Ano novo, casa nova...
Depois de mais de um ano hospedando o Wilbor na UOL, finalmente nos enchemos. O espaço por lá é muito limitado, tem poucas opções de configurações, o arquivo de imagens já tava lotado...
De agora em diante, em respeito aos nossos milhares de leitores, estaremos aqui.
abraços!!
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
sábado, 10 de fevereiro de 2007
o facismo nosso de cada dia
Postado por
Gabriel G;
"Assassinato brutal de criança comove o país"
Ler essa notícia me deu medo.
E não, o medo não é dos assinatos brutais
(e foram brutais mesmo).
O medo, por estranho que
pareça, é disto aqui:

Sinceramente: uma das coisas que acho assustadoras e hipócritas na atualidade são essas campanhas "para a paz". Até que tudo bem uma campanha "pela justiça" ou "contra a impunidade"; I can live with that. Me assusta é quando as pessoas começam a falar "contra a violência" ou "pela paz". Ou seja: quando as pessoas começam a falar em abstrações.
Abstrações que são logo, logo tornadas bem concretas por propostas como a da redução da maioridade penal.
Que jeito mais interessante de se pedir o aumento da violência estatal: pelo pedido de "paz". Com criancimnhas segurando velas. Ou aquela cena ridícula de abraçar a Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro, anos atrás.
Qual o meu medo a esse respeito? é que, para mim, parecem só uma máscara. E coisas mascaradas é que são mais insidiosas e dignas de medo.
Afinal, o que geralmente se quer nessas campanhas? Se quer o não dito.
O que se quer é que todos esses criminosos aí MORRAM. ESSA é a tal da "paz", me parece.
Você se coloca uma posição em que não encara nem a própria violência do que está pedindo. E é justamente esse momento de mascaramento que me dá medo -- porque ele é uma agressividade que se esconde, que não se revela, e que portanto é mais difícil de combater. Ele é coisa das "pessoas de bem", essa abstração assustadora.
Pra mim, esses "pela paz", pela abstração e mascaramento, são versões locais da "guerra contra o terrorismo".
Um pezão no fascismo.
Parafraseando Laymert dos Santos: o nosso fascismo cotidiano.
Ler essa notícia me deu medo.
E não, o medo não é dos assinatos brutais
(e foram brutais mesmo).
O medo, por estranho que
pareça, é disto aqui:

Sinceramente: uma das coisas que acho assustadoras e hipócritas na atualidade são essas campanhas "para a paz". Até que tudo bem uma campanha "pela justiça" ou "contra a impunidade"; I can live with that. Me assusta é quando as pessoas começam a falar "contra a violência" ou "pela paz". Ou seja: quando as pessoas começam a falar em abstrações.
Abstrações que são logo, logo tornadas bem concretas por propostas como a da redução da maioridade penal.
Que jeito mais interessante de se pedir o aumento da violência estatal: pelo pedido de "paz". Com criancimnhas segurando velas. Ou aquela cena ridícula de abraçar a Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro, anos atrás.
Qual o meu medo a esse respeito? é que, para mim, parecem só uma máscara. E coisas mascaradas é que são mais insidiosas e dignas de medo.
Afinal, o que geralmente se quer nessas campanhas? Se quer o não dito.
O que se quer é que todos esses criminosos aí MORRAM. ESSA é a tal da "paz", me parece.
Você se coloca uma posição em que não encara nem a própria violência do que está pedindo. E é justamente esse momento de mascaramento que me dá medo -- porque ele é uma agressividade que se esconde, que não se revela, e que portanto é mais difícil de combater. Ele é coisa das "pessoas de bem", essa abstração assustadora.
Pra mim, esses "pela paz", pela abstração e mascaramento, são versões locais da "guerra contra o terrorismo".
Um pezão no fascismo.
Parafraseando Laymert dos Santos: o nosso fascismo cotidiano.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
domingo, 28 de janeiro de 2007
segunda-feira, 3 de abril de 2006
ANÚNCIOS INCRIVELMENTE ENGRAÇADOS
Postado por
Gabriel G;
Obs(1): Eu não inventei isso (juro!!)
