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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Troque seu cachorro por uma criança pobre - e não se esqueça dos golfinhos!


É impressão minha ou a fome na África virou tema fora de moda?

Quanto maior a abrangência das redes sociais, maior é a fidelidade com a qual elas retratam as sociedades - ou pelo menos mostram com mais eficácia aquilo que as pessoas querem mostrar, o que já diz muita coisa.

Todos os dias encontramos no facebook mensagens religiosas, ateias¹, ecológicas, gente divulgando todo tipo de porcaria, incluindo um monte de porcarias legais...e às vezes tem coisa boa mesmo, geralmente vindas das mesmas pessoas.  Vejam, o nosso facebook não representa a "média da sociedade", mas como as pessoas próximas a nós se comportam no mundo digital.  O meu grupo de amigos publica coisas diferentes do seu grupo de amigos, e isso faz do facebook da cada indivíduo um conjunto único de informações.

Essa percepção é interessante, e por vezes eu me assusto com a frequência com que certas coisas aparecem na minha página inicial.  Uma delas é a quantidade de gente que divulga/publica/compartilha coisas relacionadas à proteção dos animais - e em contraste, a quase ausência de gente postando coisas que dizem respeito com o bem estar da humanidade.  Dia desses descobri que o boom de postagens de protetores de animais não é exclusividade do meu facebook.  Eu imaginava que talvez fosse, porque conheço muita gente envolvida diretamente em organizações de proteção aos animais; gente o suficiente para gerar uma distorção na minha página.  Acabei lembrando daquela música do Eduardo Dusek, o "rock da cachorra":


Troque seu cachorro por uma criança pobre
Sem parente, sem carinho, sem rango, sem cobre
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre

Troque seu cachorro por uma criança pobre

Tem muita gente por aí que está querendo levar uma vida de cão
Eu conheço um garotinho que queria ter nascido pastor-alemão
Esse é o rock de despedida pra minha cachorrinha chamada "sua-mãe"

Seja mais humano, seja menos canino
Dê guarida pro cachorro, mas também dê pro menino
Senão um dia desse você vai amanhecer latindo

Não quero ser mal compreendido, simpatizo muito com a causa da adoção de bichos abandonados, da guarda responsável, da luta contra atos cruéis, etc.  Não simpatizo com a superioridade moral vegana, com o fim da experimentação científica em animais ou com o fim da caça às baleias².

 Agora, acho curioso que tanta gente esteja tão preocupada com os bichinhos e tão pouca gente esteja preocupada com assuntos relevantes para a espécie humana.  Quantas publicações vocês têm visto sobre a seca no nordeste ou as chuvas na Amazônia?  E já que quando se trata da proteção aos animais tem tantas postagens genéricas - além, claro, das postagens específicas, aquelas do tipo "Totó precisa de sua ajuda hoje" - cadê as pessoas repercutindo a fome na África, pra ficar só no exemplo mais gritante e geral dos problemas com Direitos Humanos?

Agora, claro que a comoção com as tragédias humanas tem muito a ver com a importância que a imprensa dá a casos específicos...as enchentes e deslizamentos de terra em Santa Catarina (2008) foram particularmente bem divulgadas.  As enchentes nordestinas de 2009 geraram menos comoção, menos mobilização, não teve o Guga ou um monte de artistas globais nordestinos pedindo doações.

Já os casos de cachorrinhos torturados têm gerado um fuzuê gigante na mídia e na internet.  É claro que é horrível, que as pessoas que fazem isso são horríveis (ou problemáticas), mas coisas assim acontecem todos os dias, como acontecem todos os dias casos como o dos Nardoni - lembram?  Bem, a TV divulgou a história do cachorrinho torturado, daquele outro enterrado vivo, de um que foi arrastado por um carro...essas coisas já aconteciam antes, mas agora resolveram, sei lá porque, mostrar.  pode ser fase, como eu espero que seja a enxurrada de filmes espíritas bancados pela Globo.

Claro que não me queixo da defesa de nenhuma das duas coisas (bichos e gente).  Me importo com ambos e não milito ativamente por nenhuma das causas.  Acho legítimo - e inteligente - o uso da internet para a divulgação de qualquer coisa, mas acho a distorção interessante.  Não porque seja inesperada, afinal, as pessoas nunca deram muita bola pros Direitos Humanos mesmo; mas porque não se dava tanta bola pro direito dos animais.  Parece que a proteção dos direitos dos animais seja a bola da vez entre as coisas que as pessoas gostam de divulgar, ou talvez seja mesmo o surgimento de um novo tempo, em que homens e bichos caminharão nesse mundão de patas dadas...

