds inclue clássicos e raridades, como a edição do casamento do Homem-Aranha


Bom...de acordo com a classificação oficial o Gabriel é o meu amigo mais nerd. Nerd à sexta potência, já que faz parte, ou pelo menos transita por todas as categorias acima descritas. Pra ser justo, o Gabriel não se enquadra em "geek"...mas na minha opinião, o conceito de geek está errado no artigo. "Geeks" pelo que vi nos EUA são os caras esquisitos, extremamente tímidos e relativamente desprovidos de habilidades sociais. Geeks podem pertencer a qualquer outra categoria de nerds. Aqui embaixo, uma listagem mais completa dos nerds, e como "geek" serve pra denotar uma porção de tipos de nerds (se é que não tem quase o mesmo sentido):

Deixo aqui também a minha confissão de nerd. Talvez eu possa ser confundido por conta do gosto por esportes, mas não se enganem: tenho no PC uma infinidade de estatísticas de futebol - especialmente do São Paulo. E a minha coisa com a Geografia vai além de "trabalhar com o que gosta".

A coisa tá tão em voga que tem seriado americano: "The big bang theory". É divertido, mas certamente muito mais divertido pros nerds. E os óculos de armação grossa estão na moda.

Acho que a internet é a vingança dos nerds, é o meio em que os geeks se tornam autoridades respeitadas. E o nerd Bill Gates tem algo com isso - pero no mucho.

Pesquisando sobre os nerds na web, encontrei algumas coisas interessantes (tá, ambas na Wikipedia, mas vá lá):

Segundo uma definição de Lia Portocarrero, "...é o rapaz (ou moça) que nutre alguma obsessão por algum assunto a ponto de a) pesquisar; b) colecionar coisas; c) fazer música; d) escrever sobre (normalmente acompanhado de pesquisa); e) não sossegar enquanto não descobrir como funciona; f) não dormir enquanto o programa não rodar."
Segundo Paul Graham, "Existe uma relação entre ser esperto/inteligente e ser nerd, ou melhor, há uma correlação inversa maior ainda entre ser nerd e ser popular. Se ser esperto parece fazer a pessoa não popular" de forma analoga vem a conotação pejorativa.
Outro ponto interessante, que carece de debate: falta termo adequado em português para nerd. Na minha opinião, CDF é outra coisa, simplesmente descreve aqueles alunos muito esforçados e/ou estudiosos, que podem ou não ser nerds. Podem ser só esforçados.

Bom, seja como for, parabéns aos nerds do mundo.


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