Obs(2): A posição dos balões é exatamente essa.
(quem quiser conferir, ver "Alias: névoa púrpura", da Marvel Max/Panini, de onde eu tirei isto...)
quinta-feira, 2 de março de 2006
MOMENTO ZAPPA
Postado por
Gabriel G;
esta cantiga (rap-alike) herética e mal-humorada do véio Zappa é dedicada ao Marcelo...
DUMB ALL OVER
Whoever we are
Wherever we're from
We shoulda noticed by now
Our behavior is dumb
And if our chances
Expect to improve
It's gonna take a lot more
Than tryin' to remove
The other race
Or the other whatever
From the face
Of the planet altogether
They call it the earth
Which is a dumb kinda name
But they named it right
'cause we behave the same...
We are dumb all over
Dumb all over,
Yes we are
Dumb all over,
Near 'n far
Dumb all over,
Black 'n white
People, we is not wrapped tight
Nurds on the left
Nurds on the right
Religous fanatics
On the air every night
Sayin' the bible
Tells the story
Makes the details
Sound real gory
'bout what to do
If the geeks over there
Don't believe in the book
We got over here
You can't run a race
Without no feet
'n pretty soon
There won't be no street
For dummies to jog on
Or doggies to dog on
Religous fanatics
Can make it be all gone
(i mean it won't blow up
'n disappear
It'll just look ugly
For a thousand years...)
You can't run a country
By a book of religion
Not by a heap
Or a lump or a smidgeon
Of foolish rules
Of ancient date
Designed to make
You all feel great
While you fold, spindle
And mutilate
Those unbelievers
From a neighboring state
To arms! to arms!
Hooray! that's great
Two legs ain't bad
Unless there's a crate
They ship the parts
To mama in
For souvenirs: two ears (get down!)
Not his, not hers, (but what the hey?)
The good book says:
("it gotta be that way!")
But their book says:
"revenge the crusades...
With whips 'n chains
'n hand grenades..."
Two arms? two arms?
Have another and another
Our god says:
"there ain't no other!"
Our god says
"it's all okay!"
Our god says
"this is the way!"
It says in the book:
"burn 'n destroy...
'n repent, 'n redeem
'n revenge, 'n deploy
'n rumble thee forth
To the land of the unbelieving scum on the other side
'cause they don't go for what's in the book
'n that makes 'em bad
So verily we must choppeth them up
And stompeth them down
Or rent a nice french bomb
To poof them out of existance
While leaving their real estate just where we need it
To use again
For temples in which to praise our god
("cause he can really take care of business!")
And when his humble tv servant
With humble white hair
And humble glasses
And a nice brown suit
And maybe a blond wife who takes phone calls
Tells us our god says
It's okay to do this stuff
Then we gotta do it,
'cause if we don't do it,
We ain't gwine up to hebbin!
(depending on which book you're using at the
Time...can't use theirs... it don't work
...it's all lies...gotta use mine...)
Ain't that right?
That's what they say
Every night...
Every day...
Wherever we're from
We shoulda noticed by now
Our behavior is dumb
And if our chances
Expect to improve
It's gonna take a lot more
Than tryin' to remove
The other race
Or the other whatever
From the face
Of the planet altogether
They call it the earth
Which is a dumb kinda name
But they named it right
'cause we behave the same...
We are dumb all over
Dumb all over,
Yes we are
Dumb all over,
Near 'n far
Dumb all over,
Black 'n white
People, we is not wrapped tight
Nurds on the left
Nurds on the right
Religous fanatics
On the air every night
Sayin' the bible
Tells the story
Makes the details
Sound real gory
'bout what to do
If the geeks over there
Don't believe in the book
We got over here
You can't run a race
Without no feet
'n pretty soon
There won't be no street
For dummies to jog on
Or doggies to dog on
Religous fanatics
Can make it be all gone
(i mean it won't blow up
'n disappear
It'll just look ugly
For a thousand years...)
You can't run a country
By a book of religion
Not by a heap
Or a lump or a smidgeon
Of foolish rules
Of ancient date
Designed to make
You all feel great
While you fold, spindle
And mutilate
Those unbelievers
From a neighboring state
To arms! to arms!