Resumindo: acho a causa justa, acho justo o uso da internet para divulgar a causa e acho coerente que pessoas queiram lutar pelos animais.  Porque raios, então, estou escrevendo isso?  Porque ultimamente tenho visto muita afetação.

Quem ler os comentários que seguem a maioria das postagens relacionadas ao tema, vai encontrar uma assembleia maluca de posições muito esquisitas, inclusive de gente que encara a coisa como uma guerra entre humanos e outros animais - e torce pelos bichos.  Gente que acha que só os seus cachorros as entendem de verdade, gente que acha que os bichos são melhores porque não são cruéis...por mais que poucas coisas sejam tão cruéis quanto a natureza, argumentam que só o homem mata por crueldade, sem motivo algum.  Essa ideia além de falsa, é boba.  A "sacanagem" é efeito colateral da inteligência humana - ainda que os cucos sejam uns FDP´s, não?  Justificável ou não, a maioria dos assassinatos acontecem por algum motivo, normalmente a obtenção de alguma vantagem: dinheiro, poder, eliminação de rival, punição, obtenção de status, reação a uma briga, etc...e tem ainda os distúrbios mentais, tampouco exclusivos dos homens.

Só pra ilustrar, peguei a postagem mais recente na minha página...é essa aqui.  Foi compartilhada por uma amiga minha, mas originalmente publicada na página "Prefiro bicho que gente".  Eu não podia ter tido mais sorte nesse exemplo...hehehe!  Nos comentários aparecem os veganos, os super-protetores e uma galera pagando pau.

Até entendo que algumas pessoas gostem mais de bichos que de gente...tem muita gente chata e ruim por aí.  Mas tem muita gente legal também, e pra ver isso basta perceber que quase todo mundo (até gente de quem a gente não gosta) tem amigos e gosta de outras pessoas.

É normal que pessoas gostem muito de certas coisas...um astrônomo que goste tanto de passar seu tempo no telescópio que prefira, de verdade, passar tempo lá do que tendo contatos sociais.  Ou um cinéfilo que prefira ver filmes a viver sua própria história (oh, profundo!).  Mas não é esse o caso: essas pessoas gostam mais de bichos porque acham que os bichos são melhor gente...

Se todas as pessoas que você conhece valem menos a pena que os animais, talvez o problema não seja as outras pessoas.  Pessoalmente, não troco as minhas amizades humanas por cachorro nenhum - e eu adoro os meus cães - conversas com seres capazes de me entender são normalmente mais ricas, por mais que poucas coisas sejam tão gostosas quanto o afeto incondicional de um cachorro.  Ah, o amor do cão!








1) Acabo de perceber que ateia não tem mais acento...que coisa! 
2) Calma, é mentira.  Deixem as baleias em paz, japoneses malditos³!
3) Calma, eu sou nipo-descendente, estou autorizado a fazer a piada.


P.S.  Me ocorreu agora uma discussão que tive com alguém a respeito da caça às baleias (ou foi um filme que vi?  Eram baleias mesmo ou eram golfinhos?).  Os japoneses tem dificuldade em entender porque as pessoas se importam tanto com golfinhos e baleias.  Pra eles, uma baleia é "só mais um peixe".  É compreensível num país em que comer esses bichos é uma tradição milenar.  Matar uma vaca é tão cruel quanto, mas apenas uma minoria entre os neoprotetores se importam com isso.  Não parece ser relacionado com o risco de extinção - os pirarucus não parecem gozar do mesmo carisma e prestígio.  Tenho a impressão de que mesmo que baleias fossem muito abundantes, a matança delas continuaria incomodando muita gente.  A mim incomoda, provavelmente por razões culturais.

Wilbor se Revolta continua tendo o selo de Blog Amigo dos Golfinhos, assumindo todas as condições que este selo implica.


1. Este blog não prejudica, de maneira nenhuma os golfinhos, esses magníficos peixes alados.
2. Este blog não utiliza redes para pesca de atum.*
3. Os criadores desse blog não possuem roupas, ou acessórios pessoais feitos de partes de golfinhos.
4. Os criadores desse blog não tomam chá de genitálias de golfinhos para melhorar seu desempenho sexual - muito embora os benefícios trazidos chá de genitália dessas criaturas mágicas e boazinhas estejam relatados nos mais diversos estudos científicos.**
5. Sopa de golfinho tem um gosto horrível. Bem, é o que dizem.