Hooray! that's great
Two legs ain't bad
Unless there's a crate
They ship the parts
To mama in
For souvenirs: two ears (get down!)
Not his, not hers, (but what the hey?)
The good book says:
("it gotta be that way!")
But their book says:
"revenge the crusades...
With whips 'n chains
'n hand grenades..."
Two arms? two arms?
Have another and another
Our god says:
"there ain't no other!"
Our god says
"it's all okay!"
Our god says
"this is the way!"
It says in the book:
"burn 'n destroy...
'n repent, 'n redeem
'n revenge, 'n deploy
'n rumble thee forth
To the land of the unbelieving scum on the other side
'cause they don't go for what's in the book
'n that makes 'em bad
So verily we must choppeth them up
And stompeth them down
Or rent a nice french bomb
To poof them out of existance
While leaving their real estate just where we need it
To use again
For temples in which to praise our god
("cause he can really take care of business!")
And when his humble tv servant
With humble white hair
And humble glasses
And a nice brown suit
And maybe a blond wife who takes phone calls
Tells us our god says
It's okay to do this stuff
Then we gotta do it,
'cause if we don't do it,
We ain't gwine up to hebbin!
(depending on which book you're using at the
Time...can't use theirs... it don't work
...it's all lies...gotta use mine...)
Ain't that right?
That's what they say
Every night...
Every day...
Hey, we can't really be dumb
If we're just following god's orders
Hey, let's get serious...
God knows what he's doin'
He wrote this book here
An' the book says:
He made us all to be just like him,"
So...
If we're dumb...
Then god is dumb...
(an' maybe even a little ugly on the side)
quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
FESTA DE ARROMBA
Postado por
Gabriel G;
Churrasco noturno no departamento de arquitetura. A ilusão prematura e não-verbalizada de que, agora sendo veterano, tem-se alguma chance a mais de catar calouras.
Um amigo meu (um dos que moravam comigo) está de olho em uma moça coxuda.
Está bem escuro, mesmo do lado da churrasqueira, e ele está bem bêbado.
A moça acabou de pegar um espetinho.
À medida que ele se aproxima, pode-se ouvir o tema de Tubarão, sutil e subliminarmente, por trás do Prodigy (ou Pato Fu) que tocava no momento.
Ele pára. Pergunta se ela daria um pedaço do espetinho pra ele (a cantada definitiva!!).
Ela afirma negativamente.
Repentina e assustadoramente ele avança sobre ela, emitindo, heróico, o brado retumbante:
Realmente, tempo bom que não volta mais.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2006
SEX AND THE CITY
Postado por
Gabriel G;
"Oral molhadinho. Apertadinha."
"Rola tudo . O que sua mulher não faz."
"Anal com dotado."
"Anal giratórtio."
"Sem camisinha até o fim ."
Não dá pra rimar. Nem se chamando Raimundo.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2006
A MARVADA PINGA
Postado por
Gabriel G;
Já ouvi uma e outra vez que a bebida faz as pessoas falarem o que realmente pensam.
Mais ou menos. Na verdade, a bebida faz a gente falar o que dá na telha. Eventualmente, isso coincide com o que realmente se pensa.
E mesmo em caso de escolhas e falas extremamente sinceras, aquilo que você vê em estado ébrio não é o que veria sóbrio. E isso também leva a respostas que dificilmente seriam o que realmente se quer mas se reprime na vida sóbria.
Mais ou menos. Na verdade, a bebida faz a gente falar o que dá na telha. Eventualmente, isso coincide com o que realmente se pensa.
E mesmo em caso de escolhas e falas extremamente sinceras, aquilo que você vê em estado ébrio não é o que veria sóbrio. E isso também leva a respostas que dificilmente seriam o que realmente se quer mas se reprime na vida sóbria.
Estava sóbrio em minha casa (uma das muitas que já morei) com alguns amigos bem bêbados (que também moravam nessa casa). Na verdade, estávamos todos na laje, de frente pra rua, olhando todo mundo de cima e ocasionalmente mexendo com um(a) ou outro(a) transeunte. Cena memorável.
Em um momento meio gozação com fundo de verdade e meio verdade com fundo de gozação, o mais alto deles sussurrou para uma grande amiga dele (e minha) que queria comê-la. Assim, com essas palavras. Sem sal nem cozimento.
Como eu estava ao lado dela naquele momento exato, e era o único homem sóbrio no local (assim como ela era a única mulher — at all — no meio de vários marmanjos bêbados) ela se vira e me pergunta se eu estava vendo o que ela tinha que agüentar.
Em um momento meio gozação com fundo de verdade e meio verdade com fundo de gozação, o mais alto deles sussurrou para uma grande amiga dele (e minha) que queria comê-la. Assim, com essas palavras. Sem sal nem cozimento.
Como eu estava ao lado dela naquele momento exato, e era o único homem sóbrio no local (assim como ela era a única mulher — at all — no meio de vários marmanjos bêbados) ela se vira e me pergunta se eu estava vendo o que ela tinha que agüentar.
Ê tempo bom que não volta mais.
(Ah, é. Esta aqui é uma foto proveniente da ocasião... mas ou menos o ângulo que um hipotético transeunte na rua veria as ocorrências narradas)
quarta-feira, 28 de dezembro de 2005
ALÔ?
Postado por
Gabriel G;
— Alô?
Talvez a voz soasse um pouco alta para quem quer que estivesse do outro lado. De cá, amigos e outras mesas em conversas animadas, pratos, talheres, copos e garrafas. Falar alto no ruído é ato-reflexo. Podia ser pior — haver mais gente, teto mais alto e ressonante, bandinha tocando; mas não, o teto era baixo e não era quarta-feira.
— Oi... lembra de mim?
— Quem é?
— É a (sua irmã...?)...
Ainda assim, muito barulho. Não o bastante para não escutar, mas o suficiente para não se ter certeza a respeito do que se escutou. O que, numa ligação estranha, é das piores coisas. Voz inesperada, entonação inesperada e misteriosa. Imagens de pessoas possíveis passavam frenéticas na cabeça durante meio segundo, nenhuma batia. Amigos conversando, pessoal bebendo, namorada do lado. Voz de mulher na sua mão.
Putaqueopariu.
—Ah. (?....!)
Não importava mais se falava alto; pelo menos daria uma indicação de que estava realmente difícil entender (só se fala alto demais no telefone quando se está imerso no barulho, não?...).
— Faz tempo que a gente não conversa, né...?
Tinha um pânico antigo de não levar crédito, de suspeitarem injustamente de si. E quando tinha isso, fingia a verdade — o que, para sua infelicidade, é um dos comportamentos mais suspeitos. Numa situação suspeita, se estava realmente surpreso e indignado externava o sentimento com tanta veemência que os outros (se lhes sobrasse alguma maldade ou esperteza a mais) poderiam bem achar que mentia.
— Espera um pouco: quem tá falando?
A ligação termina. Na cara.
Pra bom entendedor, meia.
Pra quem não quer entender, nem um tratado.
Celular é uma merda.
terça-feira, 13 de dezembro de 2005
terça-feira, 6 de dezembro de 2005
Telona do Pecado (*)
Postado por
Gabriel G;
(* este texto foi originalmente publicado no antigo endereço do Wilbor. esta versão aqui possui algumas poucas mudanças.)
Marv: large lethal loser
Eu fui assistir Sin City. Na condição de leitor assíduo (e fervoroso) de Histórias em Quadrinhos, devo dizer que o evento era há muito aguardado. Mais especificamente, eu ansiava por ver o filme desde que soube de sua estréia nos EUA, principalmente pelo texto de Sérgio D'Ávila na Folha de São Paulo, que elogiava o filme sem reservas — o título do artigo, "é o melhor filme do ano, e estamos apenas em abril", é bem significativo a esse respeito.