*Não, nós não pescamos atum. Nem nas férias. Não, aqueles bichos que o Gabriel pesca são peixes-bois.
**Segundo a medicina chinesa. Já viu algum chinês equivocado? E chinês brocha, já viu? E golfinho brocha???


sábado, 11 de fevereiro de 2012

a difícil tarefa de não ler veja

Editora Abril é foda.

Tenho, há alguns anos, as assinaturas das revistas Placar e Piauí.  A Placar eu assinei porque rolava uma promoção em que quem assinasse por um ano ganhava uma camisa oficial do São Paulo.  Como a camisa do São Paulo custava bem mais que isso, acabei assinando.  O raciocínio era: uma camisa do SPFC que vinha com uma revista merda de brinde.

Acontece que a assinatura era debitada automaticamente no meu cartão de crédito, e a Abril, marotamente, foi renovando a assinatura automaticamente.  Renovou em 2010 e novamente em 2011...ou seja: essa maldita assinatura, que começou em fevereiro de 2009 só terminou esse mês: 3 anos!

Aqui o e-mail de confirmação de assinatura (endereço apagado, por razões óbvias):



Quando me dei conta de que isso venha acontecendo, liguei para a Abril e cancelei o serviço de renovação automática.  Não, claro, sem antes ouvir uma série de argumentos sobre as dificuldades que enfrentaria, etc, etc, etc...o melhor deles foi o seguinte: só existe a possibilidade de cancelar o serviço como um todo, não apenas de uma ou outra revista.  Isso significava, no final da contas, que eu perderia a renovação automática da piauí...por fim, ponderando as coisas, resolvi cancelar mesmo o serviço e renovar "manualmente" a piauí, o que demandou um telefonema em janeiro deste ano.  Mesmo sem ver os pés da atendente, a fiz jurar com eles junto que nessa renovação da piauí eu não consentia com renovação automática de qualquer revista, e recusei outras assinaturas promocionais, com descontos imperdíveis várias vezes.  ok, resolvido.

Ano passado, após o meu cancelamento com o "Renova Fácil", recebi vários brindes da Abril: edições da revista VIP, da Alfa e...seis semanas de veja!  Primeiro fiquei de cara com a imagem que a Abril faz de mim...eu assino a piauí, caralho!  Pra que diabos vou querer Alfa e VIP???  Bom, com esses generosos brindes, eu acabei lendo uma coisa ou outra da veja, o que só reforçou o nojo que eu tenho desse panfleto imbecil.

Motivo do post: hoje, junto com o meu jornal, fui surpreendido com mais um exemplar de veja.  Fiquei puto, porque receber a veja sempre me dá trabalho: eu acabo lendo alguma merda e depois tenho muito trabalho para fazer o descarte adequado da revista: não posso colocar junto com os jornais por pedido do zelador...os jornais ele usa para forrar o conteiner de lixo.  As pessoas normalmente deixam as revistas no hall de entrada, para que os porteiros e visitantes tenham o que ler enquanto esperam.  Esse é o destino da Placar e das revistas da Folha de São Paulo.  Com a veja eu já não consigo fazer isso, porque me sinto na obrigação moral de evitar que essa porra seja lida...ou seja: para evitar que pessoas inocentes a leiam, eu só descarto a veja no lixo comum, entre cascas de banana e embalagens - aqui não tem coleta seletiva.

Há muito tempo eu penso que um dos maiores problemas do Brasil é a semi-educação: aquele estágio em que as pessoas são capazes de ler, mas não de discernir entre as coisas que lê.  Se o fato está numa revista de grande circulação, deve ser verdade.  E esse é o perigo da veja.

Eu penso que esse fenômeno explica a maior desconfiança dos eleitorados das regiões sul/sudeste.  Os indicadores mais favoráveis em educação são parte da explicação...mas a maior quantidade de gente semi-educada deve explicar o grosso da população: o eleitorado lê, mas lê veja.  É uma situação complicada, porque no caminho para um país de fato educado, muita gente precisa passar pelo estágio da semi-educação.

Por fim, uma surpresa: ao entrar no site do serviço de assinantes abril, para conferir quando minha assinatura placar de fato acabaria, acabei descobrindo isso:


Essa merda de revista que chegou não é um brinde.  É o primeiro exemplar de uma assinatura não autorizada, aliás, recusada muitas e muitas vezes.  Não fui avisado por telefone, e-mail ou carta.

O atendimento da Abril não funciona sábado, o que significa que eu preciso esperar até segunda-feira para ter uma conversa desagradável com um representante abril, na qual certamente serei passado de setor para setor e terei que esperar bastante.  Pagando ligação local.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Me engana que eu gosto

Combustível ecológico.


São Carlos do Ivaí-PR. 21 de setembro de 2007.


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