É claro, desde que eu soubera da existência do filme, minhas entranhas de fã não puderam deixar de ficar alertas; entre as muitas histórias da série impressa de Sin City, havia algumas que coloco entre as HQs mais interessantes que li. Tinha curiosidade de ver que tipo de filme isso podia dar, e a presença do autor (o californiano Frank Miller) na direção do filme parecia ser bom sinal. Por outro lado, eu já conhecia bem o que um mínimo de boa expectativa cinéfila poderia produzir em termos de decepção, e muitas das adaptações de grandes obras das HQs tinham gerado filmes fracos (Do Inferno) ou patéticos (Liga Extraordinária). Assim, pus o filme de lado (na medida do possível), procurando não pensar nele até assisti-lo. A fala de D'Ávila, porém, foi tão enérgica que me fez ter reais esperanças — o que explica em parte o fato de que, no final, eu não tenha saído do cinema impressionado com o que vi. Posso dizer que esperava mais.
Antes de tudo, deixo claro: VALE A PENA VER O FILME. Dito isso, vou me meter a falar um pouco dele. Como fã e conhecedor da série original de Sin City, acredito que minha contribuição seja justamente ser impiedoso (heh), de forma que levantarei aqui apenas problemas.
De maneira geral, o filme investe na literalidade, em fazer a imagem e a narrativa filmada copiar o grafismo do desenho. Esta é a um só tempo sua glória e ruína. De maneira geral, as falas são idênticas, há enquadramentos de cena e tomadas iguais às histórias desenhadas, como se o quadrinho tivesse sido diretamente tomado como storyboard. Devo explicar que como eu conhecia as três histórias do filme — e a ponto de saber todas as falas e todas as cenas — a experiência de "tradução" que senti foi extremamente radical pra mim, produziu um estranhamento que ia do interesse ao mal-estar (este, por sorte, apenas poucas vezes).
É inútil tentar simplesmente transpor com literalidade para o cinema a beleza congelada do trabalho de Miller; é irônico traduzir para uma mídia de movimento um trabalho onde a ação parece com freqüência congelada, eternizada, como se tratassem de estátuas (Miller, nesse sentido, abre mão do jogo frenético de linhas dos quadrinhos americanos ou tão típico dos mangás hoje demasiado e exaustivamente popularizados entre adolescentes). Mas isso não chega a ser um problema, principalmente comparado ao aspecto auditivo.
Histórias em quadrinhos são uma linguagem onde é possível trabalhar um amplo paralelismo entre letras e imagens, entre narrativa visual e verbal, no qual ambas podem correr totalmente separadas sem estranheza. A transposição desse efeito para cinema é algo nada fácil; sem o cuidado devido, Sin City ganhou nada mais que a ordinária narrativa em "off". O que, na pressa do filme e literalidade da adaptação, também polui a narrativa visual com uma falação interminável. Em sua pressa, o filme perde a oportunidade de deixar o silêncio trabalhar em seu favor — uma grande qualidade dos quadrinhos de Miller — e torna-se tagarela.
Já a trilha sonora, uma coisa na qual o meio audiovisual do cinema poderia enriquecer a história, é ainda mais mal-trabalhada: é mesmo pífia. Sin City (a HQ) era digna de alguma coisa marcante, uma trilha sonora à la Tarantino: estilizada, brega, divertida, forte. Há certas referências, por exemplo, à música country na HQ; o filme poderia ter aproveitado esse gancho com humor e inteligência.
A construção de vários personagens, especialmente de Marv, é desalentadoramente inferior ao original (notem que no filme ele não grita de verdade em momento nenhum!). Claro, nesse aspecto meios escritos sempre tem grande vantagem; ainda assim, convenhamos que podia ser bem melhor (como podia também ser bem pior...). Mesmo que eu tenha gostado de ver Bruce Willis, Clive Owen e Benicio Del Toro (sem falar de Britany Murphy), ainda acho que o ideal de Sin City seria uma animação. Dispensaríamos assim o fetiche da semelhança dos atores, e focaríamos realmente no que importa: como passar um meio pictórico escrito/desenhado para um meio audiovisual em movimento, e o que significa fazê-lo tendo como partido a máxima semelhança.
O filme também é excessivo. Ao espremer várias histórias, o que temos é uma banalização da violência (a tão falada!) na qual ficam patentes as recorrências e repetições do próprio Miller. Decapitações, desmembramentos, mutilações genitais, tortura psicológica... é tudo tão rápido e em tal quantidade que há pouco tempo para se chocar mesmo com o horror da violência — "tempo" que no quadrinho há de sobra. Com apenas duas histórias, o filme já ficaria muito melhor. Mas sou mais radical: o que eu queria ver mesmo é um filme inteiro só com a epopéia de Marv bem caracterizada, com toda a densidade, desvario e desesperança que ela mereceria.
Pode ser apenas uma impressão minha, mas com toda a novidade visual e o ritmo exagerado, muito da lógica do filme me pareceu ser a de "dar ao público o esperado". Apesar da surpresa da radicalidade visual, pra mim há nele algo como "quadrinhos são diversão rápida, por isso vamos dar uma sucessão de historinhas para o público, que é o que ele espera". A primeira história em quadrinhos de Sin City, porém, não foi sob hipótese nenhuma uma "história rápida", e muito menos algo "esperado"; embora seja de cabo a rabo uma referência e superestilização do estilo "noir", a HQ foi para mim uma novidade, e isso principalmente pela sua densidade e seu enorme peso (no sentido mais "amargurado" do termo, um peso sofrido, uma obra difícil de ler). Ao escolher privilegiar o fato de ser uma "novidade" cinematográfica (o que realmente é em certos aspectos), o filme abre mão de uma parte nada desprezível da dimensão poética — dramática mesmo — do original. Pior pra ele. O filme, assim, trabalha contra a obra. No sentido "artístico", é claro (com o perdão da palavra); no marketing, só a ultraviolência já vai atrair um público enorme para o gibi — como bem o esperava as editoras, que por ocasião do filme relançou histórias da série em volumes encadernados "de luxo". Acredito que uma adaptação dessas precisaria de mais cuidado e — o que está por fora hoje em dia — mais reflexão. Mas é claro: pedir reflexão para um produto de indústria cultural — ainda mais pra um mísero quadrinho, vejam só! — é pedir pra ser acusado de forçar a barra, de ser preciosista, elitista ou simplesmente metido a besta.
Sin City, enfim, é extremamente interessante como experiência de adaptação cinematográfica de histórias em quadrinhos; como filme, nem tanto.
(Sem falar que não é nada animador lembrar que, ao contrário da VERDADEIRA Nancy (a de papel), Jessica Alba é "importante" demais pra mostrar os peitinhos na tela. Ora, como dizem na faculdade, se não agüenta bebe leite.
Esses últimos lastrinhos de puritanismo Holywoodiano me enervam demais. Em especial por serem, por assim dizer, descriminatórios: com a desconhecida atriz que faz a Goldie, tudo bem, seios à mostra; já a "estrelinha"... oh, não, o cachê não paga... Safardanas do inferno.)
segunda-feira, 28 de novembro de 2005
quarta-feira, 16 de novembro de 2005
quinta-feira, 10 de novembro de 2005
RESUMO DAS RELIGIÕES
Postado por
Gabriel G;
(não sei mais de onde eu recebi esta...)
1.Taoism - Shit happens.
2. Hare Krishna - Shit happens rama rama ding ding.
3. Hindusim - This shit happened before.
4. Islam - If shit happens, its Allah's will.
5. Zen - What is the sound of shit happening?
6. Buddhism - When shit happens, is it really shit?
7. Confusianism - Confucias say, "Shit happens".
8. 7th Day Adventist - Shit happens on Saturdays.
9. Protestantism - Shit won't happen if I work harder.
10. Catholocism - If shit happens, I deserve it.
11. Jehova's Witness - Knock, knock, "Shit happens!"
12. Unitarian - What is this shit?
13. Mormon - Shit happens again and again and again ...
14. Judaism - Why does this shit always happen to me?
15. Rastafarianism - Let's smoke this shit!
BEM E MAL
Postado por
Gabriel G;
Já se torna muy bem conhecida nossa campanha. Agora, a título de ilustração, faremos um confronto!!!!
Aqui, nossa campanha de bem:



Agora, dando o sagrado DIREITO DE RESPOSTA à oposição...



ORAI E VIGIAI
Aqui, nossa campanha de bem:
Agora, dando o sagrado DIREITO DE RESPOSTA à oposição...
ORAI E VIGIAI
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